Gestão

UnitedHealth Brazil deve ter lucro neste ano

Por Roberta Massa B. Pereira | 16.02.2017 | Sem comentários

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“É um choque. Íamos viajar na próxima quinta-feira. Era uma oportunidade para compartilhar decisões, havia uma sinergia de conhecimento entre nós.

Agora, vamos tocar a operação com todo o respeito e ter perseverança que é o que ele, provavelmente, faria se estivesse no nosso lugar”, disse Claudio Lottenberg.

Médico que assumiu há dois meses a presidência da UnitedHealth Group Brazil, ao ser indagado sobre a morte de Edson Bueno, ontem no período da tarde.

Horas antes, quando o falecimento do fundador da Amil ainda não havia sido anunciado, Lottenberg concedeu ao Valor sua primeira entrevista como presidente da companhia.

Nos últimos 15 anos, Lottenberg presidiu o Hospital Albert Einstein e o convite para assumir a liderança da companhia americana no Brasil partiu do próprio fundador da Amil, que comandou a maior operadora de saúde do país durante 38 anos, e levou dois anos para convencê-lo a assumir a empreitada.

Entre as metas estabelecidas pelo novo presidente estão encerrar o ano com a Amil no azul. “O resultado vai ser positivo”, disse.

Desde 2012, quando foi adquirida pelos americanos, a operadora registra prejuízo.

Em 2015, a perda líquida foi de R$ 107,5 milhões, mas esse valor já representou uma redução de 63% quando comparado a 2014.

Boa parte do prejuízo nos últimos anos deveu-se a mudanças na forma de contabilizar as provisões da Amil, uma vez que as empresas americanas têm regras mais rigorosas.

No acumulado dos nove primeiros meses de 2016, a operadora apurou receita de R$ 12,3 bilhões.

A operadora é hoje o principal negócio da UnitedHealth Group Brazil, que fez uma divisão em sua estrutura.

Desde outubro, o grupo tem também um braço de hospitais e clínicas, o Americas Serviços Médicos, e outro focado em tecnologia aplicada à saúde por meio da Optum, maior empresa desse segmento nos Estados Unidos.

Em 2016, o faturamento da UnitedHealth Group Brazil foi de R$ 20,5 bilhões. Já no mundo, a receita somou US$ 184,8 bilhões e o lucro líquido foi de US$ 7,3 bilhões.

Apesar da retração no mercado nacional de planos de saúde, que perdeu cerca de 1,5 milhão de usuários em 2016 por causa do desemprego, a UnitedHealth vai manter o mesmo patamar de investimento no valor de R$ 600 milhões para expansão orgânica neste ano.

Esses recursos serão destinados a operadora, hospitais, clínicas e tecnologia. “Esse valor não inclui aquisições, mas estamos sempre abertos e analisando ativos do mercado”, disse.

Das três áreas de atuação da companhia, o segmento de hospitais e clínicas tem sido o mais agressivo no que diz respeito à fusões e aquisições.

No último trimestre, por exemplo, foram adquiridos dois importantes hospitais dos grupos Ana Costa e Santa Helena, ambos em São Paulo.

Um dos principais desafios de Lottenberg à frente da UnitedHealth será equilibrar as contas dos planos de saúde e dos hospitais.

Hoje, quanto maior o ganho do hospital, menor é a rentabilidade da operadora e vice-versa.

Não à toa, a inflação médica está na casa dos 20%, ou seja, muito acima dos outros indicadores de mercado.

Apesar de ter liderado um dos hospitais mais caros do país, o médico critica o atual modelo de saúde no Brasil, que coloca o hospital no centro do sistema – o que ele considera equivocado e dispendioso.

“Hoje, 50% do custo da saúde vem do hospital, é a principal porta de despesa. Isso precisa mudar.

Defendo que o Americas seja uma área de prestação de serviços médicos e não só uma rede hospitalar”, explicou.

O Americas conta com 22 hospitais, redes de clínicas oncológicas e oftalmológica que atendem pacientes particulares e de outras seguradoras.

Há ainda mais 12 hospitais voltados para os clientes da Amil.

Uma de suas principais apostas para reduzir custos no setor é a tecnologia, o ‘big data’, principalmente no atendimento médico.

“Há muito desperdício por causa de uso excessivo, falta de protocolos e métricas, fraudes.

A tecnologia possibilita fazer comparações de perfis epidemiológicos de forma granular e calcular melhor os custos de um plano de saúde, por exemplo”, explicou.

Segundo o médico, um dos próximos passos é oferecer a plataforma da Optum para o Sistema Único de Saúde (SUS) a fim de baixar o desperdício na rede pública.

Algumas conversas da companhia com secretarias de saúde já foram iniciadas e uma das argumentações de Lottenberg é que a plataforma de tecnologia é usada com sucesso pelo Medicare e Medicaid, sistemas públicos de saúde nos Estados Unidos.

O presidente da UnitedHealth, que foi secretário municipal da saúde em 2005, é um entusiasta das parcerias público privadas (PPP).

“Com a limitação do orçamento do governo, a situação na saúde pública vai ser ainda pior. O setor privado tem gestão e pode contribuir muito.”

Fonte: Valor Econômico-16.02.2017.

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