Gestão

Magnamed oferece equipamentos médicos eficazes e de baixo custo

Por Roberta Massa B. Pereira | 08.11.2016 | Sem comentários

Diante da epidemia do zika vírus acentuada no Brasil em 2015, o médico intensivista Rondineli Roberto dos Santos, 34 anos.

Que trabalha na linha de frente em um serviço de ambulância de emergências.

Passou a prestar os primeiros atendimentos para recém-nascidos em estado grave, no Recife (PE) e na região metropolitana do Estado.

O percurso da casa do paciente ao hospital ou de uma UTI a outra, feito tantas vezes por Santos, é um momento crucial para os bebês que estão no limite entre a vida e a morte.

É nessa situação extrema que um equipamento de ventilação pulmonar eficiente e de alta tecnologia pode ditar se o paciente sobrevive.

“Se uma ventilação inadequada for feita em um recém-nascido, pode causar, além do problema que nasceu, microcefalia ou algum comprometimento neurológico.

Mais uma complicação que, provavelmente diante do quadro, não suportaria”, afirma o médico.

Há cerca de dois anos, Santos utiliza o OxyMag, um ventilador pulmonar de transporte flexível capaz de ventilar desde recém-nascido a adulto sem a necessidade de programações mais complexas, em sua UTI móvel.

“Esse respirador ajudou muito os bebês que nasceram com maior comprometimento neurológico e não conseguiam respirar sozinhos”.

“Ele faz a função do sistema respiratório mecanicamente”.

O OxyMag é usado por enfermeiros e fisioterapeutas pulmonares, que entubam o paciente – sob a supervisão de um médico- em situações de emergência e risco de morte em unidades móveis.

A tecnologia brasileira foi desenvolvida há cinco anos pela Magnamed, empresa voltada ao mercado de cuidados críticos e ventilação pulmonar.

Criada pelo engenheiro mecânico Tatsuo Suzuki, 67, em 2005.

O empreendedor também desenvolveu o FlexiMag, em 2013, proporcionando a sua entrada no mercado de UTIs.

Na busca pela vida, quando não se pode perder tempo.

A facilidade e a flexibilidade do Oxymag permite que equipes de resgate e remoção se preocupem menos em programar um equipamento de alta complexidade tecnológica e tenham mais tempo para outros cuidados importantes com o paciente.

Que o diga a enfermeira Tatiane Aquino, 36, que tem menos de cinco minutos para tirar um paciente do estado crítico.

Trazê-lo de volta e dar uma qualidade de vida melhor para quando se recuperar.

“O tempo é ouro, é crucial na vida do doente, ainda mais em uma remoção”, afirma a socorrista.

Que há dois anos trabalha na Mais Vida Serviços de Saúde, atendimento de ambulância que atende emergências no Recife.

Outra característica do Oxymag destacada pelos profissionais da saúde é a durabilidade de sua bateria.

Ela possibilita maior autonomia em remoções feitas em lugares afastados, como comunidades ribeirinhas e cidades de interior distantes de hospitais com UTI.

“Já usamos o respirador da Magnamed até em uma criança de 450 gramas”, conta Vera Tronco, 53, enfermeira de bordo da Uniair, empresa de remoções aéreas.

“Ele não restringe o atendimento”. Os concorrentes oferecem equipamentos distintos para bebês, crianças e adultos.

Todo Brasil

Com 1.500 equipamentos (Oxymag e Fleximag) vendidos nos dois últimos anos.

A empresa estima que seus produtos tenham atendido 3 milhões de pessoas desde a sua criação, sendo um milhão somente em 2015.

Os números refletem um sonho antigo do empreendedor de devolver ao Brasil a boa educação pública que teve.

“Não digo que estamos fazendo uma revolução, mas tentando fazer o melhor possível para perpetuar nosso sonho de ajudar as pessoas.

O país, o mundo e fazer com que todos também pensem dessa forma”, afirma Suzuki.

Atualmente, a Magnamed comercializa seus produtos para todos os Estados brasileiros e já exporta para 40 países.

No Brasil, o mercado só tende a ser promissor.

Cerca de 72% da população depende exclusivamente do SUS para usar serviços de saúde.

De acordo com dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), de 2013.

Um dos problemas mais graves do sistema é justamente a ausência ou a presença de equipamentos obsoletos.

Não instalados ou sem manutenção, mostra o Relatório Sistêmico de Fiscalização da Saúde, do TCU (Tribunal de Contas da União), de 2014.

No SUS, 77% dos hospitais relataram bloqueio de leitos por falta de equipamentos mínimos.

Por identificar essa demanda de negócios que atuem na qualificação da oferta pública de saúde de forma inovadora.

Que a Vox Capital – fundo de investimento especializado em negócios de impacto social- selecionou a Magnamed para receber um aporte de R$ 10 milhões em 2015.

Segundo Gilberto Ribeiro, sócio do fundo, a capacidade da empresa vai além de seu potencial de crescimento.

Ela também pode oferecer equipamentos de qualidade que contribuam para a melhoria dos indicadores de saúde no país.

Custo X Benefício

Os aparelhos Oxymag e Fleximag são, de acordo com profissionais da área privada e pública, os que possuem melhor relação custo x benefício do mercado.

É leve (quase metade do peso dos já existentes), fácil de manipular e 50% mais barato que os similares importados, com a mesma confiabilidade.

De olho nas vantagens do respirador mecânico brasileiro, o diretor do Hospital São José, na zona norte de São Paulo, Antonio Jorge Martins, abriu mão dos produtos importados e resolveu apostar no aparelho.

Ele realizou uma série de testes e análises técnicas quando a Magnamed participou de licitação pública para fornecimento dos respiradores.

O equipamento, que atende os requisitos técnicos necessários para utilização no SUS, passou em todos.

“Um gestor público da saúde precisa tomar decisões com bom custo x benefício para otimizar os recursos, que são muito escassos “, afirma Martins.

“Isso significa salvar vidas, no final das contas.”

Na sua frente social, a Magnamed já fez doações de equipamentos para organizações de saúde.

Uma delas foi para a Expedicionários da Saúde, instituição sem fins lucrativos que realiza três expedições anuais para a realização de cirurgias de pequeno porte em populações indígenas geograficamente isoladas.

Em cada expedição, são feitas cerca de 250 cirurgias, 2.000 atendimentos clínicos e 4.000 procedimentos médicos.

Segundo Marcia Abdala, coordenadora da ONG, a parceria de mais de dois anos com a Magnamed foi relevante.

Pois não teriam recursos financeiros para adquirir um ventilador pulmonar de transporte.

Hoje, a Magnamed é líder no mercado brasileiro de ventilação pulmonar de transporte, segmento antes dominado por multinacionais.

Para 2016, o crescimento total esperado é de 100% em relação a 2015, chegando a uma receita bruta de R$ 36 milhões.

A empresa sediada em Cotia, desenvolve pesquisas e produtos com universidades, como a Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), e com hospitais, entre eles o Albert Einsten.

Fonte: Folha de São Paulo-08.11.2016.

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