Gestão

O SUS e o NHS-National Health System

Por Roberta Massa B. Pereira | 29.09.2016 | Sem comentários

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‘Todos os nascidos na Inglaterra após 1948 têm direito ao National Health System (NHS), e quase todos se mantêm fiéis à organização.’

A frase acima inicia o artigo publicado em 10 de setembro último pelo The Economist, um dos mais importantes jornais ingleses.

Esse vitorioso sistema de saúde, pago pelo cidadão, oferece serviço de qualidade gratuito e é tão precioso para o povo, que os políticos não tendem a querer melhorá-lo, mas sim a protegê-lo.

Contudo, seus custos têm sido maiores que o orçamento, em nove entre 10 hospitais.

Há greves de profissionais insatisfeitos, serviços de emergência foram fechados, e alguns tipos de cirurgias estão sendo adiados.

Com o envelhecimento crescente da população, não é tarefa simples manter a excelência no atendimento, que colocou o NHS como o melhor sistema de saúde do mundo, competindo nos últimos 15 anos com o francês, o sueco e o suíço, na eficiência e equidade.

O desafio é também evoluir, como o sistema alemão e o dinamarquês, que diminuíram o número de hospitais e aumentaram o grau de especialização desses grandes centros.

Complicações, erros diagnósticos e desperdícios ocorrem com muito mais frequência em hospitais com pouca experiência.

Tudo isso é possível quando existe um sistema integrado, no qual o médico de um posto de saúde tem como encaminhar seu paciente para um centro intermediário e, dependendo da complexidade da situação, para um grande centro regional.

O paciente tratado volta para o médico ou hospital de origem, mantendo um atendimento continuado, sem sobrecarregar o sistema e evitando consultas desorganizadas.

Apesar de todas essas conquistas, há um grande debate, e ele chega às páginas desse jornalão de economia pela falta de leitos, tomados por doentes crônicos e financiamento que não atende às demandas atuais.

O que os estudos apontam é que devemos incentivar a prevenção das doenças crônicas, que consomem 70% dos gastos com saúde.

Combater o fumo e a obesidade tem enorme impacto em diminuir a incidência do câncer, doenças pulmonares, diabetes e doenças cardiovasculares.

No Brasil, há problemas semelhantes ao que ocorre na Inglaterra, porém gastamos muito mais e oferecemos muito menos, sobram hospitais inacabados, aparelhos encaixotados, super-faturamento, parcerias que não são públicas (transparentes), sobreposição de ações e descontinuidades no cuidado.

Os planos de saúde não são fiscalizados de forma adequada, assim como a telefonia. Por quê?

Nosso SUS, criado em 1988 e semelhante ao NHS, vem sofrendo nos últimos anos uma tentativa perniciosa de desmonte.

Privatizar é copiar o modelo americano, que é o décimo colocado entre todos os sistemas do mundo desenvolvido.

Neste novo governo, cambaleante, é inacreditável assistir à falta de conhecimento do que realmente está ocorrendo na saúde.

Não que o legado tenha sido bom, mas qualquer governo tem que entender que a saúde é um direito de todos e um dever do Estado.

Está na Constituição. Não cabe interpretação.

Fonte: O Globo – 29.09.2016

Indicação de leitura: Ebook Lean Six Sigma em Saúde.

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