Gestão

Programa voltado ao idoso tenta reduzir as internações

Por Roberta Massa B. Pereira | 28.11.2017 | Sem comentários

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Lançado há um ano pela ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar), o programa Idoso Bem Cuidado pretende disseminar uma visão mais global desse público.

Com integração entre os vários tratamentos aos quais ele é em geral submetido, de forma a melhorar a qualidade de vida e reduzir internações.

A lógica atual da prestação de serviços de saúde no país não é adequada às necessidades desse grupo, já que é orientada ao atendimento de casos agudos.

O pronto-socorro é uma das principais portas de entrada no sistema, quando deveria ser retaguarda apenas para urgências e emergências, diz a ANS.

A partir desse diagnóstico, o Idoso Bem Cuidado propõe ações em cinco níveis:

Acolhimento, núcleo integrado de cuidado, ambulatório geriátrico, cuidados complexos de curta duração e cuidados de longa duração.

O foco está nos três primeiros níveis.

A agência selecionou 67 projetos de prestadores de serviços (hospitais e clínicas) e operadoras de saúde suplementar como instituições parceiras no programa.

As primeiras experiências completaram um ano em outubro.

A SulAmérica é uma das 49 operadoras que aderiram.

Lean Six Sigma

Segundo Raquel Imbassahy, superintendente de serviços médicos, o Idoso Bem Cuidado é um modelo inovador, que envolve integralidade, sustentabilidade, qualidade de saúde e atenção -resume.

O programa vem sendo implementado por regiões. “Primeiro preparamos a rede em determinada área e, a partir daí, convidamos os idosos a participar.

Os únicos critérios são idade e localização.”

Pela SulAmérica podem participar pessoas a partir de 65 anos.

Quem aceita o convite recebe a visita de um enfermeiro, que faz uma avaliação da capacidade funcional do idoso e o classifica por risco de saúde.

Com base nesses dados, é elaborado um plano específico de cuidados.

O participante também é convidado a passar pelo geriatra e conta com uma central de urgência 24 horas.

A operadora tem acordo com alguns hospitais e, se o idoso passa por algum em uma urgência, é acompanhado pelo programa desde a hospitalização até a transição de cuidados.

Envolvendo a família, para que esteja apta a recebê-lo de volta.

Cuidado e atenção

A professora aposentada Nancy Bonansea, 68, é uma das participantes.

Ela conta que têm gastrite e fez um tratamento de dois anos em decorrência de uma bactéria no estômago.

Desde que entrou no programa não foi mais hospitalizada. As enfermeiras do Idoso Bem Cuidado ligam com regularidade para ela.

“Se digo que estou com um problema, elas vão atrás, falam com médicos. Não gosto de falar de doença com as pessoas, sempre digo que estou bem.

Mas, com elas, posso falar. Gosto pelo carinho.”

A SulAmérica tem em sua base de beneficiários cerca de 180 mil idosos, dos quais 5.000 participam do programa.

“Iniciamos o piloto em São Paulo e vamos levar a outras cidades”, diz Imbassahy.

Embora não existam resultados consolidados, ela diz que é notável a redução no atendimento em pronto-socorro, internações e reinternações.

O Hospital do Coração, em São Paulo, é um dos 18 prestadores que participam da iniciativa.

Bernardete Weber, superintendente de qualidade e uma das coordenadoras do Idoso Bem Cuidado no HCor, diz que o programa foi implementado entre os internados.

Na transição de cuidados quando deixam o hospital e no atendimento ambulatorial desses idosos, que ficam vinculados ao hospital.

Weber explica que o HCor é especializado em doenças crônicas, mais comuns na idade avançada.

Entre os pacientes admitidos na unidade de internação, 66,5% têm 60 anos ou mais.

Nível de fragilidade

Todos os idosos internados passam por avaliação que determina seu nível de fragilidade, sendo que 32,7% são classificados como frágeis.

“Os frágeis apresentam risco maior de complicações na internação, como quedas, reação adversa a medicamentos, necessidade de transferência para a UTI e internação prolongada”, diz.

Esse grupo é incluído no Idoso Bem Cuidado, que integra recursos multidisciplinares com o objetivo de garantir a segurança do paciente.

Manter sua capacidade funcional e reduzir seu período de internação.

A idade média dos participantes no HCor é 81,8 anos, que ficam em média 14,1 dias internados.

Entre os problemas frequentes está o comprometimento cognitivo, como desorientação no tempo e alterações de memória, apresentado por 74% dos incluídos no programa.

Já 70% têm redução de força muscular, associada à dificuldade de caminhar, e alto risco de queda.

“O programa colabora para ter o idoso internado por um período menor, porque a cada internação ele se debilita mais.

Se não tiver um olhar integrado, ele pode, por exemplo, sair muito bem de uma internação ortopédica e mal de outras doenças”, diz Weber.

Fonte: Folha de São Paulo – 28.11.2017.

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