Gestão

Alerta vermelho aos custos médicos

Por Roberta Massa B. Pereira | 18.01.2016 | Sem comentários

Estudo apura aceleração no crescimento dos gastos com internações, exames, terapia e consultas.

O custo das operadoras de planos de saúde com consultas, exames, terapias e internações, apurado pelo Índice de Variação de Custos Médico-Hospitalares (VCMH) do Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS), teve alta de 17,1% nos 12 meses encerrados em junho de 2015.

Novamente, o crescimento foi bastante superior à variação da inflação geral no País, medida pelo IPCA, que registrou elevação de 8,9% no mesmo período. Em relação aos indicadores aferidos em março de 2015, o VCMH acelerou 1,6 ponto porcentual (p.p.) enquanto o IPCA avançou 0,8 p.p..

“O ritmo de crescimento do VCMH liga um grande alerta para o setor de saúde suplementar no País. É preciso debater a sustentabilidade do setor, que é extremamente importante não só por cuidar diretamente de 51 milhões de vidas”, enfatiza Luiz Augusto Carneiro, superintendente-executivo do IESS. “O aumento do VCMH continua em um ritmo quase duas vezes superior ao da inflação medida pelo IPCA, como constatado no último levantamento, reforçando a necessidade de debater as causas desse problema e apontar as soluções”, ressalta.

O VCMH/IESS é o principal indicador utilizado pelo mercado de saúde suplementar como referência sobre o comportamento dos custos. O cálculo utiliza os dados de um conjunto de planos individuais de operadoras, e considera a frequência de utilização pelos beneficiários e o preço dos procedimentos.

Dessa forma, se em um determinado período os beneficiários usavam em média mais os serviços e os preços médios aumentam, o custo apresenta uma variação maior do que isoladamente com cada um desses fatores. A metodologia aplicada ao VCMH/IESS é reconhecida internacionalmente e aplicada na construção de índices de variação de custo em saúde nos Estados Unidos, como o S&P Healthcare Economic Composite e Milliman Medical Index.

O superintendente-executivo do IESS destaca que o principal fator para a alta do VCMH são os gastos com internação, que respondem por aproximadamente 59% do total dos custos médico-hospitalares. O gasto com consultas corresponde a 11% do total dos custos do setor. Os custos de Exames e Terapias respondem por 15% e 6%, respectivamente.

O VCMH apresenta uma tendência de crescimento para todos os itens de despesa desde fevereiro de 2015.

O custo do gasto com consultas, por exemplo, entre fevereiro de 2015 e junho de 2015, teve o maior aumento em pontos percentuais: 6,6. O gasto com internação (maior responsável pelos custos médico-hospitalares) teve aumento de 2,9 p.p..

Carneiro aponta, ainda, que a faixa etária dos beneficiários de planos de saúde é um fator crucial na VCMH. “É natural que seja mais caro tratar pessoas acima de 59 anos, dado o surgimento ou agravamento, por exemplo, de doenças crônicas e outros problemas relacionados ao avanço da idade. O fato de os beneficiários de planos de saúde serem mais idosos do que a população como um todo incide diretamente no aumento dos custos médico-hospitalares”, explica. Na base de cálculo do VCMH/IESS, 23,3% dos beneficiários têm mais de 59 anos.

Fonte: Instituto de Estudos de Saúde Suplementar

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