Saúde

Conselho de medicina aprova nova terapia para aumento da próstata

Por Roberta Massa B. Pereira | 22.07.2016 | Sem comentários

A técnica, chamada de embolização das artérias da próstata, já tinha recebido parecer favorável do CFM (Conselho Federal de Medicina) em 2014, mas foi aprovada de vez neste ano e pode começar a ser utilizada por outros centros de saúde do Brasil.

O conselho publicou as normas para a prática e criou um site para o cadastramento das instituições de saúde e médicos que queiram realizar o procedimento. Por enquanto, a técnica só será realizada em instituições autorizadas pelo CFM.

O Hospital das Clínicas da USP, que era o único a realizar o procedimento, está iniciando o processo de treinamento para outros centros do país interessados. Dos 250 pacientes que realizam o procedimento desde o início dos testes em 2008 no hospital, cerca de 90% melhoraram dos sintomas da doença. Nenhum dos pacientes tratados apresentou dificuldades de função sexual ou incontinência urinária.

Contudo, o tratamento não é indicado para homens com câncer de próstata, disfunção da bexiga, para aqueles que realizaram radioterapia na pélvis e para os que têm alergia ao contraste iodado usado. Nestes casos, a chance de os sintomas voltarem é maior.

O problema

Quando a próstata de um homem aumenta, ela normalmente pressiona a uretra, canal pelo qual a urina é expelida. É assim que começam as dificuldades. Em alguns pacientes, a bexiga também é pressionada, agravando o quadro de necessidade constante de ir ao banheiro, um dos principais sintomas da doença. Incontinência, jatos fracos e dificuldade para urinar também podem indicar a existência da condição.

A próstata normalmente tem o tamanho de uma avelã. Idade, hereditariedade, ação de hormônios, falta de atividade física e colesterol alto são fatores que contribuem para o aumento benigno da glândula.
Contudo, somente o aumento dela não significa a existência de algum problema. Os sintomas devem ser a principal preocupação, segundo Francisco Carnevale, 50, diretor de radiologia vascular intervencionista do Hospital das Clínicas da USP e do Hospital Sírio-Libanês.

Foi ele quem desenvolveu a nova técnica para redução de tamanho da próstata. Mais rápido e menos invasivo, o método é feito com anestesia local e permite que o paciente vá para casa no mesmo dia, em torno de duas horas após o procedimento.

Até a chegada do novo tratamento, existiam somente duas formas de cuidar do quadro. Nos casos menos graves, remédios costumam ser indicados, mas seus efeitos colaterais incluem hipotensão (pressão baixa), fadiga, disfunção erétil e diminuição da libido. Para os casos mais graves, a saída era uma cirurgia que abre uma espécie de “túnel” na próstata para a passagem da urina –estima-se que 10% dos pacientes precisem da intervenção cirúrgica.

Os sintomas e a gravidade deles tendem a aumentar com a idade, diz Carnevale. E a vida das pessoas que vivem ao redor do doente também acaba afetada. A vontade constante de urinar acaba interrompendo eventos sociais, filmes e conversas.

“O problema atrapalhava também a vida da minha esposa. E ela sabia que cada vez que eu entrava no banheiro era um martírio, me via saindo vermelho de tanto fazer esforço”, diz Atílio.

Como funciona

O procedimento é uma espécie de cateterismo, inserção de um fio de pequena espessura em uma artéria. Este filete avança até chegar à próstata e encontrar os nódulos que impedem a urina de fluir livremente.

Quando os encontra, o médico que conduz o procedimento libera microrresinas acrílicas –pequenos objetos semelhantes à grãos de areia– nos vasos sanguíneos que irrigam a região.

Esta resina impede que o sangue flua para os nódulos e, desta forma, acaba matando o tecido do local. O resultado é a redução de até 40% do tamanho da próstata.

O procedimento ainda permanecerá sob acompanhamento do CFM pelos próximos cinco anos para análise dos dados da aplicabilidade clínica e segurança da técnica. Essa supervisão é padrão para técnicas de alto risco e alta complexidade, classificação recebida pelo procedimento devido à especialização e ao treinamento necessários, segundo Cacilda Pedrosa, relatora da diretriz que aprovou o procedimento.

Segundo ela, a embolização foi considerado um procedimento de alta complexidade devido aos requisitos necessários para sua realização –como a necessidade de um angiógrafo para avaliar todas as artérias da próstata. Os riscos incluem isquemias localizadas e sangramentos.

A técnica já começou a ser utilizada na Europa e está em processo de aprovação nos Estados Unidos.

Fonte: Folha de São Paulo-22.07.2016.

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