Gestão

Como garantir mais transparência na área de gestão pública?

Por Roberta Massa B. Pereira | 30.01.2017 | Sem comentários

Não é de hoje que a transparência vem comprovando seu potencial transformador no universo da gestão.

Na esfera das empresas privadas já é pré-requisito para a continuidade no mercado, isso porque a ideia está relacionada ao processo de consolidação de valores corporativos e de princípios éticos, que culminam no que se chama de responsabilidade social.

No contexto das instituições públicas, gerir com transparência tem mostrado ser impactante para o alcance de melhores resultados.

Não dar prioridade a uma gestão pública com transparência pode tornar tudo mais complicado, principalmente em tempos de recessão econômica, podendo trazer sérias consequências à vida profissional do gestor, comprometendo até mesmo sua permanência no cargo.

Saiba como garantir mais transparência e veja a importância desse fator em meio à gestão pública.

O que é gerir com transparência?

Vivemos em um tempo marcado pelo amplo acesso à informação e os indivíduos têm cada vez mais consciência do poder que isso representa.

Nesse cenário, os valores que qualquer empresa reproduz ao exercer suas atividades são facilmente percebidos pela sociedade, portanto quanto mais positivos eles forem, maiores as chances de a instituição ter pela frente um longo caminho de atuação no mercado.

Trazendo para o âmbito da gestão pública, em especial o setor da saúde, administrar com transparência é uma ação que traz consigo grande capacidade de influenciar o desenvolvimento do entorno social, afetando significativamente a qualidade de vida dos cidadãos, na condição de usuários dos serviços assistenciais de saúde.

Gerir com transparência é, para além de outras possíveis definições, comprometer-se com a construção de uma sociedade melhor e mais justa para as gerações que se sucedem.

Contudo, significa também consolidar princípios éticos de modo a construir uma base que fundamente a missão social da instituição e que oriente a sua conduta.

Apesar de ser natural acreditarmos que a administração pública pressuponha as atividades mais transparentes possíveis, nem sempre é o que acontece.

Operar com transparência, no entanto, é o que pode garantir um estado democrático de direito e viabilizar a participação da sociedade na fiscalização das ações de seus representantes ao administrar as instituições públicas.

Por que é fundamental para os resultados do gestor?

Porque buscar novos modelos de gestão é a tábua de salvação para a saúde pública.

Uma gestão pública com transparência transforma o trabalho de toda uma equipe, tornando os objetivos mais claros para todos e permitindo que cada um seja capaz de reconhecer a importância do próprio trabalho e de suas responsabilidades quanto ao alcance dos resultados.

Ao adotar uma postura clara e apresentar a situação com transparência à sua equipe, relatando qual é o quadro, quais são os riscos, os problemas que enfrenta e as carências que possui, o gestor acaba por legitimar a importância do aprimoramento da estrutura.

Essa atitude inspira confiança e estimula o comprometimento dos profissionais envolvidos.

Trabalhar a partir de modelos fundamentados principalmente na transparência das ações é o que pode trazer mais eficiência no atendimento à demanda – que, aliás, só cresce, considerando o atual contexto econômico de crise e o progressivo envelhecimento da população brasileira.

Atuar com transparência é uma maneira de inibir atos obscuros da administração pública que possam ter se tornado há muito tempo corriqueiros.

A transparência fomenta a participação dos cidadãos, dando a eles a possibilidade de avaliar se princípios básicos como honestidade e imparcialidade estão presentes na gestão pública.

Como garantir mais transparência na gestão da saúde pública?

É preciso promover uma mudança efetiva de foco. Os objetivos da gestão devem ficar claros para todos os profissionais envolvidos e, em se tratando da saúde pública, esses objetivos vão inevitavelmente estar relacionados à necessidade de prover um serviço assistencial de saúde com qualidade para a população.

Alinhe as visões da equipe

Isso é possível se houver um planejamento estratégico para executar as ações. Com um planejamento bem elaborado e realista é mais fácil apresentar as metas para a equipe e envolver cada profissional, com suas respectivas funções, no alcance dos objetivos.

