Gestão

Crise obriga a um choque de gestão na Saúde

Por Roberta Massa B. Pereira | 06.09.2016 | Sem comentários

As últimas pesquisas do Ibope em 19 capitais mostrando que a maior preocupação do eleitorado é a saúde, mais que a segurança, são um estridente alerta a gestores públicos.

Em São Paulo, Rio, Belo Horizonte, Porto Velho, Macapá e Aracaju, mais da metade dos eleitores vê esse setor como o pior de todos.

Trata-se de um drama crônico, à frente na lista dos itens que mais tiram o sono dos brasileiros de forma permanente desde os anos 80, enquanto a inflação e o desemprego já saíram do topo.

A prioridade à solução do problema precisa ir além da vazia retórica de campanha que fala do assunto como mantra de apelo garantido aos ouvidos do eleitor.

Prioridade não significa anunciar com demagogia que será estudada a destinação de mais verbas ao setor. Até porque, com a grave crise fiscal, não há como aumentar despesas.

A necessidade de ser fixado por proposta de emenda constitucional um teto de gastos públicos reforça a obrigação de administradores enfrentarem o grave problema da gestão.

É preciso avaliar a qualidade do gasto do dinheiro, combater desperdícios e trabalhar com racionalidade, porque, não por acaso, a restrição orçamentária coincide com um aumento da demanda por hospitais públicos.

Segundo a Agência Nacional de Saúde Suplementar, planos de saúde perderam 910 mil clientes apenas no primeiro semestre deste ano.

Considerando-se um período de 12 meses, a queda foi de 1,64 milhão de pessoas, que passaram a pressionar ainda mais a demanda pelas redes federal, estaduais e municipais. Melhorar a gestão exige disposição política de enfrentar as corporações, que resistem à fixação de metas, à cobrança de desempenho e a outras ações indispensáveis.

É impossível prestar um atendimento pelo menos razoável obedecendo às normas anacrônicas que regem o funcionalismo.

É por isso que instituições públicas buscam melhorar de desempenho recorrendo a modelos de fundações, organizações sociais ou similares.

Estas, no entanto, não são o único caminho. Há experiências que demonstram que a incúria com as verbas não é um traço intrínseco da administração pública.

Uma Unidade de Pronto Atendimento da prefeitura em Senador Camará, Zona Oeste, mais que dobrou o volume de atendimentos e reduziu o número de reclamações de usuários de 30 para quatro a cada dez mil pacientes, sem aumentar o orçamento, segundo a Empresa Pública de Saúde do Rio de Janeiro.

Não importa mediante a que expedientes administrativos e estatutos legais, já passou da hora de o país dar um choque de gestão na saúde pública.

Hoje, porque a crise fiscal é desesperadora. E sempre, porque a racionalização e a austeridade no gasto estão implícitas no próprio conceito de República, não importam as circunstâncias.

Fonte: O Globo-06.09.2016.

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