Gestão

A dignidade do Médico

Por Roberta Massa B. Pereira | 26.02.2016 | Sem comentários

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Nestes 30 anos de medicina seja como médico ou como gestor de polos clínicos tive e tenho até hoje a oportunidade de conhecer médicos que me fazem querer continuar contribuindo para a melhoria da saúde da nossa população.

É fato que a batalha da profissionalização para estes médicos que não abrem mão de ampliar seus conhecimentos e, com isso, poder ser mais útil ao seu paciente é extremamente árdua.

O médico leva mais de 6 anos para se formar e o custo da faculdade é imenso, sem contar o volume de horas/aula dispendidas.

Depois ele dedica mais tempo e dinheiro para fazer sua residência médica, além de mais três ou quatro anos exaustivos de plantões de 24 horas duas vezes por semana.

E, mesmo depois deste enorme esforço para se graduar e pós-graduar, o médico se depara com um valor de consulta oferecido pelo SUS de 10 reais, e pago pelos planos e seguradoras de saúde, um valor médio de 50 reais.

Para fazermos uma breve comparação, hoje, o ticket médio de um técnico de eletrodomésticos é de 400 reais, e quando falamos para um paciente que uma consulta custa 100/150 reais, o paciente acha caro, o convênio acha caro, o governo acha caro.

Eu acho que falta dignidade no sistema de avaliação, na maneira como a sociedade como um todo está valorizando a saúde. Realmente precisamos rever alguns conceitos.

Em compensação, no meu ponto de vista, a dignidade é o maior valor que um médico possui. Precisamos valorizar essa vontade que muitos têm de se tornar, a cada dia, um médico mais completo, mais resolutivo e humanizado.

Este é o caminho, e não importar milhares de médicos cubanos por 10 mil reais ao mês, que já chegam aqui sem obrigação alguma de estudar, sem incentivo nenhum para se especializar.

A população brasileira não precisa de médicos generalistas, que não entendem a importância de cultivar um relacionamento de confiança e examinar os pacientes por inteiro e minuciosamente.

Para mim, os médicos devem não apenas chamar o paciente na porta, pelo nome, examiná-lo sem pressa mas, indispensavelmente, perguntar para além do atendimento, como estão as demais coisas da própria vida e das outras pessoas da família.

É assim que se cria laços com uma comunidade, é assim que se cria compromissos com uma nação.

São estes profissionais dedicados, que não esmorecem mesmo diante da difícil realidade do país, que vão conseguir elevar a qualidade da medicina e a qualidade de vida de todos nós.

Por: Adiel Fares – CEO Clínica Fares

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