Saúde

Prefeitura renova contrato de sistema de saúde que não funciona

Por Roberta Massa B. Pereira | 21.08.2017 | Sem comentários

Prefeitura voltou a assinar contrato, firmado na gestão Haddad (PT), para aluguel de equipamentos; problema foi apontado por órgão fiscalizador.

A Prefeitura de São Paulo renovou há 4 meses, pela 2º vez, um contrato com uma empresa privada por um sistema de análise bioquímica e hormônios que nunca foi utilizado.

O valor é de R$ 11 milhões anuais.

A falta de capacidade elétrica de dois laboratórios que receberiam os equipamentos, em Santo Amaro, na zona sul, e em São Miguel Paulista, na zona leste.

Faz com que o poder público ainda pague duas vezes por este serviço.

Já que precisou contratar uma empresa privada para realizar os exames, por um custo 699% maior e prejuízo estimado em R$ 4 milhões por ano.

A empresa Roche Diagnóstica Brasil Ltda venceu o pregão eletrônico em abril de 2015, ainda na gestão Haddad (PT).

Entregou todos os equipamentos nos laboratórios em maio, em regime de comodato.

O contrato também prevê a entrega de reagentes para a realização dos exames.

Os sistemas são para uso das unidades pertencentes à Secretaria Municipal da Saúde e atingem outros três laboratórios.

Os itens adquiridos, no entanto, seguem embalados nas caixas, pois são incompatíveis com a capacidade elétrica desses laboratórios.

A produtividade deles, que chegaram a fazer 982 mil exames em 2014, caiu a zero.

Lean Six Sigma

O problema foi apontado na última semana por uma auditoria realizada pela Controladoria Geral do Município (CGM).

O órgão que investiga irregularidades e atos de corrupção na administração pública municipal.

Estado teve acesso à integra do documento.

Uma solicitação para a reforma dos laboratórios foi feita apenas no mês de entrega dos equipamentos, e custaria cerca de R$ 250 mil.

Mas o projeto não começou com Haddad nem com o atual prefeito, João Doria (PSDB).

Com a tecnologia inoperante, a Prefeitura teve de contratar a Associação Fundo de Incentivo à Pesquisa (AFIP Medicina Diagnóstica) por custo mensal de R$ 336,6 mil.

Superior ao que custaria a reforma na rede elétrica, para fazer os mesmos exames que deveriam estar sendo feitos pelos laboratórios públicos.

Outras irregularidades

A CGM apontou ainda que houve sobrepreço de, no mínimo, R$ 1 milhão por ano na contratação da Roche.

Já que a pesquisa de mercado do certame “se limitou às consultas diretas ao mercado”, com uma “média de preços não representativa daquela praticada no mercado”.

Os auditores chegaram a esta conclusão comparando o contrato com outro semelhante, utilizado para o Hospital do Servidor Público Municipal (HSPM).

A conclusão é que, exceto um insumo de preço semelhante, o colesterol HDL, todos os outros.

“São mais onerosos na empresa Roche, algumas vezes chegando ao triplo ou quádruplo do custo”.

A apuração apontou também que a primeira prorrogação do contrato, em 2016, foi feita sem pesquisa de preços por “falta de planejamento.”

Mesmo com todos os problemas apontados, o Município renovou o aluguel dos equipamentos sem ter feito nenhuma alteração na quantidade de insumos e equipamentos, que estão inutilizados.

“Já era sabido que o contrato findaria em 1.º de abril de 2016, todavia, a pesquisa, ato corriqueiro na administração pública, foi iniciada apenas um mês antes”, destacaram os auditores.

Resposta Prefeitura

A Secretaria de Saúde disse, quando confrontada pela Controladoria, que “parte” dos reagentes estão sendo utilizados por outros laboratórios.

Mas o órgão de investigação apurou que há “uma grande quantidade” sem uso.

Informou ao Estado, em nota, que o contrato foi firmado pela gestão passada e que:

“Está trabalhando para solucionar os problemas técnicos apresentados e viabilizar o funcionamento do serviço”, mas não deu prazo para fazer a reforma na rede elétrica.

A empresa Roche afirmou que os equipamentos foram entregues “dentro dos prazos e condições contratuais acordados”.

Já assessoria de Haddad destacou que a CGM, criada por ele, “investigou a máfia do ISS (esquema de cobrança de propinas em troca de redução da carga tributária a empresas).

Retomou a investigação sobre a máfia dos alvarás, feirinha da madrugada e iniciou as investigações sobre o desvio de recursos do Teatro Municipal.”

Disse ainda que, se provada improbidade por parte de dirigentes ou servidores da secretaria, eles devem ser denunciados e punidos.

Fonte: Estadão-21.08.2017.

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