Gestão

Crise econômica faz o setor de produtos à saúde encolher 7,6% no ano

Por Roberta Massa B. Pereira | 23.12.2015 | Sem comentários

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Depois de crescer ao redor de dois dígitos durante uma década, o setor de produtos para saúde começa a sentir os efeitos da crise econômica.  De janeiro a outubro deste ano, o índice de consumo aparente apresentou uma queda de 7,6% em relação a igual período do ano anterior. A estimativa é que o faturamento do setor fique ao redor de U$ 10 bilhões*.

Os dados de desempenho, levantados pela consultoria econômica Websetorial para a ABIMED – Associação Brasileira da Indústria de Alta Tecnologia de Produtos para Saúde, foram apresentados no Encontro Anual da entidade.

Apesar do crescimento de 3,3% na produção industrial e de 4% nas vendas no comércio varejista de acordo com o IBGE, o setor foi muito impactado pelo aumento do dólar e por uma queda de 12,2% nas importações, que respondem por 70% do consumo aparente e totalizaram cerca de US$ 5,3 bilhões, segundo Carlos Goulart, presidente-executivo da ABIMED.

“As mudanças no câmbio afetaram principalmente o segmento de equipamentos médicos, que tem grande peso no setor. Mas contribuíram também para o resultado negativo o cenário político-econômico de incertezas, que prejudica os investimentos, e a queda na arrecadação de estados e municípios promovida pela recessão, que afeta a disponibilidade de financiamento do serviço público”, analisa Goulart.

Em relação a postos de trabalho, as altas taxas de desemprego do país ainda não chegaram ao setor de produtos para saúde, que manteve praticamente estável o contingente de trabalhadores, com um recuo de 0,55% segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED) do Ministério do Trabalho e Previdência Social.

Goulart avalia que o setor continuará a sofrer impactos da crise econômica e projeta para 2016 uma queda de 2,0% a 2,5%, em decorrência especialmente dos cortes já anunciados para a área da saúde, da restrição de compras do setor público em virtude da queda na arrecadação, e do desemprego, que tende a empurrar para o SUS trabalhadores que contavam com plano de saúde.

Inovação e regulação

O Encontro Anual da ABIMED contou ainda com a participação de Pedro Ivo Sebba Ramalho, Adjunto do Diretor Presidente da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), e de representantes da Investe São Paulo e da FAPESP (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo).

O diretor da ANVISA apresentou a agenda e os principais programas do órgão para a área da saúde em 2016. “A ANVISA vem fazendo grandes esforços para aperfeiçoar seus processos e o Marco Regulatório e também adotará medidas para melhorar o sistema de informática”, destacou.

Sérgio Costa, diretor da Investe SP, por sua vez, detalhou o papel da agência no desenvolvimento do setor de saúde no país. Disse que a lei que autoriza investimentos estrangeiros na área da Saúde criou um cenário de fusões e aquisições com novas oportunidades.

“A Investe São Paulo está trabalhando para atrair empresas que possam consolidar o Estado como cluster de indústrias relacionadas à Saúde. São Paulo já atrai 40% de todo o investimento estrangeiro direto que entra no país e 20% do que entra na América do Sul”, afirmou.

Segundo Carlos Henrique de Brito Cruz, diretor científico da FAPESP, embora o Brasil enfrente enormes desafios na área da saúde, a pesquisa científica associada à criação de oportunidades para inovações é um dos mais importantes instrumentos para superá-los.

“A colaboração entre pesquisadores de empresas, universidades e institutos de pesquisa é essencial e vem acontecendo fortemente em São Paulo. Há oportunidades para intensificar essa interação e a FAPESP e a ABIMED trabalham juntas para isso”, ressaltou.

Em relação aos planos da ABIMED para o próximo ano, Fabrício Campolina, presidente do Conselho de Administração da entidade, destacou que a associação – que completará 20 anos em 2016 – aprofundará sua atuação nas questões ligadas à Inovação e Ética”.

“Nosso objetivo é contribuir para a consolidação de um ambiente macroeconômico baseado nesses dois pilares e voltado principalmente para a sustentabilidade do sistema de saúde do país. As empresas inovadoras estão hoje fortemente centradas na sustentabilidade do setor e no uso racional da tecnologia”, afirmou.

Campolina adiantou que a ABIMED realizará um levantamento dos casos de sucesso nos quais a inovação gerou impacto positivo para pacientes e para o sistema de saúde. Ele anunciou ainda que a ABIMED passará a integrar o Conselho Consultivo do Instituto Ética Saúde, promotor do Acordo Setorial que envolve importadores, distribuidores e fabricantes de Dispositivos Médicos.

Fonte: ABIMED- 23.12.15

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