Desencadeie uma ação conjunta

Gerir pessoas implica ouvir o que elas têm a dizer. Isso demonstra que a capacidade intelectual do profissional está sendo valorizada. Em um artigo jornalístico que aborda a gestão transparente no âmbito das empresas privadas, publicado em março deste ano, já se fala nos modelos de gestão em que não existem cargos, em vez disso as pessoas têm funções.

Os modelos mais horizontais de relação profissional tendem a ser mais transparentes.

Alguns dos princípios desses novos modelos são perfeitamente aplicáveis às organizações públicas e viabilizam a mobilização da equipe em torno de um mesmo objetivo, destacando o papel de cada profissional dentro do processo.

Veja o usuário como um cliente

O melhor é perceber o usuário do serviço público de saúde como um cliente e não apenas como um cidadão pagador de impostos. Sabemos que o Estado tem por obrigação informar, portanto uma gestão com transparência significa, antes de tudo, respeitar o direito que os indivíduos têm de acesso à informação.

Quanto mais informações os usuários tiverem, maiores as possibilidades de que eles sejam mais participativos na construção de um sistema de saúde mais digno.

Por outro lado, se não existe transparência os profissionais podem presumir outra realidade e fatalmente vão tomar iniciativas inadequadas que não contribuirão para o alcance das metas. Tudo indica que pouco a pouco deverá prevalecer o pensamento coletivo, tanto na área privada quanto na pública.

Tenha a tecnologia como aliada

A tecnologia fornece os meios para tornar a informação acessível, trazendo mais dinamismo e fluidez ao processo de gestão, por isso não faz sentido falar de transparência sem falar de tecnologia. Em outubro de 2016 foi publicada no site do Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (CONASEMS) uma notícia sobre o prazo limite para os municípios adotarem o sistema de prontuário eletrônico. Essa é uma das provas de que a tecnologia veio para ficar, portanto é urgente adaptar-se ao uso das ferramentas e encarar os desafios em prol da eficiência na saúde pública.

Vale lembrar que o Governo segue adotando, cada vez mais, novos mecanismos tecnológicos para exercer sua função reguladora e fiscalizadora.

Essa iniciativa favorece a transparência na gestão pública e fomenta a participação popular; o programa Olho Vivo no Dinheiro Público é um exemplo e o Portal da Transparência é outro.

E a atuação dos Conselhos Municipais de Saúde?

Como são entidades que regulam as atividades do gestor público, têm direito de participar do planejamento das ações, da avaliação dos serviços e de acompanhar os progressos alcançados.

A atuação dos Conselhos materializa a ideia de participação da comunidade, pois é composto por cidadãos, prestadores de serviços e profissionais de saúde, entre outros.

O poder da atuação dos Conselhos também caminha a favor da transparência e não deve ser subestimado: o que está no orçamento se mantém porque precisou ser aprovado no Conselho.

Implementar transparência na gestão pública implica inovação.

As organizações privadas na área da saúde já caminham nesse sentido e as premiações incentivam que esse movimento cresça. A cultura da inovação é bem-vinda e deve fazer parte da estrutura da organização. Há, inclusive, quem acredite que a transparência é o elemento chave para que o país avance nesse processo.

As propostas de inovação com base em recursos tecnológicos geralmente estão focadas em trazer mais transparência para a gestão pública, esse é o caminho.

Gestão com transparência afeta o cargo do gestor?

A administração pública deve primar pelo bem-estar dos cidadãos usuários dos serviços públicos e a transparência deve ser uma aliada nessa tarefa.

Abrir mão da transparência na administração pública inibe a prática de uma gestão participativa e, em casos mais graves, pode incorrer em improbidade administrativa, gerando como consequência o afastamento do gestor de suas funções.

Trazer mais transparência para a gestão pública da saúde implica enxergar o sistema através de outras perspectivas.

A boa notícia é que até hoje nenhuma organização foi prejudicada por atuar com transparência, pelo contrário, a transparência tem demonstrado ser uma prática fundamental para o progresso das organizações atualmente.

Conseguiu perceber a importância de trazer mais transparência para a gestão pública?

Então não deixe de saber mais sobre esse e outros assuntos, acesse Como vencer os maiores desafios da saúde pública brasileira e mantenha-se sempre bem informado!

Fonte: MV-Sistemas de Gestão-30.01.2017.

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