Gestão

Doria negocia acordo com a Santa Casa em promessa do ‘corujão da saúde’

Por Roberta Massa B. Pereira | 25.11.2016 | Sem comentários

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Em meio a uma grave crise financeira, mas com capacidade ociosa de atendimento estimada em cerca de 2.000 pessoas ao dia.

A Santa Casa de São Paulo deverá ocupar papel central no programa “Corujão da Saúde” na futura gestão João Doria (PSDB).

Principal bandeira de campanha tucana na área da saúde, o programa prevê o uso de instalações da rede hospitalar privada das 20h às 8h para zerar.

No prazo máximo de um ano, uma fila estimada em 417 mil exames.

O objetivo do prefeito eleito é ter uma rede de 50 hospitais privados no programa.

Até a última quinta, 41 instituições já estavam apalavradas com a equipe de transição para firmar convênios com o município a partir de janeiro.

A prefeitura repassa recursos, e a instituição coloca funcionários e equipamentos à disposição para exames.

A possibilidade de utilização da Santa Casa no programa surgiu em conversas nos últimos dias entre o futuro secretário municipal de Saúde, Wilson Pollara, e integrantes da cúpula do hospital.

Esse acordo será conveniente para ambos os lados.

Primeiro, para a própria gestão Doria, porque conseguiria reduzir uma das principais críticas ao “corujão”: o horário de atendimento.

Isso porque a Santa Casa tem capacidade para agendar atendimentos a partir das 14h, já que seus 1.300 procedimentos diários estão concentrados entre 7h e 14h.

Durante a campanha, Doria disse que os exames poderiam ser feitos de madrugada.

No caso da Santa Casa, outro atrativo é a localização.

O hospital fica na região central, próximo a terminais de ônibus e estação de metrô.

Além disso, o convênio será uma forma de o município ajudar financeiramente o hospital, que luta para manter as portas abertas e tem dívida estimada em R$ 800 milhões.

Uma ideia do risco que isso representa ocorreu em julho de 2014, quando os ex-administradores do hospital fecharam o pronto-socorro por um período de cerca de 30 horas.

O valor do convênio, se confirmado, dependerá da quantidade e tipo de serviços contratados.

A Santa Casa tem um leque superior a 35 tipos de exames e especialidades (de pediatria a geriatria).

Social

A ideia de parceira com a Prefeitura de São Paulo também tem simpatia das entidades privadas de saúde, que já marcaram agendas de trabalho para o início de dezembro.

Nesses encontros, deverão ser definidos a capacidade de atendimento e os valores dos serviços prestados.

Em geral, as negociações em torno do “corujão” têm ocorrido entre a equipe de transição e as associações médicas, não diretamente com os hospitais.

“Para os nossos hospitais, eu diria que é menos uma questão de negócio e mais uma contribuição social com aquilo que a gente acha que a cidade merece”, disse Francisco Balestrin, presidente da Anahp (Associação Nacional de Hospitais Privados).

“Nós vamos participar, sim, mas movidos por esse princípio. Princípio de colaboração cidadã”, completou.

Balestrin disse que a rede privada já faz exames e atendimentos na madrugada e fins de semana e, por isso, não vê motivos para críticas com relação aos horários.

Essa seria uma experiência que o serviço público pode absolver.

“A demanda de saúde continua de noite e no final de semana, nos feriados, inclusive.

A doença não sabe que ela tem que acontecer de segunda a sexta, das 8h às 17h.”

O presidente do Sindhosp (Sindicato dos Hospitais, Clínicas e Laboratórios do Estado de São Paulo), Yussif Ali Mere, disse considerar essa parceira benéfica a todos, incluindo ao próprio setor.

“Acho uma ideia muito boa porque otimiza recursos.

Nós imaginamos que seja bom para o serviço e, principalmente, porque vai desafogar esse gargalo na saúde que existe há anos”, disse ele.

“Estamos levantando o que as clínicas podem oferecer para a prefeitura no espaço ocioso que elas possuem.”

Fonte: Folha de São Paulo-25.11.2016.

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