Qualidade

Classificação internacional de segurança do paciente em procedimentos cirúrgicos

Por Roberta Massa B. Pereira | 20.06.2017 | Sem comentários

A lista de verificação de segurança cirúrgica da Organização Mundial da Saúde (OMS) foi desenvolvida após uma extensa consulta a especialistas mundiais.

A lista tem como objetivo diminuir erros e eventos adversos decorrentes de procedimentos cirúrgicos, através do estímulo ao trabalho em equipe e a melhor comunicação entre as equipes envolvidas com cirurgias.

A utilização de uma lista de verificação prévia ao ato cirúrgico propriamente dito tem demonstrado uma redução significativa tanto na morbidade quanto na mortalidade, e agora é usada pela maioria de serviços cirúrgicos em todo o mundo.

Cirurgia é, muitas vezes, a única terapia que pode aliviar deficiências e reduzir o risco de morte de condições comuns.

Todos os anos, milhões de pessoas são submetidas a tratamento cirúrgico, e as intervenções cirúrgicas representam cerca de 13% dos anos de vida ajustados por incapacidade (DALYs, na sigla em inglês).

Enquanto os procedimentos cirúrgicos são destinados a salvar vidas, cuidados cirúrgicos inseguros podem causar danos substanciais, que podem ser traduzidos em números: a taxa de mortalidade bruta relatada após grandes cirurgias varia de 0,5-5%; complicações pós-operatórias ocorrem em até 25% dos pacientes;

Pelo menos metade dos casos em que a cirurgia causou dano seria evitável; em países industrializados, quase a metade de todos os eventos adversos em pacientes hospitalizados está relacionada ao cuidado cirúrgico; a mortalidade somente por anestesia geral é de uma em 150 anestesias, em algumas partes da África subsaariana.

Estudos têm demonstrado a redução significativa desses eventos pela aplicação das recomendações da OMS para cirurgia segura.

Para este fim, grupos de trabalho de especialistas internacionais foram convocados para revisar a literatura e as experiências de médicos ao redor do mundo.

Eles chegaram a um consenso sobre quatro áreas em que melhorias dramáticas poderiam ser feitas na segurança dos cuidados cirúrgicos:

Prevenção de infecção do local cirúrgico, anestesia segura, equipes cirúrgicas seguras e avaliação dos serviços cirúrgicos.

A OMS recomenda três etapas de verificação: antes da entrada do paciente na sala de cirurgia (check-in), na sala de cirurgia, antes da incisão cirúrgica (time-out) e após o término da cirurgia (check-out).

Antes da entrada, verificar se:

– Foi confirmada a identidade do paciente, o local da cirurgia, o procedimento e se ele concorda com a cirurgia;

– O local da cirurgia foi marcado;

– Os equipamentos de cirurgia e anestesia e outros foram verificados e concluídos como adequados;

– O oxímetro de pulso foi colocado no paciente, e se ele funciona;

– Há alergias conhecidas;

– Existe uma via aérea difícil e risco de broncoaspiração;

– Há materiais e equipamentos/assistências disponíveis;

– Há risco de sangramento maior que 500 ml e, em crianças, que 7 ml/kg;

– Em caso desse risco, há sangue ou hemoderivados disponíveis e acesso venoso adequado.

Antes da incisão cirúrgica, deve ser conferido:

– A presença de todos os membros da equipe, pelo nome e função.

– A identidade do paciente, o local da cirurgia e os procedimentos a serem realizados.

– Se foi administrada a profilaxia antibiótica nos últimos 60 minutos, se pertinente,;

– Quais os eventos críticos previsíveis

– Quais são os passos críticos ou não sistematizados

– Quanto tempo levará o procedimento

– Qual é a perda esperada de sangue

– Há algum problema específico do paciente

– A esterilização adequada de todo material está confirmada

– Existem quaisquer dúvidas ou problemas relacionados aos instrumentos e equipamentos

– As imagens de exames estão disponíveis e podem ser exibidas

Antes de o paciente sair da sala de cirurgia:

– O nome do procedimento é confirmado;

– Há contagem/conferência dos instrumentos, esponjas e agulhas utilizadas;

– Fazer a identificação das amostras obtidas para exames (ler a etiqueta, em voz alta, incluindo o nome do paciente);

– Relatar se houver problemas para resolver relacionados aos instrumentos e equipamentos;

– Abordar os aspectos críticos da recuperação e do tratamento do paciente.

A lista de verificação tem demonstrado uma redução significativa, tanto na morbidade quanto na mortalidade ocasionadas pelos procedimentos cirúrgicos, em geral.

A OMS lançou, recentemente, a lista de verificação do parto seguro, que também ajudará os profissionais de saúde a seguirem os padrões de cuidados essenciais para cada nascimento.

Apesar dos resultados, o Consórcio Brasileiro de Acreditação (CBA), em parceria com o Colégio Brasileiro de Cirurgiões (CBC), criou um Manual de Padrões para Cirurgia Segura.

O manual além de incluir a lista de verificação da OMS, define uma série de padrões a serem seguidos, no pré-operatório, na cirurgia e no pós-operatório, conferindo mais segurança para os procedimentos cirúrgicos e invasivos no Brasil.

Entre os padrões brasileiros avaliativos da segurança dos procedimentos cirúrgicos e invasivos, criados pelo CBA/CBC, estão: a gestão dos serviços de cirurgia e de anestesia;

Aquisição e manutenção de equipamentos e instrumentais ligados direta e indiretamente à cirurgia; ambientação e infraestrutura cirúrgica; programa de qualidade para cirurgia segura;

Envolvimento de pacientes e familiares no processo decisório para cirurgia; prevenção de infecção; adesão à lista de verificação da OMS; concessão de prerrogativas profissionais;

Monitoramento anestésico e de recuperação anestésica e cirúrgica; monitoramento por indicadores, entre outros, que, somados, chegam a 43 padrões de qualidade.

*José de Lima Valverde Filho é médico e Coordenador de Acreditação do Consórcio Brasileiro de Acreditação (CBA).

Fonte: Consórcio Brasileiro de Acreditação-20.06.2017.

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