Gestão

Biomm muda plano e fábrica entrará em operação em 2018

Por Roberta Massa B. Pereira | 26.02.2016 | Sem comentários

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A Biomm, companhia fundada em 2001 pelos irmãos Marcos e Walfrido dos Mares Guia e pelo empresário Guilherme Emrich para produzir insulina, reviu os planos para sua operação fabril, mas manteve em 2017 a data de estreia no mercado brasileiro.

O portfólio de negócios também foi revisto e outros medicamentos biológicos, que são hoje a principal aposta da indústria farmacêutica global, entraram na radar da empresa.

A fábrica que está em construção em Nova Lima (MG) começará a produzir insulina em 2018, um ano mais tarde do que o originalmente planejado, diante da decisão dos acionistas de tocar o projeto em fases.

Porém, por meio de acordos comerciais firmados com dois laboratórios estrangeiros, da Polônia e da China, a Biomm importará o medicamento para vendê-lo localmente a partir da primeira metade do ano que vem.

“Nós otimizamos o projeto e vamos chegar ao mercado em 2017, dentro do prazo previsto. A diferença é que vamos iniciar a comercialização antes de finalizar a fábrica”, afirma Heraldo Marchezini, presidente da companhia farmacêutica.

Segundo Marchezini, a execução do investimento em fases reflete a maior complexidade de uma unidade produtiva de biológicos e do processo de pesquisa e desenvolvimento, além da mudança do ambiente macroeconômico.

“O risco, a tecnologia, os investimentos são muito diferentes da farmacêutica padrão”, afirma, acrescentando que há fila nos fornecedores para encomenda de equipamentos usados na produção desses medicamentos considerados de ponta.

A fábrica da Biomm, produzida pela Bosch, já está pronta na Alemanha e será transferida para o prédio em Nova Lima ao longo deste ano. A expectativa é a de que as etapas regulatórias para início de produção sejam cumpridas em 2017, com partida oficial da unidade no ano seguinte.

A companhia vai produzir insulina humana recombinante, que é um medicamento biológico, e a insulina análoga (glargina).

Antes do início de operação, a polonesa Bioton vai fornecer à Biomm o primeiro medicamento e a chinesa Gang&Lee Pharmaceutical entregará o segundo tipo de insulina, que no Brasil conta com um único fornecedor, a francesa Sanofi. O pedido de registro foi encaminhado à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) no ano passado.

Essas empresas parceiras serão, num segundo momento, fornecedoras também do princípio ativo. A meta da companhia brasileira, porém, é ser uma indústria vertical e produzir no futuro sua própria matéria-prima.

O projeto da farmacêutica, que herdou patentes do processo de produção de insulina da antiga Biobrás, vai exigir investimento total da ordem de R$ 500 milhões, incluindo capital de giro.

Até agora, a Biomm já levantou R$ 330 milhões, entre dívida – cerca de R$ 200 milhões, sobretudo do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) – e uma recapitalização de R$ 130 milhões, em 2013, que culminou na entrada de um fundo da TMG Capital e do Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG) no quadro de acionistas da empresa.

Em janeiro do ano seguinte, as ações da companhia passaram a ser negociadas no Bovespa Mais, mercado de acesso da BM&FBovespa, e hoje 22,9% dos papéis estão no mercado.

A Biomm tem ainda entre seus acionistas o próprio BNDES, além do ex-ministro do governo Lula Walfrido dos Mares Guia; a viúva de Marcos dos Mares Guia, Henriqueta; e Guilherme Emrich, que no início dos anos 2000 venderam a antiga Biobrás para o Novo Nordisk, maior fabricante mundial de insulina.

Considerada a primeira biofarmacêutica do país, a Biobrás chegou a ser envolvida em investigações da Polícia Federal da chamada Máfia dos Vampiros.

De acordo com Marchezini, que antes de assumir o comando da Biomm teve passagens pela Sanofi, Rhodia Farma e Aventis, a capacidade instalada da fábrica será similar ao tamanho mercado brasileiro – estimado em mais de 20 milhões de frascos por ano – e a unidade vai produzir também carpules, uma espécie de tubete com insulina que é encaixado na agulha.

Hoje, a liderança do mercado brasileiro de insulinas, estimado em cerca de R$ 800 milhões por ano, é disputada de perto entre o Novo Nordisk, a Eli Lilly e a Sanofi. A taxa de crescimento da demanda, por sua vez, gira em torno de 10% ao ano.

“Temos um produto de altíssima qualidade e competitivo”, diz o executivo. “E, embora a Biomm tenha um portfólio corrente em insulina, queremos estar em outros biológicos”, acrescenta, revelando apenas que já há conversas nesse sentido na área de anticorpos monoclonais, que têm sido usados no tratamento de diversos tipos de câncer.

Fonte: Valor Econômico-26.02.2016

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