Inovação

Saúde também entra na era da digitalização total

Por Roberta Massa B. Pereira | 13.05.2016 | Sem comentários

Depois da indústria 4.0 a gigante alemã Siemens traz ao Brasil agora a saúde 4.0. A ideia é a mesma, a digitalização completa de todo o processo de diagnósticos.

Assim como nas fábricas, uma central controla toda a produção, um hub centraliza todos os comandos da área de diagnósticos em laboratórios, clínicas e hospitais.

Isso graças a uma plataforma que permite não só controle da performance dos equipamentos, inclusive a distância, como também garante a melhor forma de atendimento aos pacientes.

Segundo o chefe da área de healthcare da Siemens no Brasil, Armando Lopes, com a consolidação de redes de hospitais e de laboratórios no Brasil, foi possível o compartilhamento da estrutura e até do conhecimento entre equipes de vários locais.

A plataforma Teamplay monitora os equipamentos como raio X e ressonância, dando um mapa de produtividade e até da administração das doses de radiação ao paciente, gerando relatórios. Com isso, cria-se uma grande rede de aparelhos completamente conectada e gerenciada por uma central única.

“É como uma ‘Sala de Comando’ a distância, que pode ter até mesmo reunir um pool de especialistas para pilotar as máquinas de qualquer lugar na hora do exame e fechar o diagnóstico”, explica Lopes.

A solução, desenvolvida no Brasil, um país de dimensões continentais que exige controles a distância, começa a ser replicada em escala global, segundo o executivo. “Os times de pesquisa e desenvolvimento da empresa trabalham juntos no Brasil, Alemanha e Estados Unidos”, explica.

Além do Teamplay, ainda foi desenvolvido um portal em português, totalmente interativo, que permite aos clientes gerenciarem a manutenção do seu sistema.

Com apenas um clique, é possível abrir o LifeNet 2.0 e acompanhar chamados, consultar atividades programadas, verificar treinamentos agendados, acessar dados de contrato e outras funcionalidades.

Investimentos pesados

Para chegar a soluções como essa, a Siemens investe todos os anos cerca de 1 bilhão de euros em Pesquisa e Desenvolvimento só na área de Healthcare em todo o mundo, segundo Lopes.

Tudo isso de olho num mercado, que, de acordo com o estudo Saúde 4.0 da Aliança Brasileira da Indústria Inovadora em Saúde (ABIIS), movimentou US$ 10,6 bilhões, em 2013, considerando o consumo aparente.

Como os gastos totais com saúde no País, incluindo a saúde pública e a privada, a cifra chega a US$ 291,3 bilhões no mesmo ano.

De acordo com Lopes, assim como o resto do mundo, o Brasil já começa a conviver com os efeitos do envelhecimento da população e isso vem pressionando muito os custos não só da previdência como dos sistemas de saúde.

“Há 40 anos a expectativa de vida do brasileiro era de 40 anos. Hoje dobrou, chegando a 80 anos, o que exige mais cuidado”, explica o chefe da área de saúde da Siemens. Ao durar mais, a população também passa a desenvolver também mais doenças degenerativas como as cardíacas e oncológicas. “No Brasil, pelas condições até da economia, há uma enorme pressão para redução de custos e otimização dos recursos”, afirma.

Com a quinta maior população mundial, o Brasil enfrenta o desafio de prover o acesso à saúde às populações mais carentes. “Para isso, é fundamental usar melhor os recursos disponíveis e a tecnologia tem um papel fundamental nisso”, acrescenta o representante da indústria alemã responsável por 30% dos diagnósticos digitais por imagem realizados no Brasil e que tem rivais de peso como a norte-americana GE e a holandesa Philips.

A prevenção das doenças aliada ao diagnóstico precoce também é essencial para que a cadeia de saúde consiga reduzir o custo do tratamento, tomando ações mais rápidas e direcionadas e melhorando, assim, a qualidade de vida dos pacientes. “Com isso, pode-se eliminar desperdícios e permitir o retorno da pessoa ao trabalho e à vida produtiva economicamente falando”, afirma o executivo.

Novidades

A Siemens apresentou durante a Jornada Paulista de Radiologia (JPR), em abril, uma nova família de equipamentos de ultrassonografia. A linha Acuson Helx Evolution foi criada após uma pesquisa realizada com mais de 300 profissionais de saúde em todo o mundo para entender as principais necessidades em relação a um sistema desses. Desse levantamento, a linha foi eleita como o mais fácil de operar, além de apresentar o menor tempo na curva de aprendizagem, resultando em maior agilidade e precisão de exames. Há ainda a linha de aparelhos portáteis, cujo destaque é o Acuson P500, uma solução com interface intuitiva e ágil, que se adapta facilmente às principais rotinas clínicas, inclusive em emergências.

Na área de saúde da mulher, a companhia apresentou o mamógrafo digital Mammomat Inspiration PRIME, com tecnologia que facilita o exame, produzindo imagens de melhor qualidade e possibilita biópsias mamárias guiadas e precisas na região.

Fonte: Abimed-13.05.2016

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