Saúde

Doenças seculares resistem aos avanços da Medicina no País

Por Roberta Massa B. Pereira | 30.01.2017 | Sem comentários

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Doenças seculares: Falhas na vacinação, falta de saneamento, urbanismo e infecção animal ajudam a explicar retorno de surtos como o da febre amarela.

Data do século 19 o relato da primeira grande epidemia de febre amarela no Brasil.

A vacina apareceu um pouco mais tarde, mas já é produzida no País desde a década de 1930.

Séculos de história, pesquisa e combate à doença não foram capazes de impedir o recente surto, com 43 mortes e 101 casos confirmados.

Além de mais de 400 registros em investigação, até sexta-feira.

Assim como a febre amarela, outras doenças centenárias (ou até milenares), como dengue ou sarampo, seguem preocupando até hoje populações do mundo inteiro.

Mas com tantos avanços na Medicina, o que ainda impede que essas patologias estejam erradicadas ou sob controle?

A resposta não é simples. Inclui múltiplas razões e varia conforme o tipo de doença, segundo especialistas.

No caso da febre amarela e de outras doenças que infectam também animais, e não só humanos, a erradicação do vírus é praticamente impossível.

“O ciclo silvestre da doença nunca vai acabar porque ela é também uma zoonose. Os macacos são o principal repositório e, por isso, o vírus vai continuar em circulação na natureza.

Agora, o que não deveria acontecer é registrarmos casos em humanos.

Isso tem a ver com falhas na vacinação”, afirma Pedro Luiz Tauil, médico e professor da Faculdade de Medicina da Universidade de Brasília (UnB).

São essas falhas outra importante causa do ressurgimento de doenças consideradas controladas. “Crescem no mundo movimentos antivacina, alguns ligados a grupos religiosos.

Mas também temos problemas mais logísticos, como municípios brasileiros que não têm equipes de saúde móveis para promover a vacinação em áreas rurais”, diz o especialista.

O desaparecimento de surtos de algumas doenças também faz a população dar menos importância à vacinação, o que contribui para a ocorrência de novos surtos.

Nos últimos anos, isso tem ocorrido no Brasil com coqueluche, caxumba e sarampo.

Enquanto a cobertura vacinal registra leve queda, as mortes por coqueluche cresceram dez vezes entre 2010 e 2014.

Casos de caxumba tornaram-se frequentes em Estados como São Paulo e Rio e um surto de sarampo atingiu o Nordeste em 2014, após o País viver um período de 12 anos livre da transmissão interna do vírus.

“Apesar desses surtos, algumas dessas doenças têm condições de erradicação se a vacinação for adequada.

Já conseguimos erradicar a varíola no mundo e a poliomielite em quase todos os países”, afirma Renato Kfouri, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm).

Urbanização

Os especialistas destacam ainda que, para as doenças que ainda não têm vacina 100% eficaz, como a dengue, o crescimento das cidades e o adensamento populacional são razões para a dificuldade de contenção.

“Se não tem saneamento nem habitação adequada, o mosquito transmissor progride em altas densidades. Com a urbanização, hoje é impossível erradicar esses vetores.

Por isso as pesquisas atuais trabalham em outras frentes, como os mosquitos transgênicos ou infectados por uma bactéria que os impeçam de transmitir doenças”, diz Tauil.

Fonte: Estadão-29.01.2017.

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