Gestão

Unimed-Rio aposta na venda de hospital e de sede para pagar dívidas

Por Roberta Massa B. Pereira | 01.11.2016 | Sem comentários

Um peso pesado do mercado financeiro assinou um contrato com a Unimed-Rio para viabilizar a venda de ativos e bens da operadora de saúde.

Com mais de 850 mil clientes, a cooperativa enfrenta uma grave crise financeira e dívidas que somam, segundo associados, R$ 1,8 bilhão.

De acordo com o plano de saúde, os ativos prioritários para a negociação são o Hospital Unimed-Rio e a sede administrativa, ambos na Barra da Tijuca.

O Santander foi escolhido porque atuou na recuperação da Unimed-ABC, em São Paulo.

Segundo fontes do setor, a operação é considerada um projeto-piloto, que terminou com a venda dos ativos da cooperativa paulista para a Notre Dame Intermédica.

No total, foram negociados um hospital, com 110 leitos, duas unidades pronto-atendimento e cinco centros clínicos, mas a operação envolveu, também, a alienação da carteira de clientes.

A Unimed-Rio, no entanto, rechaça a venda de sua carteira de clientes.

A negociação dos ativos da Unimed-Rio é muito mais complexa até pelo número de usuários.

Que é muito maior do que a do ABC, mas foi a primeira vez que se conseguiu fazer um negócio deste tipo — disse uma fonte do setor.

A Unimed-Rio informou que conseguiu reequilibrar o caixa mensal e normalizou o atendimento.

Em alguns casos, porém, usuários vêm recorrendo à Justiça para garantir tratamentos.

Foi assim que a estudante Janine Nunes, de 21 anos, conseguiu fazer um procedimento para tratar um câncer muscular.

Fiz quimioterapia por dois meses, mas a doença se agravou, comprometendo meu braço.

Mas o plano não cobriu e entramos com uma ação judicial.

Redução do mercado foi de 42%, em 15 anos

Para especialistas, a concentração é um dos principais problemas do mercado de planos de saúde no país.

De acordo co Associação Brasileira de Planos de Saúde (Abramge), cerca de 615 operadoras deixaram o mercado, uma redução de 42%, em 15 anos.

Os motivos, segundo o relatório, vão desde a impossibilidade de reunir reservas de capital até o cumprimento de parâmetros regulatórios.

Para as operadoras, por exemplo, os planos individuais não compensam mais, porque os reajustes dependem da ANS.

O que não acontece nos planos coletivos (oferecidos por empresas aos funcionários) — disse o advogado Rodrigo Araújo, especialista em Direito à Saúde.

A migração de clientes de um plano que acaba para outro também tem sido uma experiência traumática.

Normalmente, vem com alta da mensalidade e redução da rede credenciada — disse o advogado Júlio Moraes, do escritório Hoffmann e Moraes

Cooperados se mobilizam

Médicos cooperados promoveram um encontro, na Praia de Copacabana, no fim de semana.

Para mostrar que os profissionais estão empenhados no atendimento dos pacientes e querem a recuperação financeira da empresa.

A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) recomendou um aporte na ordem de R$ 500 milhões pelos médicos credenciados, mas, em assembleia, os cooperados não rejeitaram a proposta.

Tudo está sendo feito para um enxugamento da empresa. A verdade é que a grande maioria dos cooperados não tem condições de aportar mais recursos.

Já estávamos sendo descontados em 30% nas consultas. Cada médico teria uma dívida. No meu caso, pediram R$ 86 mil.

Quem tem este dinheiro para pagar à vista? Mas nós continuamos trabalhando e atendendo os pacientes — disse a médica Camen Sonia Carvalho, que organizou a mobilização.

Fonte: G1-01.11.2016.

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