Saúde

Pacientes do SUS aguardam cirurgia em hospital particular de Uberlândia

Por Roberta Massa B. Pereira | 11.07.2016 | Sem comentários

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Cerca de uma semana após relatos de familiares sobre pacientes que estavam aguardando cirurgia no Hospital Santa Catarina, em Uberlândia, alguns deles fizeram os procedimentos, mas a maioria continua na mesma situação. São pessoas que foram encaminhadas pelo Município via regulação do Sistema Único de Saúde (SUS).

Procedimentos que envolvem o uso dos centros cirúrgicos e dos anestesistas não estão sendo feitos e, ainda, nesta quinta-feira (7) funcionários paralisaram e alegam não ter recebido nem a segunda parcela do 13º que deveria ter sido paga em dezembro.

A produção do MGTV procurou a direção do hospital que não retornou nossas ligações. A Prefeitura informou que todos os pacientes internados no Hospital Santa Catarina estão sendo regulados segundo critérios clínicos.

Na última segunda-feira (5), cinco dos 25 pacientes cardíacos que estavam internados foram transferidos para outro hospital particular da cidade e passaram pelo exame de cateterismo. As transferências foram solicitadas pelo próprio hospital, que enfrenta falta de anestesistas. A Secretaria Municipal de Saúde quem está realizando as transferências.

Depois do exame, os pacientes que precisam de cirurgias cardíacas retornarão ao hospital para aguardar pelo procedimento cirúrgico. Os demais recebem alta médica. Até o momento, houve um caso cirúrgico. A expectativa é que as cirurgias ocorram no Hospital de Clínicas da Universidade Federal de Uberlândia (HC-UFU), que de acordo com o reitor da UFU, Elmiro Resende, está retomando as atividades.

A Secretaria Municipal de Saúde informou que as transferências e os exames não têm custo extra e o processo de transferência está em andamento de acordo com a chegada de novos parceiros na rede privada, que a secretaria está tentando alcançar para receber essa demanda de pacientes. Acrescentou ainda que médicos supervisores da Secretaria estão fazendo acompanhamento dos pacientes.

De acordo com o diretor do hospital, Rômulo Bernardes, não há um prazo definido para a retomada dos procedimentos que envolvam o uso dos centros cirúrgicos e dos anestesistas. O hospital pediu a ajuda do Ministério Público Estadual (MPE) para intermediar os diálogos com o grupo e espera que com a intervenção, haja a retomada dos atendimentos.

A cooperativa em que trabalham os anestesistas do hospital Santa Catarina não se pronunciou sobre o caso e informou desconhecer o impasse entre a categoria e a unidade.

Situação do hospital
Atualmente, o hospital passa por problemas financeiros que impactam diretamente nos atendimentos. Um deles envolve o descredenciamento do Instituto de Previdência dos Servidores do Estado de Minas Gerais (Ipsemg), em maio deste ano, e os atrasos nos repasses da Prefeitura de Uberlândia.

O diretor do hospital, Rômulo Bernardes, disse que há também atrasos constantes nos repasses feitos pelo município que levam, em média, 90 dias para serem pagos, porém o hospital tem feito cortes para fazer adequações à realidade financeira.

A assessoria da Secretaria Municipal de Saúde informou por meio de nota que o hospital deve cumprir com suas obrigações para a realização dos procedimentos e que o pagamento é feito pelo município, conforme auditoria nas contas apresentadas pela unidade. “A secretaria informa que cobra do hospital a realização dos procedimentos e pode tomar medidas administrativas para garantir o atendimento aos pacientes”, informa a nota.

Sobrecarga de atendimentos
Após o fechamento do Hospital de Clínicas da Universidade Federal de Uberlândia (HC-UFU) para novos atendimentos e a suspensão de todos os procedimentos eletivos de consultas pré-operatórias e exames de média e alta complexidade do Hospital e Maternidade Municipal Dr. Odelmo Leão Carneiro, em Uberlândia a Associação de Hospitais de Uberlândia (AHU) e a Sociedade Médica informaram que a rede de saúde privada na cidade está sobrecarregada.

De acordo com um informe divulgado pelo Sindicato dos Médicos de Minas Gerais (Sinmed-MG), Sindicato dos Hospitais, Clínicas e Laboratórios de Uberlândia (Sindhosp) Sociedade Médica, Sociedade Médica e AHU as entidades estão preocupadas com a situação da saúde pública da cidade e que a rede privada está sobrecarregada com pacientes inclusive advindos da rede pública.

De acordo com o diretor de um hospital particular de Uberlândia, Luiz Alessandro de Moraes, todos os hospitais da cidade trabalham com cerca de 90% de ocupação de leitos. O médico reforça que a cidade tem um déficit de leitos, no total são aproximadamente 1.200 sendo 800 leitos públicos e 400 particulares.

“Nosso receio é que o HC-UFU continue a paralisação por muito tempo e os hospitais particulares não consigam atender a demanda dos hospitais públicos”, finalizou.

Fonte: G1-11.07.201611

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