Opinião

Fraude no HCFMUSP: o que a mídia não divulga

Por Roberta Massa B. Pereira | 20.07.2016 | Sem comentários

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Nos últimos dias o assunto de maior destaque na área da saúde, que vem sendo compartilhado nos principais meios de comunicação, é a fraude na compra de marcapassos cerebrais para o tratamento de pacientes com mal de Parkinson no Hospital das Clinicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo.

Temos plena convicção de que a Administração/Superintendência de uma instituição é a responsável pelo sucesso ou fracasso da gestão de cada instituição, e que a mesma deve controlar e distribuir seus recursos da forma mais eficiente e eficaz possível.

Quando falamos em uma instituição de grande porte, com estrutura organizacional bem definida, recursos e infraestrutura disponível, isso ocorre até de forma natural.

Quando falamos sobre o HCFMUSP, o maior Complexo Hospitalar da América Latina, precisamos destacar que nos referimos a 5 Institutos no quadrilátero, 3 hospitais auxiliares, 2 hospitais de retaguarda, 1 de reabilitação profissional e alguns laboratórios de investigação médica, entre outros tantos serviços que poucos se dão conta do quanto é desafiador e complexo garantir o funcionamento, gestão e gerenciamento da instituição.

Poucos se dão conta de que mesmo existindo no Complexo  uma gestão corporativa/superintendência responsável pela instituição mediante a população, órgãos de regulação e secretaria de saúde, os institutos do complexo HCFMUSP caminham de forma independente, tendo seus diretores clínicos e executivos internos, e que os mesmos são responsáveis por garantir a execução dos serviços no seu Instituto conforme seu respectivo orçamento.

Um fator extremamente importante que impacta significativamente a gestão é a falta de integração nos sistemas de informação e os diferentes sistemas de informação utilizados para os mesmos tipos de processos.

Cada instituto utiliza seu próprio sistema de gestão que envolve os processos de compras, atendimentos, faturamento etc. A descentralização, que poderia ser algo positivo e que favoreceria a tomada de decisões rápidas se tornou um problema pois dificulta qualquer controle por tamanha complexidade.

Outros fatores também pesam na gestão e nos resultados finais de desempenho e podemos destacar a influência da faculdade na instituição, as nomeações de profissionais por questões meramente políticas ao invés de nomeações pela capacitação profissional.

A verdade é que existem diversas questões importantes que apenas quem conhece o sistema público de saúde, mais especificamente o Complexo do Hospital das Clinicas, que é uma autarquia de regime especial, sabe do que estou falando.

Fraude, exceção não é regra

O que mais me entristece é acompanhar o surgimento de notícias na mídia com o termo: “Fraude no HC” de forma tão banalizada e generalizada, como se todos os profissionais que trabalham por lá  exercessem sua profissão de forma ilegal e obscura.

Por um período bastante rico em minha carreira estive no HCFMUSP, e posso afirmar categoricamente que tanto na equipe assistencial, como nas equipes corporativas e de gestão, existem profissionais honestos, que se preocupam de verdade com os pacientes, que trabalharam diariamente e incansavelmente, com poucos recursos, fazendo com o mínimo o máximo para garantir  assistência mais humanizada a todos aqueles que necessitam do serviço público de saúde.

Não podemos fechar os olhos para a realidade, é inegável que o HCFMUSP tem muito o que evoluir dentro de sua gestão, mas é o momento adequado para destacar que nos últimos anos diversos projetos tomaram corpo para que seja possível acontecer prestação de serviço de maior qualidade, isso inclui a execução de projetos importantes de redução de custos, melhoria continua e otimização de processos, inclusive, alguns deles tive a oportunidade de acompanhar pessoalmente.

Depois desse mar de notícias e críticas precisamos ter o cuidado para separar o julgamento a toda instituição do que precisa ser feito a maus profissionais que infelizmente estão presentes em todas as empresas, dentro e fora da área de saúde. O valor entregue por milhares de profissionais que dedicam suas vidas e profissionalismo não pode ficar manchado pela atitude de meia dúzia de corruptos e imorais, que não merecem nada além da prisão e a perda do direito de exercer a sua profissão.

As pessoas no Brasil esperam que o país seja “tirado a limpo”, ninguém mais está disposto a ver todo o potencial da nação se esvair em tantos casos de corrupção, por isso, precisamos apoiar quem faz da sua profissão um legado ético de comprometimento e profissionalismo. Tenho certeza que a esmagadora maioria dos profissionais que trabalham no HCFMUSP trabalham dessa forma e nós precisamos deixar isso muito claro.

Por: Roberta Massa B. Pereira – Fundadora do GeHosp.

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