Opinião

Desafios e oportunidades de melhoria no sistema de saúde

Por Roberta Massa B. Pereira | 04.05.2016 | Sem comentários

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O grande desafio de continuar financiando os sistemas de saúde.

O Sistema de Saúde é permeado por uma lógica econômica perversa, onde os atores possuem interesses conflitantes – enquanto os prestadores são estimulados pela lógica da produção de serviços, as operadores lutam de todas as formas para regular e controlar a produção.

O modelo vigente é médico-hegemônico e centrado na produção de procedimentos, a assistência é recortada e, apesar de toda a necessidade de investimentos na promoção e prevenção, podemos dizer que, praticamente, não existe nenhum estimulo às práticas de promoção de saúde e prevenção de doenças.

Da forma atual, o sistema consome tecnologias de forma acrítica e, nem mesmo as reguladoras  Agência Nacional Vigilância Sanitária (Anvisa) e a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), desestimulam tal prática.

Para reforçar o que estou escrevendo, desde que a ANS estabeleceu o primeiro “Rol” mínimo de procedimentos em 1998, até os dias atuais, a agência não retirou nenhum dos procedimentos que foram incluídos, mesmo aqueles que já caíram em desuso.

O sistema somente atende às demandas espontâneas dos usuários. Não há proatividade por parte das operadoras, tampouco do SUS. Os sistemas são reativos às demandas dos usuários, muito pouca ação de prevenção e de promoção de saúde, ou seja, ações prospectivas.

O sistema é aberto, o usuário procura assistência médica sem orientação e supostamente com a livre escolha de médico e hospital. O maior interesse, por parte dos prestadores de serviços, está no tratamento das doenças agudas ou da exacerbação da doença crônica.

O sistema está centrado no Hospital, na cura e na prorrogação da vida, não necessariamente na qualidade de vida e, por conta destas falhas, o paciente e a doença são institucionalizadas, fazendo com que os custos aumentem e seja transferida a responsabilidade do tratamento para o médico e para a instituição, isentando o paciente e os familiares da responsabilidade pelo controle da doença.

Além dos aspectos acima, ainda tem a questão social, para os familiares manterem os doentes em casa, isso representa que a família terá custo com o tratamento – é junção da “fome com a vontade de comer”!

A inovação pode ser a saída para continuar viabilizando o acesso das pessoas aos recursos dos sistemas de saúde. Contudo, para que isso ocorra, torna-se necessário que todos os atores entendam a complexidade do “continuum” de cuidados.

A inovação é considerada como forte ferramenta alavancadora no Sistema de Saúde. As maiores inovações no Sistema, advêm das inovações digitais.

A filosofia do cuidado integral

Podemos aproveitar as tecnologias digitais para produzir a integração na gestão assistencial, sobretudo para auxiliar na busca da eficiência, redução dos custos, melhoria da comunicação e, sobretudo, na melhoria da qualidade assistencial.

Diferente do modelo atual, o Sistema Integrado valoriza:

  • A proatividade – a atenção é direcionada a todas as vidas cadastradas no plano. Até mesmo as pessoas que ainda não são grandes gastadoras são vistas pelo plano.
  • A detecção precoce e o manuseio das doenças crônicas.
  • A integração no acompanhamento do indivíduo à família, comunidade e local de trabalho.
  • O atendimento ambulatorial – sempre que é possível o paciente retorna para sua casa o mais rápido possível.
  • A qualidade de vida.
  • As novas tecnologias somente são incorporadas, quando a relação custo-efetividade é comprovada.
  • A avaliação sistemática dos seus resultados.

Segundo o Prof. Eugênio Mendes, o sistema integrado pode ser definido como a constituição de uma rede integrada de pontos de atenção à saúde que permite prestar uma assistência contínua a determinada população no tempo certo, no lugar certo, com o custo certo e com a qualidade certa.

Para implementar um modelo de gestão do cuidado integral, torna-se necessário dar os seguintes passos:

  • Conhecer o perfil de risco da população – as características epidemiológicas;
  • Definir a relação custo versus benefícios das possíveis ações de controle;
  • Implementar as soluções e acompanhar os resultados.

Esses são apenas alguns passos para que o sistema de saúde torne-se mais efetivo, menos burocrático e com menores custo, nunca é tarde para darmos o primeiro passo.

Autor: Prof. Elias Abreu-Especialista em Inteligência Aplicada na Gestão de Sistemas de Saúde – 04.05.2016

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