Opinião

Da tecnologia à empatia (por Claudio Lottenberg)

Por Roberta Massa B. Pereira | 17.08.2016 | Sem comentários

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O grande desafio da saúde neste momento é saber fazer uso adequado das modernas e poderosas ferramentas tecnológicas de maneira que elas resultem, efetivamente, em bens que agreguem valor ao ser humano.

Digo isto na medida em que o consumismo, a tecnologia da informação e a mídia, sistematicamente, sugerem novas alternativas que, a rigor, não implicam necessariamente em melhoria do sistema.

Num cenário onde os recursos são limitados por inúmeras razões, cabe ao médico, líder do processo da assistência, auxiliar ainda mais seu paciente, prevenindo, orientando e até mesmo educando, além de cuidar do tratamento propriamente dito.

A nova realidade é nova na fisionomia e, sobretudo, pela velocidade com que se impõe. Anualmente são publicados 700 mil artigos na literatura Biomédica, o que representa quase dois mil artigos por dia, e a cada nove anos este volume de informações duplica.

Para lidar com este cenário mantendo-se atualizado, o médico tem que se preparar e automatizar todos os processos e sistemas que podem ser automatizados, para que sobre  tempo adequado para atuar num espectro mais amplo, que não se restringe a olhar a doença do paciente, mas ter uma visão abrangente sobre tudo que impacta a saúde e o bem-estar do indivíduo.

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Trata-se de um elemento novo no desenvolvimento do líder do processo da assistência, que é o médico.

O aprimoramento das competências técnicas continua sendo fundamental, mas deixou de ser absoluto.

Hoje há necessidade de orientar este profissional para que tenha um entendimento do mundo atual e habilidades para situações de relacionamento humano em um universo de complexidade.

Isto pode e deve ser melhorado. Tanto que as plataformas mais modernas de qualidade passam pela análise dos pacientes que citam a sua experiência no cuidado como um indicador de qualidade. Em geral, é nesta experiência que se apresenta o contato humano.

A atividade médica é, por natureza, uma atividade de liderança. Fenômenos objetivos de diagnose, atividades que demandam conhecimento técnico para tratamentos são imprescindíveis, mas a prática demonstra que isto passa a acontecer efetivamente na medida em que se constrói confiança no profissional.

Confiança é fruto da crença e da fé, melhor compreendidas na relação religiosa, e muito tangível na relação médico-paciente.

E isto é tão verdadeiro que a empatia cria vínculos entre paciente e médico tendo como consequência uma adesão maior ao tratamento.

Quem sabe, é por isto que temos que repensar o contexto da formação médica tecnicista, tornando-a mais forte pela ação em atitudes de uma liderança fortemente vinculada a valores humanos sólidos e verdadeiros.

Fonte: *Claudio Lottenberg – Presidente da Sociedade Israelita Brasileira Albert Einstein-17.08.2016.

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