Gestão

Disputa entre cooperados e diretoria da Unimed-Rio não afetará beneficiários

Por Roberta Massa B. Pereira | 28.06.2016 | Sem comentários

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RIO – A suspensão pelo desembargador Fernando Chagas, da 11ª Câmara Cível do Rio de Janeiro, da liminar que cancelava a Assembleia Geral Extraordinária (AGE) para votação do afastamento da diretoria da Unimed-Rio, marcada para quarta-feira, conforme adiantado na coluna do Lauro Jardim, está longe de colocar um ponto final ao imbróglio entre os executivos da empresa e parte dos cooperadoras.

No entanto, seja qual for o desfecho, o atendimento aos beneficiários não deverá ser afetado.

A cooperativa informa não comentar ações judiciais em andamento, mas informa que cabe recurso à decisão.

Em seu despacho, o desembargador entendeu que não há motivo razoável que autorize o Poder Judiciário a impedir que os cooperados se reúnam para deliberar sobre assuntos comuns e de interesse exclusivamente deles.

A Unimed-Rio destacou, em comunicado, enviado à “Defesa do Consumidor” que “dentro do contexto político, atualmente a cooperativa conta com alguns grupos de médicos com pensamentos distintos em relação à gestão da empresa. Todos os trâmites relacionados a esta esfera são internos e não trazem qualquer tipo de impacto para a operação da cooperativa e para o atendimento a clientes.”

O grupo de oposição à atual gestão, ratifica que, caso a assembleia ocorra e seja aprovada a destituição da diretoria, o consumidor em nada será afetado. Segundo fontes, no entanto, a destituição da diretoria, eleita para um mandato de quatro anos, de 2014 a 2018, não será tão simples, pois existem trâmites do estatuto e do regimento que devem ser respeitados e a convocação não seguiria esses preceitos.

A cooperativa carioca, alias, tem um novo superintendente geral. Mario Salomão, então superintendente das áreas administrativa e de gestão hospitalar, assumiu ontem a cadeira de Alfredo Cardoso que acaba de deixar a empresa, como informou a coluna Ancelmo Gois. Cardoso capitaneava o processo de reestruturação da empresa, há mais de um ano sob Direção Fiscal da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS).

Em abril, a cooperativa entregou seu Programa de Saneamento à ANS. A Unimed Rio explica que o “documento prevê ações para os próximos 36 meses com o objetivo de recolocar todos os indicadores da cooperativa dentro dos patamares preconizados pelo órgão regulador.”

Uma das queixas da oposição é o fato de que, há duas semanas, em reunião ordinária na sede da Unimed Rio, convocada pelo Conselho Fiscal 2016, o presidente Celso Barros e o superintendente doutor Alfredo Cardoso não compareceram: a pauta era, justamente, a apresentação do plano de recuperação entregue à ANS.

Desde o ano passado, a cooperativa informa que vem adotando medidas para melhorar seus indicadores. Segundo a Unimed Rio, em 2015, o resultado operacional foi de R$ 353 milhões, o faturamento de R$ 5 bilhões e o índice de sinistralidade de 79,4%, abaixo do patamar de 80% considerado como padrão pelo mercado.

Os números, no entanto, são contestados pelo grupo de oposição, que alega ainda falta de transparência com ações administrativas importantes, como a compra da Golden Cross, que não teria sido submetida à assembleia, e divergência na prestação de conta.

Caso a assembleia ocorra e fique decidida a mudança da atual gestão, serão convocadas eleições para o Conselho de Administração e Conselhos Técnicos em 30 dias.

Com uma carteira de cerca de um milhão de beneficiários, 5.500 médicos e 403 recursos credenciados, dentre hospitais, clínicas e laboratórios, a Unimed-Rio reforça que a questão política não afetará o atendimento, e lembra que já realizou mais de 17 milhões de procedimentos este ano.

A cooperativa destaca ainda que reduziu em 70% o total de demandas encaminhadas pelos consumidores à ANS do último trimestre do ano passado para maio deste ano.

Fonte: O Globo – 28.06.2016.

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