Qualidade

Transporte médico: setor carece de mais qualidade e segurança

Por Roberta Massa B. Pereira | 21.03.2016 | Sem comentários

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“Os padrões internacionais para serviços de transportes médicos ainda são pouco conhecidos no Brasil. Entretanto, a necessidade de melhoria na qualidade e segurança nesse tipo de serviço tem se mostrado cada vez mais relevante”. A frase é da enfermeira Nancy Yamauchi, autora de diversas publicações na área de saúde e coordenadora de Educação do Consórcio Brasileiro de Acreditação (CBA), associado da maior agência avaliadora da qualidade e segurança em saúde do mundo, a Joint Commission International (JCI). Segundo ela, uma das maiores contribuições que os padrões de qualidade trazem é a uniformidade na qualidade assistencial, principalmente quando integrado a serviços hospitalares, ambulatoriais, de atendimento domiciliar, de cuidados prolongados, entre outros.

“Padrões contribuem para processos e sistemas mais seguros, consistentes e robustos”, assegura a especialista, defendendo o conceito de acreditação para serviços de transporte, o que pode minimizar incidentes como os já noticiados pela mídia: a queda do paciente durante uma transferência externa e acidentes de trânsito, que podem até levar a perda de uma vida. “O transporte do paciente é uma etapa extremamente importante para o processo global do cuidado. A qualidade assistencial e a segurança do paciente e da família devem ser demonstradas continuamente”, enfatiza.

O médico Rafael Vinhal da Costa, instrutor em Política Nacional de Urgências, Regulação Médica e Transferências Interhospitalares do Núcleo de Ensino em Urgência do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) do Distrito Federal, diz que apesar do serviço ser de referência, já que sempre desenvolveu projetos inovadores no país, como o das bikelâncias (atendimento feito por ciclistas que permite rápido acesso em situações de emergência em locais de maior concentração de pessoas e difícil acesso por ambulância) e do núcleo de saúde mental, o SAMU/DF integra o Programa de Educação para Melhoria da Segurança e da Qualidade do CBA.

Através dele e com a conquista da acreditação, “o SAMU passará a controlar os riscos de infecção; poderemos monitorar melhor nossos indicadores de saúde e saber se estamos evoluindo nos processos de trabalho. E haverá maior transparência para o usuário do sistema, que terá seus direitos e deveres bem estabelecidos”.

Nancy Yamauchi conta que, para manter padrões de excelência, a JCI regularmente revê seus padrões internacionais de segurança e atualiza seus manuais da qualidade, o que aconteceu no ano passado com o Manual de Padrões de Acreditação para Instituições de Transporte Médico. “Além de algumas readequações de nomenclaturas, houve a adição do capítulo das Metas Internacionais de Segurança do Paciente (IPSG), que apresenta uma meta específica para instituições de transporte médico, o padrão IPSG.7, que contempla a redução de riscos de acidentes relacionadas a veículos e lesões decorrentes”, fragilidades causadas por equipamentos mal conservados, falta de preparo para enfrentar condições adversas como más condições climáticas, fadiga do condutor do veículo, entre outros.

O intuito, segundo a especialista, é proteger não só os pacientes, mas também a equipe profissional envolvida no transporte.

A coordenadora de Educação do CBA avalia que o Brasil ainda precisa evoluir bastante na qualidade e segurança de seus serviços de transporte: “Os gestores e líderes responsáveis precisam alinhar esforços para implantar sistemas que minimizem os riscos específicos  da área, mapeando os principais processos críticos para a segurança do paciente, do familiar e equipe profissional. Dar condições adequadas de trabalho e capacitação aos profissionais envolvidos e, fazer a gestão adequada de equipamentos, veículos, sistemas de comunicação e infraestrutura são pontos fundamentais. É preciso ainda, monitorar os resultados e estimular a melhoria contínua, além de envolver o paciente e família no processo”.

No Brasil, apenas o serviço de transporte da Amil tem sua qualificação atestada pela JCI. Outro que está em processo para melhoria de qualidade com vistas à acreditação JCI é o SAMU-DF. “Vemos que o Programa de Melhoria da Segurança e da Qualidade é de interesse público. Urge que os gestores se sensibilizem e apoiem os padrões de segurança e qualidade”, sublinha o médico Rafael Vinhal da Costa.

Fonte: SB-Comunicação – 21.03.2016

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