Gestão

Sistema de Saúde no Brasil: uma bolha prestes a explodir

Por Roberta Massa B. Pereira | 31.10.2015 | 2 comentários

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Apesar de se tratar de uma tragédia anunciada antes mesmo da reeleição, a crise econômica entrou nas nossas vidas sem bater na porta, e os seus efeitos vem se propagando como uma praga em todos os setores do país, a ponto de não sabermos até onde essa situação irá chegar.

Apesar das recentes notícias sobre o impacto da crise nos hospitais, como a Santa Casa de São Paulo, que demitiu 1.400 funcionários e o Hospital São Paulo-UNIFESP que recentemente cancelou suas cirurgias de retina devido à falta de material, e o Hospital das Clínicas-HCFMUSP, que cancelou suas cirurgias de catarata devido ausência de Kits, mesmo sendo negado pela Diretoria, não é difícil de identificar a redução da produção de alguns procedimentos buscando à redução de custos.

As operadoras de Plano de Saúde também não escaparam ilesas dessa situação, diariamente temos acompanhando o processo de migração dos clientes da Unimed Paulistana que após crise financeira teve que transferir sua carteira de clientes após exigência da ANS.

Sabemos que a crise econômica não é a grande responsável por todos esses problemas na saúde, o fato é que ela está potencializando uma bolha que já vinha sendo enchida e que agora parece prestes a explodir.

A bolha vai explodir

É comum ouvirmos o termo “bolha” para se referir a movimentos especulativos, foi famosa a explosão da bolha da internet no início dos anos 2000, quando empresas de tecnologia viram suas ações “derreterem” em pouquíssimo tempo.

Mais recentemente, ouvimos falar de uma possível bolha no mercado imobiliário, onde muitos imóveis se valorizaram rapidamente alcançando valores extremamente altos, talvez fora da realidade necessária para o mercado permanecer saudável.

Na área da saúde percebo já algum tempo a formação de uma bolha, com preços fora da realidade e investimentos diversos feitos pelas instituições fundamentadas apenas em financiamento externo.

A crise econômica, é cruel porque ataca não só a parte financeira, mas também mexe com as expectativas diversas, as pessoas e empresas possuem a percepção de que o momento é ruim e por isso decidem cortar cada vez mais investimentos e gastos.

Planos de saúde

As pessoas estão colocando como prioridade a manutenção de gastos essenciais como alimentação e o pagamento de contas de consumo indispensáveis como eletricidade, aluguel, água, etc. Certamente, o pagamento dos planos de saúde nesse momento não se configuram como gastos indispensáveis, assim, muitos começam a cancelar os planos atuais, ou na melhor das hipóteses estão migrando para planos mais baratos.

Esse movimento levará certamente nesse momento, de redução de investimentos, mais pessoas (de volta) para o Sistema Único de Saúde.

O que já está ruim vai piorar

Em recente entrevista para o jornal Folha de São Paulo, o novo Ministro da Saúde, Marcelo Castro foi categórico ao informar que as coisas devem ainda piorar, já que repasses para hospitais e farmácia popular deverão atrasar.

De acordo com o ministro, o novo modelo de cálculo de financiamento da saúde, aprovado pelo Congresso, deve trazer um déficit de ao menos R$ 7,5 bilhões para o próximo ano.

Conclusão

A área da Saúde no Brasil passa por um momento crucial, a crise, levará ainda algum tempo para ser vencida e sendo que ainda devemos ver as coisas piorarem mais, antes de melhorar. É fundamental que o governo possa de fato promover um ajuste fiscal que ataque a fundo os problemas do país.

Precisamos ser mais competitivos, precisamos ter pessoas mais preparadas para trabalhar e que entendam que a saúde pública não pode ser eternamente um cabide de empregos.

Crises são na prática momentos cheios de oportunidades, as entidades privadas devem olhar sua gestão apostando na inovação, fazendo cada vez mais com menos sem perder a criatividade e a qualidade.

Quem trabalha na saúde precisa estar atento e focar na formação, afinal, mais do que nunca só os melhores sobreviverão.

Até a próxima!

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