Gestão

Grupo Beneficência Portuguesa volta a operar no azul

Por Roberta Massa B. Pereira | 11.04.2016 | Sem comentários

Após cinco anos de resultados operacionais negativos, o Grupo Beneficência Portuguesa fechou 2015 no azul.

O superávit operacional da rede hospitalar atingiu R$ 11,3 milhões, o que representa uma reversão ao déficit de R$ 25,5 milhões de 2014.

Os indicadores operacionais desconsideram a receita financeira, cujo peso é relevante no balanço da Beneficência, que conta com um grande patrimônio imobiliário e não tem endividamento bancário.

Em 2014, por exemplo, o resultado advindo do negócio hospitalar foi negativo em R$ 25,5 milhões, porém, a receita financeira somou R$ 25,6 milhões, o que fez a última linha do balanço ficar positiva em R$ 105 mil.

Em 2015, as aplicações financeiras renderam R$ 17 milhões e as atividades hospitalares pouco mais de R$ 11 milhões – totalizando um superávit de R$ 28,2 milhões.

O grupo reúne os hospitais São Joaquim, São José e Santo Antônio. Como instituição filantrópica, precisa realizar mais da metade dos atendimentos a pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) para ter direito a benefícios fiscais. Do total de procedimentos realizados nos três hospitais do grupo, 55,5% são feitos pelo SUS. Mas os pagamentos do governo representam só 13% da receita mensal – a maior parte vem de convênios médicos e particulares. Mesmo com a defasagem na tabela de repasses do SUS, a receita da Beneficência no acumulado do ano cresceu 12,6% – bem acima dos 2,4% apurados na linha de custos e honorários médicos.

“Nos últimos três anos, renegociamos contratos com operadoras e fornecedores, mudamos processos internos, investimos em tecnologia e foi feita uma reorganização interna que nos tornou mais eficientes”, disse Denise Santos, presidente-executiva do grupo.

Uma das medidas foi a transferência da maternidade da unidade São Joaquim para o prédio do Santo Antonio, que atende exclusivamente SUS, o que permitiu a abertura de uma área no hospital principal a usuários de convênios médicos. Além disso, mudanças na composição dos serviços prestados ajudaram a melhorar o desempenho.

O grupo ampliou, por exemplo, a oferta de exames a pacientes do SUS – já que esses procedimentos são pagos pelo governo com menos defasagem do que outros. A Beneficência Portuguesa passa por uma modernização que já demandou R$ 350 milhões em investimentos nos últimos três anos.

Segundo Denise, o próximo grande projeto é a implementação do prontuário eletrônico (digitalização dos procedimentos médicos desde o atendimento no leito até a cobrança para operadora) no São Joaquim – mais conhecido como Beneficência Portuguesa. “

“O São Joaquim é um hospital muito grande, com 1 mil leitos. Um projeto desses é complexo, mas também trará muito ganho de eficiência nos próximos anos”, disse a executiva, que assumiu o posto em 2013.

Fonte: Valor Econômico-11.04.2016

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