Tecnologia

Hospital digital: pré-requisitos para sua implantação

Por Roberta Massa B. Pereira | 18.10.2016 | Sem comentários

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O conceito de hospital digital vem ganhando notoriedade no mundo todo ao contemplar os hospitais certificados com progresso no atendimento, segurança para o paciente e aumento do faturamento.

Já podemos adiantar que o hospital digital é um estabelecimento hospitalar com ampla adesão da Tecnologia da Informação (TI), visando integrar e gerir seus recursos humanos e financeiros para o melhor funcionamento da instituição física.

Para tanto, deve-se implantar um modelo de adoção do prontuário eletrônico (EMRAM), que classifica as instituições em estágios.

Não parece promissor? Para saber o que é necessário para a adoção desse método, continue acompanhando nosso post!

Adotar a tecnologia do PEP

A implantação do Prontuário Eletrônico do Paciente (PEP) se torna cada vez mais atrativa para as instituições de saúde, especialmente por oferecer informações automatizadas e unificadas sobre o paciente.

Substitui assim os registros manuais, que muitas vezes apresentam dados inconsistentes, ilegíveis e até subjetivos demais.

O PEP oferece a possibilidade de integração de todas as informações do usuário, oferecendo à equipe clínica envolvida mais precisão e agilidade no atendimento.

Nesse cenário, o médico é favorecido com acesso rápido ao histórico clínico do paciente, com suas consultas e seus diagnósticos prévios.

Assim como tratamentos e resultados de exames já realizados, todos disponíveis e integrados, de modo a auxiliar a tomada de decisões.

Com essas facilidades, a efetividade clínica é significativamente potencializada.

Ser um hospital paperless

Ainda a respeito do PEP, outro benefício diretamente ligado a seu uso é a dispensabilidade de um grande espaço físico para armazenamento dos documentos impressos, uma vez que os prontuários passam a ser registros digitais.

Vale ressaltar que tais registros devem permanecer arquivados por pelo menos 20 anos a contar da data da última alteração.

E apesar de ser indiscutível a economia com insumos de papelaria e impressão, os ganhos ainda vão além dessa perspectiva.

Diminuir riscos e custos

Normalmente, quando recursos tecnológicos são colocados em prática, riscos e custos são minimizados — ou até mesmo totalmente eliminados.

Com a informatização da distribuição dos medicamentos aos pacientes, por exemplo, o horário e as doses são controlados, evitando tanto o uso inadequado como desperdícios.

Com tais recursos, também é possível estabelecer uma espécie de sazonalidade.

Sabendo que em determinados meses do ano prevalece a procura por certas especialidades em detrimento de outras, permitindo ao gestor hospitalar antever medidas para evitar congestionamentos no atendimento.

Para você ter uma ideia melhor, o setor de faturamento da Santa Casa de Misericórdia de Barra Mansa, no Rio de Janeiro, iniciou a informatização em outubro de 2014.

Hoje possui ampla visão gerencial, o que possibilita o planejamento de ações que aumentam valores e reduzem tempo de cobranças.

De acordo com o provedor da instituição, Jair Fusco, os resultados obtidos com a implementação dos sistemas superaram as expectativas.

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Cuidar dos dados arquivados

O acesso ao prontuário é disponibilizado aos profissionais de saúde envolvidos no tratamento, melhorando o trâmite de informação e, consequentemente, favorecendo um atendimento mais eficiente.

A precisão no tratamento e a satisfação do paciente são também fatores relevantes a serem considerados, assim como sua segurança e a confidencialidade das informações contidas no prontuário eletrônico.

Criar um projeto de infraestrutura

Antes mesmo de se preocupar com equipamentos e sistemas, a gestão hospitalar deve elaborar um delineamento do nível de automação desejado para, a partir daí, instituir ações para seu efetivo desenvolvimento.

Para a implantação dessa tecnologia no Brasil, a Associação Brasileira de CIOs de Saúde (Abcis) estabeleceu uma parceria com a Healthcare Information and Management Systems Society (HIMSS), que há mais de uma década desenvolveu o Electronic Medical Registration Adoption Model (EMRAM), um modelo de adoção do prontuário eletrônico.

Entender cada estágio do EMRAM

Esse modelo qualifica os hospitais em 8 estágios progressivos, que vão do 0 ao 7, sendo categorizada como 0 a instituição que não possui prontuário eletrônico e 7, a já considerada como hospital digital.

Cada fase indica o nível de investimento tecnológico e o devido uso desses recursos pelo hospital.

Os estabelecimentos de saúde qualificados no estágio 7 são mais lucrativos, com uma margem operacional maior e um menor índice de mortalidade.

No estágio 0, os sistemas auxiliares (LIS, RIS, PHIS) não estão instalados ou não há processamento de dados online provenientes de laboratório, radiologia, farmácia e prestadores de serviço externos.

Na próxima fase, esses sistemas estão em uso e, para tal, a tecnologia não pode apresentar falhas.

registro eletrônico do paciente com vocabulário médico controlado e a capacidade de troca de informações de saúde são características do estágio 2.

Já a etapa seguinte tem a documentação de enfermagem integrando o sistema.

Para certificação nos níveis 4 e 5, a instituição deve apresentar automatização da prescrição de serviços clínicos e medicação, bem como o Sistema de Comunicação e Arquivamento de Imagens (PACS) completo, dispensando o uso de filmes.

Nos últimos estágios, quase todo o ambiente hospitalar está informatizado.

No nível 6, há interação da documentação dos médicos com um sistema de suporte às decisões clínicas, com alertas sendo emitidos quando necessário, e o hospital pode adotar a checagem à beira do leito digital.

Na sétima e última categoria, o registro médico eletrônico está completo e em pleno uso, os relatórios de resultados são sistematizados e há garantia da qualidade e Business Intelligence (BI).

Os dados clínicos devem estar disponíveis entre todos os setores afins.

Investir em tecnologia e pessoal especializado

O cumprimento dessas etapas requer uma infraestrutura de TI que consiga garantir o acesso, lembrando que tão importante quanto obter as informações dos prontuários é assegurar que somente os profissionais envolvidos tenham permissão para visualizar tais dados.

Assim é possível garantir a privacidade do paciente e assegurar a proteção das informações.

Para tanto, a capacitação e o treinamento dos funcionários devem ser crescentes, acompanhando os investimentos da instituição em automatização rumo à certificação de hospital digital.

Os setores devem estar integrados, o que permitirá ao gestor obter todas as informações necessárias para a melhor tomada de decisões.

Para suportar o armazenamento e o tráfego intenso de informações, é primordial possuir uma central de dados arraigada e uma rede sem fio (wi-fi) completa, permitindo a comunicação entre todos os equipamentos para a transmissão dos dados.

Além disso, é fundamental salientar a importância de nobreaks e geradores, uma vez que os sistemas precisam estar disponíveis durante todo o tempo, garantindo acessibilidade ininterrupta.

 A prática de backups para assegurar a proteção dos dados também deve ser frequente.

É necessário, portanto, contar com o investimento em tecnologia de ponta, que apoie a gestão estratégica do hospital e favoreça a participação ativa do paciente, bem como é preciso ter uma equipe de TI altamente qualificada, devidamente treinada e certificada.

Diante de tudo isso, para receber a certificação como hospital digital de excelência, a gestão hospitalar deve contar com automação total dos serviços, investindo em tecnologia inovadora, capacitação dos profissionais e consultoria apropriada, visando tornar o atendimento mais eficiente, seguro, sustentável e, consequentemente, lucrativo.

Fonte: MV-Sistemas de Gestão-18.10.2016.

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