Gestão

A crise econômica e o impacto na saúde do Brasil

Por Roberta Massa B. Pereira | 17.02.2016 | Sem comentários

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Em momentos difíceis, seja por questões internas ou externas, faz-se necessário entender o processo pelo qual a organização está passando para conseguir vislumbrar novas formas de gerenciar. Observando o problema real, o gestor certamente encontrará meios adequados para enfrentá-lo, permitindo que a empresa se prepare melhor, remodule os investimentos e reveja os processos internos.

Nesse processo, o gestor competente consegue perceber com antecedência sinais de recessão, enquanto muitos outros simplesmente esperam que a crise não os atinja.

Tomar pequenas medidas restritivas ou neutralizadoras tampouco resolve o problema. Aqueles que tomam decisões acertadas, normalmente fora de sua zona de conforto, em tempo hábil, normalmente superam bem qualquer que seja a crise. E como tudo isso é verdade para o mercado em geral, vale também para os empreendimentos de saúde.

Neste artigo vamos discutir alguns efeitos da crise econômica sobre as organizações de saúde no Brasil e apontar possíveis alternativas para auxiliar os gestores.

Preparado? Então acompanhe:

Como a crise econômica impacta o rendimento?

De modo geral, uma crise econômica gera, em efeito cascata, a diminuição de gastos em diferentes setores, chegando à saúde por diversas vertentes:

  • Fornecedores que repassam os aumentos de seus serviços;
  • Pacientes que cancelam procedimentos ou reduzem seus planos;
  • Governos que retiram subsídios e reajustam impostos.

Uma demonstração de como a crise afeta a saúde está em uma publicação do Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS). Em maio de 2015, o instituto divulgou um estudo feito em 8 regiões metropolitanas, revelando que 41% dos adultos possuem planos de saúde e que, desses beneficiários, 3 a cada 10 só possuem tal plano porque a empresa em que trabalham oferece o benefício.

No entanto, no primeiro trimestre do mesmo ano, o índice de desemprego subiu, chegando a 7,9%, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). E o pior é que pode ultrapassar os 10% em 2016, segundo estimativas da Pesquisa Mensal de Emprego (PME).

Com as demissões, mais pessoas devem procurar atendimento no Sistema Único de Saúde (SUS), fazendo com que as despesas do governo aumentem e as receitas da iniciativa privada diminuam, consequências esperadas em uma crise econômica. Somando-se a tudo isso a já conturbada conta pública dos últimos anos, o aumento de impostos dificulta quaisquer tentativas de driblar a recessão. Desse modo, fecha-se um ciclo em que causas e consequências se confundem, resultando em menor renda e redução de gastos familiares, aumento do desemprego, corte de gastos também de empresas e aumento de valores repassados direta ou indiretamente a consumidores.

Porém, a crise não chega apenas para os usuários. Em 2015, os reajustes de energia elétrica e de combustíveis deixaram evidentes o aumento dos preços, elevando muito as contas das organizações.

Além disso, muitos serviços de saúde são ofertados por multinacionais que reajustam seus preços devido à variação cambial.Em alta, essa variação elevou o dólar a valores superiores a quatro reais, representando cerca de 100% de aumento em menos de três anos, considerando os valores de, em média, dois reais no primeiro trimestre de 2013.

Todo esse conjunto explica como a crise econômica é responsável pela queda de rendimento, obrigando os gestores a buscarem por soluções fora de sua zona de conforto. O desafio se desdobra devido à necessidade de conquistar novos pacientes e, ao mesmo tempo, de manter os atuais, sempre prezando pela qualidade do serviço e da gestão.

É preciso cortar investimentos para reagir?

Na verdade, em um cenário de crise econômica, cortar investimentos tende a piorar a situação. Interromper cursos de capacitação de pessoal ou diminuir recursos humanos, por exemplo, agrava os problemas já existentes, levando à demora no atendimento, à redução da satisfação do paciente, ao desgaste e à sensação de instabilidade entre o pessoal, dentre outros efeitos. Nesse sentido, o mais interessante é otimizar os investimentos previstos ou mesmo realocá-los.

Essa medida é importante devido ao caráter revelador que a crise apresenta para as organizações. Em períodos de recessão, antigos nós da prestação dos serviços podem se tornar gargalos no atendimento, evidenciando a deficiência do processo e fornecendo oportunidades de agir para o gestor vigilante, que diagnosticou o problema com antecedência.

Para otimizar os investimentos, deve-se ter ciência das situações financeira e operacional do negócio. Apesar de parecer óbvio, muitos gestores não percebem que suas decisões devem ser tomadas com base em índices medidos metodologicamente pelo mercado ou até por sua equipe, abandonando de vez qualquer tipo de intuição.

Dessa forma, torna-se essencial identificar os pontos críticos dos processos, acabando com quaisquer possíveis gargalos e investindo tanto na qualificação da mão de obra como na melhoria da gestão local, a fim de agir com eficiência sobre as dificuldades que a organização apresenta.

Acompanhar sistematicamente o consumo de recursos e a produtividade, monitorar receitas e despesas e averiguar os processos de forma ativa dentro da organização são poderosas armas que devem estar no trabalho cotidiano do corpo gestor. Portanto, ao analisar adequadamente os dados oriundos dos serviços oferecidos na ponta, gera-se a oportunidade de redirecionar recursos, ampliando serviços que apresentem maior demanda e reestruturando processos que não estão colaborando com missão, valores e objetivos da organização.

Como otimizar gestão e serviços na prática?

Entendidos, então, os maiores problemas enfrentados pelos empreendimentos de saúde em consequência da crise econômica, é hora de preparar a organização para passar pela recessão sem maiores danos. Uma maneira de fazer isso é otimizar a gestão, os serviços oferecidos e a interação entre os setores, reduzindo tempo de espera, simplificando processos e aumentando a satisfação dos colaboradores e dos pacientes. Para levantar as melhores oportunidades, vale lembrar que os efeitos da crise serão inversamente proporcionais à capacidade de atuação frente aos desafios, de modo lógico e coerente, sem deixar de ser criativo.

Uma maneira inteligente e acessível, que apresenta benefícios tanto para os profissionais da área técnica quanto para os da área administrativa, é a implantação de sistemas estratégicos que representam melhoria da capacidade resolutiva das organizações. Pensando nisso, os sistemas tornam a gestão mais dinâmica e oferecem à instituição:

  • Análise de gargalos no fluxo, como na recepção, na classificação, no atendimento médico, na coleta de amostras e nos resultados de exames;
  • Levantamento de indicadores assistenciais, financeiros e administrativos para acompanhamento e controle de resultados;
  • Simplificação de armazenamento de dados, facilitação do cotidiano dos profissionais e possibilidade de análise estatística das informações clínicas, por meio do Prontuário Eletrônico do Paciente;
  • Monitoramento de ocorrências sentinelas, com antecipação a prováveis eventos adversos, agindo com prevenção.

Por fim, diante da crise econômica, é preciso ser capaz de visualizar o panorama em que sua organização está inserida e conhecer suas peculiaridades, que deverão ser o ponto de partida para as ações. Nesse momento, novas soluções se tornam ainda mais atraentes, como a adoção de sistemas que tornarão seus serviços e sua gestão mais eficientes.

Fonte: MV-Sistemas – 17.02.2016

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