Saúde

Aguardada por médicos, série de TV retrata unidade de saúde de SP

Por Roberta Massa B. Pereira | 22.08.2016 | Sem comentários

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Esqueça a correria das emergências hospitalares, a alta tecnologia e as doenças misteriosas frequentemente abordadas em séries médicas de TV, como “House”, “Greys Anatomy” e “E.R”.

A bola da vez é a medicina de família e a rotina de médicos, enfermeiros e outros profissionais de uma UBS (Unidade Básica de Saúde) na periferia de São Paulo.

Esse é o mote de “Unidade Básica”, uma nova série do canal de TV paga Universal que estreia dia 11 de setembro no Brasil. Ela mostrará um embate médico bem atual e, por isso, é bastante aguardada no meio.

De um lado está o dr. Paulo (Caco Ciocler), médico de família que trabalha há mais de dez anos na mesma UBS.

Ele se envolve com as histórias de vida de cada paciente, dá importância a questões emocionais e busca soluções não convencionais para os casos.

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Do outro, está a jovem médica Laura (Ana Petta). Recém-formada, seu projeto é ficar pouco tempo na UBS, onde pretende ganhar experiência e logo se tornar uma bem-sucedida especialista.

“Ela quer pedir exames, biopsias. É uma médica dedicada, mas o conhecimento que ela tem, a formação da escola médica tradicional, não dá conta da complexa realidade que ela encontra”, relata a atriz Ana, 41.

Ela e a irmã, Helena Petta, 37, infectologista que faz doutorado na USP, com período sanduíche em Harvard, foram as idealizadoras da série, executada pela produtora Gullane (de “Bicho de Sete Cabeças”, e “Que horas ela volta?”).

“Quem é do campo da saúde preventiva sabe que a biomedicina, o discurso só da doença, não dá conta da complexidade que envolve o cuidado médico.

Na série, a gente tentou traduzir isso para o público, por meio de casos concretos”, explica Helena.

Embora seja uma obra de ficção, ela é baseada em casos reais. Nos últimos dois anos, a equipe visitou várias unidades de saúde de São Paulo e de Curitiba, entrevistando os profissionais e observando o seu dia a dia.

Cada episódio traz um caso médico diferente. Por exemplo, uma paciente diabética que não adere ao tratamento e um doente terminal de câncer que tem indicação de cuidados paliativos.

“Em um momento, no caso de uma paciente, a Laura fala: ‘não tem mais o que fazer, ela está condenada, acabou’. E o Paulo retruca: ‘nosso trabalho começa agora.

O médico não cura sempre, mas cuida sempre'”, conta Ana.

Medicina de Família 

Segundo a atriz, foi uma surpresa para a equipe descobrir um lado do SUS, a medicina de família, que normalmente as pessoas desconhecem. “Muita gente não sabia que existia isso no Brasil.”

O ator Caco Ciocler, 44, diz ter ficado impressionado com as visitas domiciliares (previstas no Programa Saúde da Família). “O cuidado dos profissionais de saúde de visitar pessoas incapacitadas de ir até a unidade básica ou que não aparecem há tempos, de querer saber o que está acontecendo, é surpreendente. Fiquei bastante comovido.”

Na série, o dr. Paulo trabalha em dupla com Malaquias (Vinicius de Oliveira), agente comunitário. “É um figura essencial [na medicina de família] e, ao mesmo tempo, a maioria das pessoas nem sabe que existe”, conta Helena.

E o sucateamento das unidades básicas, a falta de materiais, de médicos, isso vai aparecer na série? “A unidade não é a dos sonhos, não é perfeita.

Mostramos que faltam coisas, como um desfibrilador, e mesmo especialistas, como psiquiatra. Mas as equipes são muito humanas e dão conta de superar as dificuldades”, diz Ana.

Segundo Helena, a série tentou ir além das já conhecidas precariedades do sistema público –como filas e falta de leitos–, ou do lugar comum dos fatores de risco (não faça tal coisa porque corre o risco de ter tal doença).

“Ela mostra como o fator de risco não é uma coisa estanque. O cuidado envolve outros aspectos. Tem a questão social, como um caso de leptospirose por causa de um lixão, mas tem o emocional, como a complicada relação entre uma mãe e um filho.”

No início, Laura reluta em aceitar essa visão “holística” da medicina. “Eu não sou psicóloga. Faço o diagnóstico, dou o tratamento ou encaminho para o especialista”, diz ela, em um momento. Sem spoiler, ela muda de opinião.

Serão oito episódios na primeira temporada, de 25 minutos cada. O posto de saúde da série é fictício. Foi montado em um galpão de São Paulo.

Fonte: Folha de São Paulo-22.08.2016.

 

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