Gestão

SUS, a dor sem fim

Por Roberta Massa B. Pereira | 28.03.2016 | Sem comentários

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São chocantes as cenas que se repetem ao longo dos anos em pelo menos 71 prontos-socorros da cidade de São Paulo.

A maioria tem pacientes em macas pelos corredores, não se consegue a transferência de doentes e as equipes médicas são incompletas.

O quadro dramático se agrava com falta de materiais e de estrutura nas salas de emergência.

Algumas consultas podem levar meses, os exames são marcados para muito depois.

As filas para atendimento ajudam a compor esse quadro desumano. Esse conjunto de problemas é o triste cenário da saúde pública na décima cidade mais rica do mundo, segundo estudo do Conselho Regional de Medicina em São Paulo.

A dor da parcela carente da população brasileira é tão antiga quanto as discussões sobre o Sistema Único de Saúde (SUS) e do financiamento da saúde pública.

O governo federal não cumpre com seu dever nessa área. E nos últimos anos vem reduzindo a sua participação, deixando a conta para ser paga pelos Estados e municípios.

O que o governo paga ao SUS jamais cobriu os custos reais com o atendimento. Em São Paulo e em todo o País o número de leitos vem diminuindo e cada vez menos médicos se arriscam a enfrentar a falta de infraestrutura dos hospitais e salários precários.

O atendimento à saúde é uma equação que não fecha. Nos governos Lula e Dilma a tabela do SUS foi reajustada abaixo da inflação.

Há ainda de se levar em conta as fraudes e a corrupção, além da falta de gestão competente, denunciadas pelo do Conselho Federal de Medicina.

No curto prazo não há remédio que cure o desgoverno nessa área. O descaso com a saúde dos brasileiros é vergonhoso, apesar dos discursos de palanque sobre a assistência aos pobres.

Enquanto isso, as filas só aumentam. E a população continua pagamento a conta para não ter atendimento de qualidade.

Fonte: Jornal de Brasília-28.03.2016

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