Gestão

Inovações revolucionam a saúde

Por Roberta Massa B. Pereira | 30.11.2016 | Sem comentários

As inovações na indústria da saúde estão levando a uma revolução na forma como as enfermidades são prevenidas e tratadas.

No Brasil, apesar de ainda se concentrarem em ilhas de excelência, as novas tecnologias de apoio a gestores, profissionais e pacientes tendem a se disseminar, impulsionadas por avanços na inteligência artificial, internet das coisas e integração de dados pela nuvem, entre outras áreas.

De olho em um mercado que corresponde a 9,5% do Produto Interno Bruto (PIB), os grandes fornecedores globais apostam na digitalização da saúde para oferecer soluções que aumentem a produtividade e a eficiência.

Cirurgias auxiliadas por robôs e softwares que aprendem com o uso e dispositivos para monitoramento remoto de pacientes são algumas das inovações disponíveis.

Um campo promissor é a telemedicina, que já beneficia pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) em especialidades como cardiologia, dermatologia e radiografia.

A Siemens lançou recentemente a primeira sala de comando remoto do mundo para equipamentos de ressonância magnética, que permite ao especialista realizar os exames de qualquer lugar por meio da internet.

Na parte laboratorial, o sistema CentralLink fornecido pela empresa dá autonomia para a liberação automática de 80% dos resultados de exames sem necessidade de revisão por um responsável técnico.

“O Brasil é o sétimo maior mercado em diagnósticos e acreditamos no enorme potencial de pesquisa e inovação do país, tanto que investimos na fabricação local de nossos equipamentos e fortalecemos parcerias com universidades”, diz o CEO da Siemens Healthineers no Brasil, Armando Lopes.

O Laboratório Fleury é o primeiro do país a usar um sistema de tecnologia cognitiva para diagnósticos com análise genômica.

Desenvolvido pela IBM, o Watson aprende interagindo com profissionais de saúde e consegue correlacionar dados científicos com os atributos dos pacientes.

A tecnologia também está sendo utilizada pela indústria farmacêutica TheraSkin na pesquisa de novas drogas.

“O Watson empodera os cientistas, que agora fazem em minutos o que antes levavam meses”, diz o responsável pela área no Brasil, Eduardo Cipriani.

A partir de dezembro, o sistema passa a ser usado no tratamento de câncer, por um hospital de nome ainda não divulgado.

“Tenho 20 anos de experiência na área e nunca vi tantas startups”, comenta a diretora sênior global de software para gestão hospitalar da Philips, Solange Plebani.

Para ela, dois fatores têm impulsionado a inovação. O primeiro é a dificuldade em manter a qualidade dos serviços de saúde, diante do aumento da expectativa de vida e de doenças crônicas.

O segundo é a busca por mais resultados para o paciente, que tem ganhado protagonismo nos cuidados continuados.

Uma parceria da empresa com a Unimed de Maringá (PR) lançou o sistema PrevMed para mapear a saúde de 180 mil clientes e desenvolver ações específicas de prevenção de doenças.

Aumentar a produtividade pelo investimento em inteligência e conectividade é o foco da GE Healthcare.

“Temos nos colocado hoje muito mais como uma empresa de consultoria que como uma vendedora de equipamentos”, diz o presidente Daurio Speranzini Júnior.

Ele lembra que essa mudança passa também pelo redesenho de processos, layout de ambientes e fluxo de pacientes.

Uma das grandes demandas pela consultoria da empresa vem de hospitais privados que buscam aperfeiçoar suas áreas de emergência.

O Hospital 9 de Julho, de São Paulo, acaba de fechar parceria com a Microsoft e será o primeiro do mundo a implantar uma tecnologia de ponta para monitorar situações de risco dos pacientes.

Por meio de sensores de imagem, o sistema detecta movimentos fora do padrão, como a iminência de uma queda do paciente.

“O que identificarmos na pesquisa vai ser aplicado em outros países”, afirma o diretor geral Alfonso Migliore Neto.

No dia 24, o hospital inaugurou uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) high tech para pacientes com câncer.

Em breve, vai comprar por US$ 3,5 milhões o segundo robô Da Vinci, que faz cirurgias.

“A digitalização democratiza o acesso à saúde”, diz o gerente médico do serviço de Telemedicina do Hospital Israelita Albert Einstein, Eduardo Cordioli.

Um dos serviços oferecidos pela instituição é o Programa Cuida Diabetes, que emprega um aplicativo de celular para apoiar os pacientes nos cuidados com a saúde.

O software usa linguagem natural para responder automaticamente às dúvidas dos usuários e aprende com as orientações da equipe de saúde.

Outros aplicativos semelhantes auxiliam na gestão do pré-natal e do calendário de vacinas.

Fonte: Valor Econômico-30.11.2016.

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