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Com compra do Salomão & Zoppi, Dasa ganhará maior credibilidade

Por Roberta Massa B. Pereira | 23.01.2017 | Sem comentários

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Após anos de assédio dos investidores e concorrentes, os fundadores do Salomão&Zoppi venderam 100% da rede de laboratórios para a Dasa em menos de 20 dias.

A transação, assinada na madrugada de sexta-feira, foi avaliada em R$ 600 milhões, sendo que parte será paga em dinheiro e outra fatia em ações, segundo antecipou o Valor Pro, serviço de tempo real do Valor.

O que motivou os fundadores – os médicos Luis Salomão e Paulo Zoppi – a fechar a transação em tão pouco tempo foi o descredenciamento, em outubro, feito pela Bradesco Saúde, que representava cerca de 25% da receita do SalomãoZoppi.

Com o faturamento em queda, o SalomãoZoppi se viu fragilizado e começou a ser fortemente assediado.

A Alliar foi uma das que procuraram a SalomãoZoppi. A ideia era reforçar a operação de IPO (oferta inicial de ações) da Alliar.

O presidente da Dasa, Pedro Bueno, foi rápido e conseguiu convencer os fundadores a vender a rede paulista de laboratórios nas primeiras semanas de janeiro.

Também contou ponto o fato de o presidente do conselho da Dasa, Romeu Cortes Domingues, ser amigo dos fundadores da rede paulista.

O interesse do mercado em torno do SalomãoZoppi nem é tanto pelo tamanho da rede que tem nove unidades em São Paulo, mas, principalmente, devido ao prestígio junto à comunidade médica.

A maior parte dos exames de ginecologia e obstetrícia chega ao laboratório por indicação de médicos.

No setor de medicina diagnóstica, esse reconhecimento é relevante  e a Dasa sabe bem disso.

Por volta de 2010, sua principal marca, o Delboni Auriemo, tinha forte rejeição dos médicos e a atual diretoria fez um longo trabalho para reconquistar a credibilidade.

“Com a aquisição, a Dasa vai atender o público intermediário alto e passa a prestar serviço desde a base até o topo da pirâmide.

Além disso, vai concorrer diretamente com os laboratórios da bandeira a+, do Fleury, e dificultará a entrada de outros ‘players’ “, disse Aleardo Veschi, sócio da Hunter Capital, assessoria de fusões e aquisições.

A bandeira premium da Dasa é a Alta Medicina Diagnóstica e o Lavoisier posiciona-se como a marca voltada ao público popular.

Há uma expectativa de que esse setor passe por um novo “boom”, com a chegada de novos concorrentes.

Isso porque a Alliar abriu o capital em outubro levantando mais de R$ 750 milhões, o mineiro Hermes Pardini  também deve fazer um IPO neste ano e as duas maiores empresas do setor, Dasa e Fleury, terminaram há pouco uma profunda reestruturação e estão com caixa para fazer aquisições.

Segundo estimativas do BTG, o valor da aquisição equivale a 11,4 vezes o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) do SalomãoZoppi.

“O Fleury é negociado a 12,5 vezes o Ebitda. No entanto, é importante ter em mente que o S&Z foi recentemente descredenciado pela Bradesco Saúde.

Mas, com a Dasa sendo a nova acionista  poder haver uma aceleração no processo de re-credenciamento”, informou relatório do BTG, assinado pelos analistas Rodrigo Gastim e Gustavo Cambauva.

Segundo fontes do setor, a transação envolve ainda um pagamento adicional aos fundadores do SalomãoZoppi em caso de cumprimento de metas.

Os médicos vão continuar à frente do negócio. A transação ainda depende de aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

Valor Econômico-23.01.2017.

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