Gestão

O impacto da liderança médica na gestão hospitalar

Por Roberta Massa B. Pereira | 17.02.2017 | Sem comentários

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Em tempos que a saúde requer otimização no atendimento, minimização de recursos e interligação de setores, o médico deve buscar engajar equipes e estimular resultados 

A busca constante pelo aprimoramento do atendimento mostra que liderança será mais uma das funções médicas de relevância para o hospital.

Além dos desafios comuns da profissão, que exigem aplicação de todo o conhecimento de anatomia, fisiologia, farmacologia e patologia aprendidos na graduação, um médico precisa lidar com seu papel de autoridade em uma entidade de saúde.

Um dos principais equívocos é acreditar que líderes são, efetivamente, natos. Mesmo CEOs, empresários e empreendedores precisam de treinamento, prática e aprendizado para conseguir conciliar as duas tarefas.

O tema liderança em Saúde é, geralmente, deixado de lado frente à urgência dos demais assuntos, entretanto poderia ser, exatamente, o antídoto para a recorrência desses problemas que exigem resposta rápida, explicam especialistas.

Por não ter uma visão integral do que ocorre no hospital, o médico não consegue apresentar soluções estratégicas que auxiliem a retirar a sobrecarga da assistência.

“O líder antigo está acostumado com um modelo centrado na patologia, produtor de procedimentos e dependente de custos elevados”, afirma o médico Rubens Covello, vice-presidente do Colégio Brasileiro de Executivos da Saúde (Cbexs).

Covello explica, ainda, que o novo líder é aquele que desconstrói os paradigmas que por muito tempo nortearam o funcionamento da Saúde, já que, agora, ele deve ter “a capacidade de sensibilizar a alta administração e engajá-la na gestão da qualidade”.

Covello expõe alguns princípios excepcionais que devem nortear a postura do médico na hora de pensar além das suas funções cruciais e descobrir-se líder.

Como disposição para encarar novos desafios e ousar, apostando em novas tecnologias, incentivando o progresso, sabendo os momentos de arriscar com prudência e segurança; sensibilidade para tomar decisões corretas, de forma ética e transparente.

Entendendo, ao mesmo tempo, que nem todas as relações dentro de um hospital são baseadas em protocolos, processos e resultados e, por fim, compreensão do hospital e de sua cadeia de funcionamento como um todo, superando o ponto de vista individual.

A importância da liderança médica para o hospital

O sistema de Saúde sofre, constantemente, com severas críticas. Demora no atendimento, longas filas de espera e falta de recursos para a obtenção de um atendimento de qualidade são algumas das reclamações.

O médico, como líder, pode estimular a implantação de soluções de gestão integrada, como o ERP (Enterprise Resource Planning) e o PEP (Prontuário Eletrônico do Paciente), operando como uma espécie agente evangelizador da transformação do hospital convencional em Hospital Digital, por exemplo.

Assim como em qualquer caso de liderança, a postura e a imagem do médico impactam diretamente em sua capacidade de influência e, dessa maneira, nos resultados esperados.

Para motivar a equipe e conduzir a mudança, tanto estrutural quanto de mentalidade, o médico precisa “vestir a camisa” da liderança e seguir alguns princípios essenciais para lidar com as turbulências da Saúde. Rubens Covello lista alguns deles:

1. Respeite os valores da instituição: o líder entende que, apesar de sua autonomia, é preciso manter-se de acordo com as regras e a cultura do hospital, valorizando e respeitando essas diretrizes.

2. Sensibilize a alta administração: para promover a mudança, é preciso fazer com que seus superiores entendam a proposta e estejam de acordo com ela e que possam, assim, apoiar suas medidas, facilitando a disseminação pelos setores subsequentes.

3. Envolva todas as camadas: é preciso que todos estejam envolvidos nessa mudança e estejam realmente por dentro de todas as transformações, contribuindo, cada um em seu setor, para o desenvolvimento em conjunto.

4. Vá além da racionalização de processos: dedicar-se à esfera emocional é parte crucial dessa função de liderança médica, já que visa humanizar as relações, valorizando o papel de cada funcionário dentro do hospital.

5. Seja condizente com a mudança: não adianta exigir dos outros se você mesmo não age de acordo com o que prega.

Como líder, é preciso, mais do que nunca, ter uma postura que sirva de exemplo, aconselha Covello.

6. Esteja atento e dedicado: para estreitar os laços e criar um envolvimento realmente genuíno, o médico precisa se empenhar em cultivar o engajamento.

7. Lidere os líderes informais: existem diversos níveis de liderança dentro da estrutura de um hospital.

Esses podem ser grandes aliados, fortalecendo o gerenciamento quando há uma equipe muito grande.

8. Implemente soluções formais: há uma série delas, como, por exemplo, melhoria de infraestrutura, sistema de recompensa e treinamentos. Isso motiva a equipe, ampara o crescimento e leva a instituição mais longe.

9. Implemente soluções informais: não menos importantes do que as soluções formais, essas ideias não precisam de burocracia, rigor e padrões para florescer.

Criatividade e simplicidade também podem ser ferramentas para resolução de problemas.

10. Monitore e analise resultados: acompanhar os dados, números e índices da instituição pode dizer muito sobre o rumo que ela está tomando.

Estar atento a isso embasa, muito melhor, a tomada de decisões, finaliza Covello.

Fonte: MV Sistemas de Gestão-17.02.2017.

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