Saúde

Anvisa: prazo de liberação de produtos médicos importados cresce

Por Roberta Massa B. Pereira | 30.05.2017 | Sem comentários

O prazo da Anvisa (órgão regulador) para registrar produtos médicos no Brasil tem caído, o tempo médio de espera para liberar a entrada de importados piorou em 2017.

Os atrasos têm ocorrido principalmente em terminais de São Paulo e do Rio de Janeiro.

Os aeroportos de Guarulhos e Congonhas chegam a ter espera de um mês, segundo a Abraidi, associação de implantes médicos.

“A empresa importadora é que paga pela armazenagem do produto”, diz Gil Pinho, conselheiro da associação.

Esses gastos representaram US$ 197 milhões [R$ 643 milhões] em 2016, calcula a Aliança Brasileira da Indústria da Inovação em Saúde, que reúne entidades do setor.

O prazo de espera tem alta volatilidade: quando a fila de um local se agrava, a Anvisa desloca fiscais de outros Estados temporariamente.

Quando estes retornam a seus postos, a fila volta a subir -uma operação “tapa-buraco”, diz o presidente da Interfarma (que representa farmacêuticas), Antônio Britto.

Isso dificulta a logística das empresas, avalia Paulo Henrique Fraccaro, superintendente da Abimo (associação de equipamentos médicos).

“Além da armazenagem, há um custo com estoques para evitar desabastecimento.”

Desde 2015, a Anvisa reformula processos para agilizar a liberação, afirma o órgão, em nota.

Ainda este ano, a agência prevê um novo sistema para que itens de baixo risco sanitário sejam aprovados automaticamente.

A divisão de saúde da GE priorizará a área de serviços e consultoria a hospitais nos próximos anos, segundo o diretor-executivo para a América Latina, Dáurio Speranzini Júnior.

Além da maior demanda por softwares que permitem a troca de informações entre produtos, clientes têm tido menos recursos para novas máquinas, afirma.

“Hoje, 70% da nossa receita vem de equipamentos e 30% de serviços. A perspectiva é que isso seja pelo menos 50% até 2020.”

Entre os projetos feitos no Brasil estão ferramentas que acusam erros em exames de imagem e centros de análise de dados colocados dentro de hospitais.

“Soluções que não se integram às máquinas existentes perderão valor”, diz Carlos Eduardo Gouvea, presidente da Abiis (do setor).

“Laboratórios até já usam isso a seu favor em negociações. Dizem ‘quero seu produto, desde que ele troque dados com os meus’.”

A Siemens, que também atua neste segmento, criou máquinas controladas à distância. São 62 no país.

A tecnologia, brasileira, está em testes na Alemanha e Japão, diz Gelson Campanatti Junior, da companhia.

Fonte: Folha de São Paulo-30.05.2017.

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