Gestão

Programa Mais Médicos após quase quatro anos

Por Roberta Massa B. Pereira | 10.07.2017 | Sem comentários

Lançado em outubro de 2013, o programa Mais Médicos tinha a meta de suprir o deficit de médicos em diferentes regiões do país.

Com a contratação de profissionais estrangeiros, principalmente, cubanos.

Motivo de muita polêmica na época de sua implantação, o projeto previa o intercâmbio desses profissionais por um período de três anos.

No ano passado, porém, ele voltou a ser prorrogado.

“11.447 mil novas vagas de graduação (em medicina)”

Promessa no documento de lançamento do programa

Falso

Segundo dados obtidos através da Lei de Acesso à Informação (LAI), até dezembro de 2016 foram criadas somente 7.732 vagas.

Procurado, o Ministério da Saúde informou que desde o início do ano ocorreu novo acréscimo e o número de novas vagas em medicina subiu para 8.133.

Mesmo assim, faltam 29% das vagas da prometidas originalmente: 3.314.

“Até 2015, serão 4.000 (vagas de residência médica)”

Promessa no documento de lançamento do programa

Verdadeiro

As informações do relatório produzido pelo Departamento de Planejamento da Provisão de Profissionais de Saúde mostram que a meta foi batida.

O número foi, inclusive, superior e alcançou um total de 4.798 até 2015.

“12.372 novas vagas de residência médica”

Promessa no documento de lançamento do programa

Falso

Essa promessa ficou pelo caminho.

O documento oficial do Ministério da Saúde aponta que foram criadas até o fim de 2016 somente 6.219 vagas –metade do que foi prometido originalmente.

Em 2013, o número foi de 743. No ano seguinte, 2.951. Já em 2014, foram 1.104 e, no ano passado, 1.421.

Procurado, o Ministério da Saúde, disse que o número aumentou um pouco mais até o fim do ano passado e chegou a 7.652. A pasta, porém, não dispunha ainda dos dados de 2017.

“Relatório elaborado pelo TCU, a partir da avaliação da chegada dos médicos em 1.837 municípios, traduz alguns dos impactos já sentidos pela população: Mais 33% nas consultas mensais na atenção básica nesses municípios”

Resultados apresentados no site do ‘Mais Médicos’

Exagerado

O relatório original no TCU (Tribunal de Contas de União) informa que a pesquisa produzida comparou somente as consultas realizadas entre dezembro de 2012 e abril de 2013.

Período anterior ao projeto, com as que ocorreram entre dezembro de 2013 e abril de 2014 –cinco meses depois da chegada dos médicos do programa.

Ou seja, não é uma avaliação integral sobre todo o período desde 2013.

O TCU ainda fez outras ressalvas sobre a pesquisa.

Explicou, por exemplo, que foi necessário excluir municípios cujos dados tinham inconsistências.

Assim, para o período anterior ao ‘Mais Médicos’, foram analisadas as informações de apenas 81,5% dos municípios –4.562 cidades de um total de 5.596 do país.

Já para os dados obtidos após a chegada dos novos médicos, foram analisadas as consultas realizadas em somente 1.837 cidades dos 2.116 municípios que receberam médicos do programa.

Apenas nesse grupo e no período especificado é que se verificou um aumento de 33% na média mensal de consultas.

Outro lado

Procurado, o Ministério da Saúde disse que “as metas para criação de vagas de graduação em medicina e residência médica foram estabelecidas na gestão anterior e estão sendo reavaliadas”.

Sobre o aumento no número de consultas informado no site do programa, o ministério disse que irá corrigir as informações com o relatório do TCU.

LEGENDA:

Verdadeiro: A informação está comprovadamente correta.
Exagerado: A informação está no caminho correto, mas houve exagero.
Falso: A informação está comprovadamente incorreta.

Fonte: Folha de São Paulo-10.07.2017.

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