Tecnologia

Prefeituras aderem a tecnologias como aplicativos e SMS no combate ao Aedes

Por Roberta Massa B. Pereira | 04.03.2016 | Sem comentários

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Mais de 30 cidades em todo o Brasil lançaram iniciativas tecnológicas para combater o mosquito Aedes Aegypti.

Com 2.900 casos de dengue, 1.700 de chikunguya e 300 de zika registrados, a Prefeitura de Palmeira dos Índios (AL) começou a utilizar, há duas semanas, o aplicativo Xô Aedes e contratou ferramenta desenvolvida pela startup Tá.Na.Hora para combater a epidemia usando SMS.

Estreou no município no início deste mês o serviço SMS Dengue que permite a troca de comunicação com a população por mensagem de texto.

“Tivemos o pico da epidemia em novembro de 2015. Foi nesse período que buscamos soluções alternativas porque até então só usávamos estratégias tradicionais, que é o larvicida e o ‘fumacê'”, afirma Glifson Magalhães, secretário de Saúde de Palmeira dos Índios.

Por meio de mensagens de texto, dois mil habitantes participam da fase piloto e já recebem informações e dicas úteis gratuitamente, em seus celulares, sobre como eliminar focos do mosquito.

Os moradores conectados também podem entrar em contato via SMS para reportar sintomas e denunciar possíveis criadouros diretamente para a secretaria. Já quem usa o Xô Aedes, disponível para Android, também denuncia focos e recebe dicas.

“A juventude passa boa parte de seu dia conectada no celular. Essas tecnologias são uma estratégia nova de comunicação para entrar nessa carga horária que os jovens dispensam no dia a dia [no aparelho]”, diz Magalhães.

“A linguagem [utilizada na mensagem de texto] é ultrainformal. O dado científico está na internet, mas você não tem aquela informação amiga, pessoal que dá importância”, explica o empreendedor social Juliano Froehner, cofundador da Tá.Na.Hora.

A startup desenvolveu a tecnologia ao observar que apesar do grande número de celulares no país, nem todos possuem acesso à internet.

“O aplicativo tem uma alta barreira de entrada. Muita gente não tem internet no celular e, quem tem, às vezes enfrenta dificuldade em baixar e usar o programa”, afirma Froehner, para reforçar as vantagens do SMS.

APLICATIVOS

Ainda que não seja tão acessível quanto as mensagens de texto, aplicativos de combate também vêm sendo utilizados por prefeituras. São Paulo foi uma das cidades a aderir ao Sem Dengue desde seu lançamento, em 13 de janeiro.

A cidade registrou 827 casos confirmados de dengue no primeiro mês de 2016. Já os casos notificados, foram 5.877 ante 2.406 no mesmo período de 2015.

A capital paulista tem cadastrados 967 usuários e 1.500 denúncias. Em nota, a Secretaria Municipal de Saúde afirmou que o aplicativo não é um canal de solicitação de atendimento, mas sim uma “ferramenta colaborativa de exercício da cidadania”.

“O objetivo é colaborar com o mapeamento das ações de dengue na cidade e incluir a proatividade do cidadão no combate ao mosquito. Quando o usuário faz uma notificação, ela é enviada para os técnicos da Supervisão de Saúde da região que incluem esses dados no planejamento já existente”, informou a secretaria.

Outras 34 prefeituras aderiram ao aplicativo Sem Dengue, desenvolvido por Paulo Pandolfi, cofundador da Colab, rede social brasileira que permite fiscalizar os problemas das cidades.

O programa reúne 25 mil usuários e 3.500 possíveis focos denunciados. O motivo da rápida adesão, segundo Pandolfi, é o relacionamento que a empresa já mantém com mais de cem municípios.

O uso do Sem Dengue é gratuito para as prefeituras. “Ele não é apenas mais um aplicativo para fiscalizar. É uma ferramenta interna para auxiliar na gestão e um importante canal para chamar os cidadãos para a luta”, afirma Pandolfi, que desenvolveu mais ferramentas, acessadas em pacote premium, a pagamento.

Disponível para os sistemas Android e iOS, o aplicativo precisa de conexão com a internet para que possíveis criadouros sejam denunciados. O usuário tem acesso informando seu nome completo e e-mail.

Fonte: Folha de São Paulo-04.03.2016

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