Gestão

Santa Casa de São Paulo terá novo provedor a partir de abril

Por Roberta Massa B. Pereira | 23.02.2017 | Sem comentários

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O médico pediatra José Luiz Setúbal, 60, anunciou nesta quarta-feira (22) que deixará o comando da Santa Casa de São Paulo assim que terminar o prazo de seu primeiro mandato, em abril, dois anos depois de assumir o cargo, sem concorrer à reeleição. Ele afirma que a decisão é irrevogável.

O acionista do banco Itaú atribuiu a medida a um “forte estado de de estresse”, a um desgaste emocional e à dificuldade de se relacionar com a “irmandade”, mesa que participa do comando da instituição de saúde, uma das maiores da América Latina.

“Ao longo do meu mandato, já tive de ser submetido à colocação de nove stents [tubo que regula o fluxo sanguíneo] de maneira preventiva. Em março, farei outro exame.

Penso diferente de boa parte das pessoas e sempre busco o consenso e e isso dá muito trabalho”, afirmou o médico à Folha.

Até a eleição de Setúbal, que foi, conforme sua vontade, com candidato único, a Santa Casa vivia a pior crise financeira e institucional de sua história e acumulava dívidas de R$ 773 milhões.

No final do ano passado, um acordo com a Caixa Econômica Federal deu novo fôlego à instituição, com um empréstimo de R$ 360 milhões, que possibilitou renegociações com fornecedores e credores.

“Não foi uma decisão fácil [deixar o comando]. Meu envolvimento foi de corpo e alma, mas conversando com amigos e familiares cheguei à conclusão que minha cota de sacrifício já foi dada.

A crise mais intensa já passou.”

Embora a situação geral do complexo, que conta uma faculdade de medicina e diversas instalações, tenha melhorado, conforme diz o próprio provedor, ela ainda é “muito delicada” e não se afasta a possibilidade de uma novo momento de instabilidades.

“A Santa Casa é hoje uma instituição muito mais sólida, mas é frágil e esta sujeito a novas instabilidades. Isso é verdade.

A instituição precisa urgentemente discutir sua governança, abrir-se para um nome jeito de administrar, o que foi que foi minha grande frustração em não conseguir fazer”.

Setúbal não conseguiu que a mesa diretora da instituição aprovasse em seu novo estatuto mudanças que imporiam novas regras de conduta ética, divisão de poderes e de responsabilidades.

“Deixo uma gestão que prezou pela transparência, pela busca da eficiência e pela meritocracia, tentando acabar com o nepotismo e regalias. Mas não tenho como ficar mais.

É fácil não assumir responsabilidades me criticarem quando apenas eu assino papéis.”

A gestão também fica marcada pela dispensa de cerca de 2.000 funcionários [o total recuou de cerca de 11 mil para 8.400, com o corte de prestadores de serviço incluído], da diminuição do número de atendimentos e de realização de cirurgias eletivas e do fechamento de alguns serviços, medidas que foram tomadas com a justificativa de enquadrar o hospital a sua realidade financeira e aos repasses de verbas públicas.

Dentro das dívidas da instituição ainda há um passivo trabalhista. O pagamento do 13º de 2014 não foi quitado e há parcelamentos de acertos em curso.

“Avalio como boa a minha relação com os funcionários, que me cumprimentam e sempre me respeitaram.

Ando normalmente pelo hospital e meu carro nunca foi vandalizado. Infelizmente, não consegui cumprir a meta de pagar o salário em atraso.”

Futuro

O provedor da Santa Casa pretende, a partir do segundo semestre, retomar o seu trabalho diário na presidência da Fundação José Luiz Egydio Setúbal, detentora do Hospital Infantil Sabará.

Ele afirma que não irá se afastar da Santa Casa e que não tem rancor da instituição.

“Em nenhum momento minha paixão pela instituição mudou. Gosto de dizer que se arrependimento matasse, eu estaria vivo. Não sou uma unanimidade, penso diferente dos outros.

Acho que sou um homem à frente do pensamento da própria organização da Santa Casa. Tenho conceitos mais modernos, o que leva a desgastes, é cansativo.”

Setúbal pretende apoiar o advogado Antonio Penteado Mendonça para assumir a vaga de provedor. Ele fez parte da chapa de Kalil Rocha Abdalla, apontado como o pivô da derrocada da Santa Casa e investigado por irregularidades em sua gestão, o que ele sempre negou.

“Conversei com várias pessoas que não se dispuseram a se candidatar e o Antonio Penteado acabou cedendo.

Ele é do bem, tem uma história com a instituição, que ainda é muito frágil. Uma pessoa só não pode estragar o que foi feito. Risco sempre há, mas as pessoas estão muito comprometidas”, declarou Setúbal.

Fonte: Folha de São Paulo-23.02.2017.

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