Saúde

Saúde aprova menos integrantes em equipes de atendimento à população

Por Roberta Massa B. Pereira | 01.09.2017 | Sem comentários

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Saúde: Nova política reduz as exigências na atenção básica; mudanças receberam críticas.

Ministério da Saúde e representantes de secretários estaduais e municipais da área aprovaram nesta quinta-feira, 31, alterações nas regras para o funcionamento da porta de entrada do Sistema Único de Saúde (SUS), a atenção básica.

A nova política reduz as exigências e, com isso, permite a criação de equipes de atendimento à população com menos integrantes.

“É o mundo real”, disse o ministro da Saúde, Ricardo Barros.

Especialistas afirmam que a qualidade da assistência vai piorar.

Equipes de Saúde da Família – que atualmente precisam ter de 6 a 12 agentes comunitários de saúde, além de um médico, um dentista e um atendente de enfermagem – poderão passar a atuar com 4.

Além da composição ter minguado, será permitido agora que a jornada de trabalho de 40 horas semanais seja cumprida por mais de um profissional da mesma categoria.

Lean Six Sigma

“Isso vai possibilitar que dois médicos trabalhem na equipe, em dias diferentes”, conta o diretor do Departamento de Atenção Básica, João Salame Neto.

A nova regra prevê a criação de Equipes de Atenção Básica formada por um enfermeiro, um médico e um técnico de enfermagem.

“Esse modelo vai permitir a criação de grupos de assistência em áreas que não necessitam de uma equipe completa.

Pelo modelo anterior, essas áreas ficavam desassistidas”, afirmou o ministro.

A mudança foi criticada pelo presidente do Conselho Nacional de Saúde, Ronald Santos.

“É um retrocesso. Prejudica a população, torna mais vulneráveis os agentes comunitários de saúde.

Os únicos beneficiados são aqueles que defendem a saúde privada, os planos de saúde.”

Endemias

Barros afirma que a medida tornará o sistema mais operacional.

Isso porque, além dos agentes comunitários de saúde, serão incorporados à equipe os agentes de endemia, atualmente responsáveis apenas pelo combate a fatores de risco de doenças transmissíveis.

“Eles vão continuar com algumas atribuições específicas.

Mas vão também poder trabalhar como agentes comunitários.” Essa mudança despertou uma série de críticas.

A principal é a de que, com esse modelo, o combate às endemias ficará mais vulnerável, uma vez que esses agentes têm uma lógica distinta de atuação.

Salame Neto descartou o risco de que, com regras mais frouxas, municípios passem a reduzir equipes de Saúde da Família para formar grupos de atenção básica, onde a composição é menor.

“Eles estariam trocando o certo pelo duvidoso, uma vez que as equipes de Saúde da Família já estão credenciadas e as de atenção básica ainda precisariam passar por esse processo”, disse.

O ministério não sabe quantas equipes poderão ser formadas com a mudança.

O diretor também afastou a hipótese de que haja uma demissão em massa de agentes comunitários de saúde.

De acordo com ele, atualmente os municípios já trabalham com um número maior do que a lei determina. “A necessidade fala mais alto.”

Fonte:Estadão – 01.09.2017.

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