Tecnologia

Implante de marca-passo cerebral possibilita ao paciente com Mal de Parkinson retomar o controle de seus movimentos

Por Roberta Massa B. Pereira | 07.04.2016 | Sem comentários

Técnica inovadora aplicada no HCor é uma alternativa para conter o avanço da doença;

Estudos recentes mostram que a cirurgia realizada precocemente, ainda durante as fases iniciais da Doença de Parkinson, resulta em melhor qualidade de vida durante a evolução do problema Tremores nas mãos e pernas, rigidez dos músculos, lentidão nos movimentos, desequilíbrio, tendência à queda e descoordenação são alguns dos principais sintomas de quem sofre do Mal de Parkinson.

Apesar de ser degenerativa e não ter cura, o Dia Mundial de Combate ao Mal de Parkinson, comemorado no dia 11 de abril, é um alerta para a doença que atinge 1% da população mundial acima dos 65 anos, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS). A doença de Parkinson é a segunda doença neurodegenerativa mais frequente na população.

Só no Brasil, cerca de 400 mil pessoas são portadoras desta doença e, apesar dos números serem preocupantes, o Mal de Parkinson ainda não é tão conhecido.

Na maioria dos casos, os primeiros sintomas começam a manifestar a partir dos 50 anos. O Parkinson leva à diminuição da dopamina, que é um neurotransmissor responsável pelo sistema motor e movimentos voluntários. A doença começa anos antes dos sintomas motores aparecerem, o que torna o diagnóstico ainda mais difícil. Por isso é possível descobrir a doença quando o tremor e a lentidão aparecem.

De acordo com a neurocirurgiã do HCor Neuro – Hospital do Coração, em São Paulo, Dra. Alessandra Gorgulho, o Mal de Parkinson é uma doença degenerativa do sistema nervoso central.

Ele costuma se instalar de forma lenta, em geral em torno dos 60 anos, podendo, todavia, manifestar-se precocemente aos 30 e 40 anos.

Para o tratamento da Doença de Parkinson são necessárias sessões de fisioterapia, fonoaudiologia, além de ter um suporte psicológico e nutricional com a finalidade de reduzir o prejuízo funcional decorrente da doença.

“Uma alternativa para pacientes com sintomas em estágios moderadamente avançados (de cinco a 10 anos após o diagnóstico) é o implante do marca-passo cerebral.

O equipamento é muito semelhante ao marca-passo cardíaco: é pequeno e funciona com impulsos elétricos localizados.

Ele age sobre áreas do cérebro afetadas pela doença, com o objetivo de regredir em mais de cinco anos o avanço dos sintomas”, explica Dra. Alessandra Gorgulho.

Como a cirurgia funciona?

Para implantar o marca-passo, o paciente é submetido a uma cirurgia. Eletrodos são colocados no cérebro e ligados ao marca-passo, que fica sob a pele na altura da clavícula. Eles são ligados por um fio, chamado de extensão, também sob a pele.

Esse conjunto irá realizar a chamada estimulação elétrica profunda cerebral, que irá interferir nos sinais que causam os sintomas motores do Mal de Parkinson.

Com a melhora dos sintomas, o paciente pode diminuir ou até largar as medicações e, assim, ficar livre dos efeitos colaterais, que chegam a incluir delírio e alucinações.

“Estudos recentes mostram que a cirurgia realizada precocemente, ainda durante as fases iniciais da Doença de Parkinson, resulta em melhor qualidade de vida durante a evolução do problema”, diz o neurocirurgião do HCor Neuro, Dr. Antonio De Salles.

Papel da família é essencial

Segundo a neurocirurgiã do HCor, a terapia, fisioterapia, apoio psicológico e exercícios físicos são essenciais para a qualidade de vida das pessoas que têm esta doença.

É importante também que a família dê apoio e procure por informações e orientações para compreender melhor o quadro. Encorajar os pacientes diante da situação evita que eles fiquem com a autoestima baixa, desmotivados e depressivos.

Fonte: Target|Estratégia em Comunicação- 07.04.2016

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