Tecnologia

Google desafia Apple em inteligência artificial, setor da saúde será afetado

Por Roberta Massa B. Pereira | 19.05.2017 | Sem comentários

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Sundar Pichai, presidente-executivo do Google, vem dizendo há mais de um ano que a inteligência artificial mudará tudo que a companhia de internet que ele dirige faz.

As pessoas reunidas para a conferência anual de desenvolvedores do Google, nesta semana, no Vale do Silício, puderam, enfim, perceber quanta coisa deve mudar.

Na mais visível demonstração de sua ambição de estender o alcance de seus serviços acionados por inteligência artificial, o Google lançou seu novo assistente inteligente.

O Assistant— como app para o Apple iPhone, em oposição direta ao sistema Siri, da Apple, em um duelo de agentes inteligentes.

O anúncio de um novo serviço de computação para empresas e governos atraiu menos atenção, mas espera usar os mesmos poderes de inteligência artificial que acionam os serviços do Google.

“Compreendemos que não vamos resolver todos os problemas de aprendizado automático sozinhos”, disse Jeff Dean, um dos principais pesquisadores de inteligência artificial do Google.

Em lugar disso, as técnicas desenvolvidas pelo Google para reconhecimento de voz e imagens estão sendo licenciadas para que empresas as apliquem como preferirem.

Elas poderão usar essas tecnologias para resolver problemas de computação que enfrentam, como a detecção de fraudes e a análise de grandes volumes de dados de saúde de pacientes, disse.

O novo serviço de computação também conduzirá o Google a um envolvimento mais profundo no setor de chips, fazendo dele um concorrente improvável para as empresas que vêm criando a base computacional da era da inteligência artificial, a exemplo da Nvidia e da Intel.

A empresa de internet informou que os usuários de seu serviço de nuvem terão acesso a servidores baseados em chips projetados por ela, conhecidos como Tensor Processing Units, ou TPUs.

“Isso pode ter consequências importantes”, disse Chirag Dekate, analista da empresa de pesquisa Gartner, acrescentando que a novidade mudaria o passo em termos da potência disponível para que empresas analisem os seus próprios dados. “Será difícil para os rivais concorrer com o desempenho do Google.”

No centro do esforço de inteligência artificial está o Assistant.

O Google demonstrou nesta semana de que maneira a tecnologia poderia ser usada como uma camada inteligente adicionada a outros serviços, por exemplo para ajudar o usuário a descobrir mais sobre objetos reais cujas imagens tenha capturado com as câmeras do celular.

O Assistant foi projetado para ampliar seus conhecimentos —e sua utilidade— à medida que se expande para mais aparelhos e começa a servir como fundação a mais serviços, disse Dean. “Estamos começando a chegar a pontos de integração com terceiros”, afirmou.

Lançado no fim do ano passado, no smartphone Pixel, do Google, e no Home, o Assistant ainda está em estágio inicial de desenvolvimento.

A empresa também enfrenta feroz competição da Amazon, que agiu rapidamente para consolidar a vantagem inicial conquistada pelo seu serviço Alexa, acionado por voz.

Mas o Google vem se preparando para uma batalha que deve durar anos.

Parte do processo é o lançamento de um app do Assistant para o iPhone. Por não ser “nativo” da plataforma Apple, o app não será capaz de fazer algumas coisas que a assistente digital Siri faz, como ajustar o despertador do celular.

O Google espera mais que compensar essas deficiências ao operar serviços próprios, como o Maps, e ao incorporar uma compreensão mais profunda do usuário, baseada nas interações deste com outros aparelhos.

Se as pessoas começaram a empregar serviços como esse para levar uma experiência comum a todos os aparelhos que usam, isso pode fazer de software como o Assistant uma nova plataforma de computação.

De acordo com Milanesi, criar um grande desafio para a Apple, que tende a restringir serviços como a Siri aos seus próprios aparelhos a fim de impulsionar a venda de hardware.

“O Assistant saberá muita coisa que a Siri não sabe”, disse Carolina Milanesi, analista da Creative Strategie.

O smartphone ainda domina a computação. Mas, à medida que as novas plataformas acionadas por inteligência artificial tomam forma, um possível sucessor para as telas de toque e lojas de aplicativos atuais pode estar começando a entrar em foco.

Fonte: Folha de São Paulo – 19.05.2017.

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