Saúde

Carne brasileira não oferece risco à saúde pública, diz Ministério da Agricultura

Por Roberta Massa B. Pereira | 20.03.2017 | Sem comentários

Produtores também são vítimas, segundo presidente da Confederação Nacional da Agricultura.

O governo está reunido na tarde desta segunda-feira preparando uma contra-ofensiva para tentar contornar os efeitos negativos da operação Carne Fraca no mercado brasileiro.

O presidente Michel Temer já se reuniu com o ministro Blairo Maggi no Palácio do Planalto e agora recebe representantes dos produtores de carne.

No fim do dia ainda encontra embaixadores dos países importadores de carne para começar a disseminar uma explicação oficial sobre o caso.

Para o secretário de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura (Mapa), Luís Eduardo Rangel, é preciso reagir rapidamente, mas, até agora, não foram detectados riscos para a saúde pública.

Já o presidente da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), João Martins, houve “pirotecnia” por parte dos policiais envolvidos na operação. Para ele, os produtores “também são vítimas”.

— Reação imediata é muito importante para dar satisfação ao povo brasileiro. Nós, produtores rurais, somos também vítimas.

Eu acho que se o governo tiver explicações convincentes nós não vamos ter nenhum prejuízo.

Com certeza tem exagero pelo numero de policiais. Houve (pirotecia) — disse Martins.

Segundo o secretário de Defesa Agropecuária, não foi identificada até agora a necessidade de retirar lotes de carnes das prateleiras de supermercados, mas que o Mapa tem mecanismos para rastrear todo o produto e recolher aquele que oferecer risco à saúde da população.

Até agora, disse, nenhum país que compra a carne brasileira se antecipou em suspender o comércio. Estão todos “esperando um pronunciamento oficial do governo brasileiro”, informou.

— Todas as informações citadas são preocupantes, do ponto de vista da corrupção, da organização criminosa que foi desarticulada, mas do ponto de vista sanitário nós estamos muito tranquilos que as questões apontadas não trazem risco para a população, nem para a exportação.

A carne que foi comercializada não traz risco à saúde pública — disse Rangel.

Ao sair da reunião com Temer, o presidente da CNA afirmou que a cadeia produtiva e de fiscalização da carne não pode ser criminalizada por um esquema de corrupção que envolveu alguns funcionários.

— Nós temos mais de 4 mil unidades no Brasil, isso aconteceu em três unidades. Isso não significa que nosso sistema de industrialização seja frágil. Nossa defesa sanitária é frágil? Não.

Nós temos mais de 11 mil funcionários espalhados por esse Brasil. Se 32 tiveram desvios de conduta, isso não significa que todos os funcionários da defesa sanitária do Brasil sejam corruptos. O que precisa nesse momento é o governo ter firmeza para punir quem precisa ser punido.

Após a reunião, da qual participou o diretor da Polícia Federal, Leandro Daiello, o presidente da CNA mudou de tom e disse que não cabe a ele “penalizar” o trabalho do órgão, pois quando o assunto é segurança alimentar, todo exagero é pouco.

Segundo ele, os policiais estavam cumprindo uma determinação da Justiça de fiscalizar os frigoríficos e indústrias que burlavam a vigilância sanitária.

— Quando se fala de segurança alimentar, todo exagero ainda é pouco porque segurança alimentar leva até a morte.

Não vamos avaliar se a Policia Federal está correta, ela vive neste momento no Brasil com a carga muito grande e não devemos penalizá-la por qualquer tipo de atitude — afirmou.

Fonte: O Globo: 20.03.2017.

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