Opinião

Crise na Saúde têm solução, mas falta valentia para enfrentar as barreiras corporativas

Por Roberta Massa B. Pereira | 13.09.2018 | Sem comentários

Vivemos em um momento de crise econômica que parece não ter mais fim. A área da saúde, mesmo antes da crise, já dava sinais de que não estava bem e poderia não suportar o que estava por vir.

O problema, é que ninguém estava querendo enxergar o que estava acontecendo.

Sempre cultivamos a cultura do hospital/pronto socorro como uma referência para nos curarmos de qualquer enfermidade, desde uma enxaqueca até um atendimento de emergência propriamente dito.

Foi assim que aprendemos, seja através da precariedade da saúde primária, ou até mesmo com o exemplo dos nossos pais.

Foi desta mesma maneira que também educamos nossos filhos.

Durante o período de crescimento econômico do Brasil para algumas personalidades e instituições a saúde vivia um lindo “conto de fadas”, mas na verdade, todos estávamos prestes a acompanhar de perto um grande pesadelo.

O problema é que o pesadelo chegou e agora ninguém está disposto a lutar com as “forças opressoras” do mal.

Considero o nosso sistema de saúde como um novelo de lã gigante, onde uma simples puxada de linha, é capaz de quebrar uma ligação “importante” entre um prestador de serviço e um operador, correndo-se o grande risco de que essa ligação nunca mais seja emendada.

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Entenda um pouco mais sobre esse novelo

Hora de detalharmos um pouco mais sobre os nós desse novelo.

A Agência Nacional de Saúde Suplementar-ANS, segue como o maior órgão regulamentador, um sistema totalmente politizado.

A maioria das decisões são baseadas nos conflitos de interesse e jamais no que realmente seria mais eficiente para a melhoria do sistema de gestão em saúde.

Os reajustes dos planos de saúde são cada vez mais altos, tendo como consequência a redução significativa no número de planos ofertados.

A crise econômica reduziu o número de pessoas com planos de saúde e com isso muitos planos, deixaram de existir devido a essa fuga em massa de beneficiários.

Por outro lado, os planos de saúde individuais desapareceram do mercado, deixando a população sem opções acessíveis.

O mercado de planos de saúde virou um monopólio, onde somente os (poucos) fortes conseguem se manter.

No final das contas, tudo acaba girando em torno dos preços.  Só acessam os planos de saúde, aquele que pode pagar mais.

O desafio de pagar um plano de saúde

Por falar em pagadores, nós os beneficiários, pobres mortais, fazemos todo o sacrifício do mundo para mantermos em dia o pagamento do nosso plano de saúde.

Está mais do que claro, que não podemos contar com a saúde pública.

Ao estudar de forma contundente o sistema está clara as dificuldades e limitações do sistema público de saúde.

Para conseguir manter o pagamento dos planos de saúde, abrimos mão do lazer, de investir em mais educação (cursos, seminário e desenvolvimento pessoal), ou de poder proporcionar mais opções de educação para os nossos filhos.

Por todos esses motivos e muitos outros mais, nos sentimos no pleno direito de ter acesso a todos os recursos disponíveis do Plano de Saúde quando precisarmos.

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Saúde um direito de todos

De acordo com o Art. 196, da Constituição Federal “A saúde é direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação”.

Levando em consideração o Art. 196 da Constituição, entra em ação mais um nó difícil de desatar do novelo que é a Judicialização da saúde.

Quando os planos de saúde negam cobertura para determinado procedimento ou medicamento, as pessoas acionam a justiça imediatamente.

Esse procedimento está sendo cada vez mais realizado nos últimos tempos.

Hoje são expressivos os números de ações na justiça contra atendimentos/procedimentos e medicamentos negados pela saúde pública e privada.

As questões judiciais atualmente se tornaram um verdadeiro pesadelo para todos as instituições envolvidas no setor de saúde.

Saúde, uma linha de produção

Outro ponto que merece um estudo cuidadoso e aprofundado são os prestadores de serviço (clinicas/hospitais) que recebem por serviço, o famoso (fee for service).

Modelo baseado na produção, onde quanto mais é feito ou quanto mais complexo é o caso, maior é a remuneração.

A modalidade estimula o volume e a complexidade do serviço e não considera a qualidade e eficiência do tratamento.

Recentemente, durante uma aula de MBA ouvi de meu professor, Dr. Marcos Fumio: uma frase certeira:

“A despesa da operadora que paga, é….remuneração para o prestador que decide, e… Recuperação de investimento para o paciente que está usando”.

No entanto, “Quem decide não paga, quem usa não decide, quem paga não usa”.

Diante desse dilema, faço o seguinte questionamento: será que alguém está efetivamente disposto a desenrolar esse nó?

Diante dessa dificuldade, operadoras de planos de saúde, estão consolidando e redirecionado cada vez mais seus beneficiários, para sua rede própria de hospitais e ambulatórios.

Nós, seus clientes, acabamos prejudicados mais uma vez, pois pagamos caro por um serviço, que disponibiliza uma rede de atendimento cada vez mais enxuta.

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O papel da Anvisa

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária-Anvisa, atua com uma política não muito diferente da ANS.

Sempre me questiono quanto as políticas de aprovação e reprovação de medicamentos, alguns medicamentos são reprovados com justificativas confusas e pouco plausíveis.

Por outro lado, outros medicamentos são liberados, sem comprovação de eficácia.

Esse assunto já foi inclusive tema de matéria de grande repercussão em um programa de TV.

Este sem dúvida é um nó muito sensível do novelo de lã, pois de um lado temos um órgão politizado ANVISA, do outro lado um serviço gigante da saúde, as indústrias farmacêuticas.

Uma relação um tanto quanto questionável, complexa e desafiadora.

Não vamos entrar na relação Médico x Indústrias farmacêuticas x Hospitais.

Conclusão

Os tratamentos estão cada vez mais avançados, as incertezas políticas mantêm nossa economia estagnada, a participação pública é muito menor que a privada.

O investimento de recursos aplicados na saúde no Brasil é muito menor que nos outros países.

Seria possível destacar outros nós por aqui, mas os citados acima já são suficientes para esquentar a discussão.

Enquanto esse novelo se embola cada vez mais será que os órgãos estão realmente dispostos a desatar tantos nós?

Alguém está disposto a resolver esses problemas?

A solução certamente não será a mais fácil e nem a mais rápida.

Muito pelo contrário, precisaremos enfrentar medidas drásticas com resultados que nem sempre trarão resultados imediatos.

Sem dúvidas, estamos precisamos de uma reforma (política) na saúde.

Todos sabem o caminho que precisa ser percorrido, mas são poucos que realmente estão dispostos a dar a largada.

Até a próxima!

Por: Roberta Massa – Fundadora do GeHosp 

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