Saúde

Caos na Saúde Pública, mulher morre após ter atendimento negado em hospital no Rio

Por Roberta Massa B. Pereira | 02.08.2018 | Sem comentários

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Filho insistiu para que mãe fosse atendida diante de dificuldades na respiração, mas não teve sucesso. A polícia, a Secretaria de Saúde e o Cremerj investigam o caso.

 Uma mulher de 54 anos morreu horas após ter o atendimento negado na emergência do Hospital Estadual Getúlio Vargas, na Penha (zona norte do Rio).

Desesperado diante da demora no atendimento, um filho da paciente entrou em salas do hospital e filmou uma médica que não estava atendendo ninguém e alegou que aguardava prontuários médicos para voltar ao trabalho.

O caso está sendo investigado pela Polícia Civil e, administrativamente, pela Secretaria Estadual de Saúde e pelo Conselho Regional de Medicina (Cremerj).

Irene de Jesus Bento é da cidade mineira de Miraí e há dois anos se mudou para o Rio para ficar próxima dos filhos.

Na noite de sexta-feira, 27, ela começou a apresentar dificuldades para respirar, e um dos filhos, Rangel Marques, de 35 anos, a levou ao Hospital Getúlio Vargas.

Segundo ele narrou em entrevista à TV Globo.

Diante da demora no atendimento, foram embora e retornaram no dia seguinte, por volta das 14h.

Irene já estava bastante debilitada e foi colocada em uma cadeira de rodas, onde teve dificuldades para se manter.

Ela não conseguia controlar o corpo, que precisava ser segurado para não tombar.

Apesar disso, o atendimento demorou, e Rangel passou a caminhar pelo hospital à procura de médicos.

Em uma das salas encontrou duas supostas médicas, uma prestando atendimento a um paciente e a outra digitando no telefone celular.

Ao pedir ajuda a essa profissional, ouviu que ela estava aguardando prontuários médicos e que ele deveria aguardar ser chamado.

Segundo Rangel, após cerca de uma hora uma enfermeira mediu a pressão de sua mãe, constatou que estava normal.

E recomendou que o filho levasse a paciente a uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA), porque o caso dela não era grave o suficiente para ser atendido na emergência daquele hospital.

O rapaz então levou a mãe até a UPA da Penha, num prédio vizinho ao hospital onde chegou às 15h.

Segundo Rangel, a mãe dele foi encaminhada para a sala amarela (que indica situação de urgência e atendimento em até uma hora).

Mas sofreu uma parada cardiorrespiratória e foi logo transferida para a vermelha (que indica situação de emergência e atendimento imediato).

Às 19h15 ela sofreu a segunda parada cardiorrespiratória.

“Os médicos não conseguiram entubar minha mãe, porque ela estava com um caroço na garganta”, contou Rangel.

“Lá pelas 23h  me chamaram e contaram que precisariam transferi-la para o Getúlio Vargas, mas não garantiam que ela sobrevivesse e por isso queriam minha autorização para a transferência.

Eu falei ‘claro, ué, vou deixar ela morrer aqui?’

Aí a colocaram na ambulância e levaram.

Eu fui correndo e vi quando ela chegou, já com os olhos fechados. Para mim, já estava morta”, lamentou.

Oficialmente, a confirmação da morte ocorreu por volta da meia-noite de sábado.

“Eu me sinto culpado, acho que deveria ter feito mais por ela.

Minha mãe morreu nos meus braços”, lamentou Rangel, chorando, durante entrevista à TV Globo.

Irene, casada havia 26 anos com o padrasto de Rangel, foi enterrada nesta segunda-feira, 30, em Miraí.

“Ninguém do hospital ligou pra perguntar se precisamos de alguma coisa.

Minha mãe deixou um filho de 11 anos, e meu padrasto também está muito abalado”, contou Rangel, que levou o caso à Polícia Civil.

Investigação

Em nota, a Secretaria Estadual de Saúde, responsável pelo Hospital Getúlio Vargas, informou que  o caso será investigado.

À TV Globo, a direção do hospital informou que os responsáveis foram afastados temporariamente, para que ocorra a investigação.

O Cremerj também investiga o caso e pode punir os médicos.

Até a noite desta quarta-feira não havia sido divulgado o nome de nenhum profissional envolvido nesse atendimento.

Estadão – 02.08.2018.

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