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Medicina nuclear no combate ao câncer: especialista fala sobre papel do PET/CT

Por Roberta Massa B. Pereira | 15.12.2015 | Sem comentários

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Método de diagnóstico permite maior resolução anatômica e funcional, ajudando na descoberta e acompanhamento de tumores

Segundo estimativas do Instituto Nacional do Câncer (INCA), são esperados 596 mil novos casos de câncer para 2016 e 2017.

Em uma realidade como essa, prevenção e diagnóstico precoce são fundamentais para reduzir os danos à saúde da população. Na frente preventiva existem pesquisas que identificam métodos mais eficientes de evitar desenvolver a doença, como investigações a respeito da incidência de tipos variados de câncer e pesquisas na área de epigenética.

Na área da detecção, por sua vez, temos o desenvolvimento acelerado na tecnologia diagnóstica, permitindo descobrir a doença mais precocemente e acompanhar sua evolução.

Um desses avanços para o diagnóstico é o PET (sigla em inglês para tomografia por emissão de pósitrons), considerado um dos principais avanços da medicina nuclear. Uma das áreas médicas que mais cresce no mundo, a medicina nuclear usa quantidades mínimas de substâncias radioativas (radiofármacos) como ferramenta para obter imagens e oferecer tratamentos precisos para diversas doenças. Incorporado à prática médica há mais de duas décadas, o PET foi melhorado com a incorporação das técnicas de tomografia computadorizada, concebendo o PET/CT, unindo os avanços das duas tecnologias para permitir ao médico obter maior resolução anatômica dos órgãos e tecidos humanos em pleno funcionamento.

Segundo a médica nuclear e diretora do serviço especializado MND Campinas, Profa. Dra. Elba Etchebehere, o PET/CT está entre o que há de mais avançado para o diagnóstico preciso, sendo utilizado em especialidades como neurologia, cardiologia e endocrinologia e oncologia, entre outras. “Trata-se de um equipamento que produz imagens metabólicas e anatômicas, obtidas quase simultaneamente. Assim, essa ferramenta proporciona a imediata correlação anatômica dos achados, facilitando a identificação de doenças, bem como a diferenciação entre alterações benignas e malignas, definindo com precisão, por exemplo, o melhor local para uma biópsia”, conta.

Definindo o tratamento

Elba explica que o método de diagnóstico tem um impacto na conduta terapêutica, de acordo com o modo como os médicos lidam com as doenças. Segundo ele, uma média de um terço dos tratamentos de casos oncológicos é mudada após a realização do exame, já que um dos benefícios do PET/CT é definir de forma precisa o estadiamento da doença no organismo, o que ajuda no direcionamento do tratamento e, consequentemente, no alcance de melhores resultados e aumento da sobrevida.

“O PET/CT funde a imagem anatômica com a funcional e temos o local exato onde o tumor está, possibilitando a escolha do melhor tratamento, seja quimioterapia, radioterapia ou cirurgia. À luz do conhecimento atual, não é mais possível praticar oncologia com elevada qualidade sem dispor dessa tecnologia”, explica a especialista.

Acesso da população

Atualmente, na saúde suplementar (planos de saúde), há a indicação para o exame PET, prevista em portaria, para oito casos: detecção de nódulo pulmonar solitário, câncer de mama metastático, câncer de cabeça e pescoço, melanoma, câncer de esôfago, tumor pulmonar para células não pequenas, linfoma e câncer colorretal.

“Muitas indicações importantes estão de fora. A lista não foi estendida para câncer de tireoide, colo do útero, testículo e ovário, entre outros, uma prática que já é comum em diversos países em todo o mundo. O Uruguai, nosso vizinho de América Latina, é um exemplo que contempla os também outros tipos de câncer na saúde suplementar”, comenta.

Na saúde pública, porém, a realidade é outra. Apenas três indicações são ressarcidas pelo Sistema Único de Saúde (SUS): câncer de pulmão de células não pequenas, câncer colorretal com metástase exclusivamente hepática com potencial ressecável e linfomas de Hodgkin e não Hodgkin.

“Seria necessário que essa lista de indicações fosse ampliada. Até o presente momento, não houve a decisão final do Ministério da Saúde (MS) de oferecer PET/CT aos pacientes mais carentes, como ocorre em diversos países, inclusive da América Latina”, finaliza a diretora da MND Campinas.

Sobre a MND Campinas

Fundada em 1995 por uma equipe de especialistas pioneiros em PET/CT no Brasil, a Medicina Nuclear Diagnóstica Campinas oferece a médicos e pacientes serviços em diagnóstico por imagem, trazendo o que há de mais moderno em medicina nuclear. A clínica tem como diferencial a capacitação do corpo clínico, com médicos, biomédicos e enfermeiros em processo de constante aperfeiçoamento para acompanhar os avanços da especialidade.

A MND Campinas foi uma das primeiras a instalar no interior do País o equipamento PET/CT, recentemente atualizado para um dos modelos mais modernos disponíveis no mundo. O novo equipamento combina tecnologias avançadas para obter imagens com maior resolução anatômica com doses ainda menores de radioatividade.

Fonte: RS Press

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