Saúde

Hospital Santa Marcelina é interditado pela Vigilância Sanitária

Por Roberta Massa B. Pereira | 06.12.2017 | Sem comentários

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O Centro de Vigilância Sanitária Estadual interditou parcialmente o pronto-socorro de atendimento do SUS (Sistema Único de Saúde) do Hospital Santa Marcelina de Itaquera (zona leste).

O maior da mais populosa região da cidade de São Paulo.

A decisão, impede a unidade de receber novos pacientes, exceto nos casos de extrema urgência.

A Secretaria de Saúde da gestão Geraldo Alckmin (PSDB) afirma que decidiu pela interdição cautelar e parcial da unidade de internação cirúrgica, do ambulatório de quimioterapia.

E de uma das UTIs adulto porque “foi constatada insuficiência de profissionais para o atendimento e problemas estruturais, tais como:

Falta de ventilação e ausência de espaço físico adequado para acomodar os pacientes”.

O próprio hospital, que é filantrópico, administrado pela entidade Santa Marcelina, divulgou uma nota em que admite os problemas.

A Polícia Militar, os bombeiros e o Samu já foram orientados a não levar pacientes para o local.

O hospital é considerado de referência na região por conta do setor de alta complexidade.

Lean Six Sigma

Na tarde desta segunda (4), já havia obras sendo feitas no local interditado e uma placa com o símbolo do governo federal foi afixada.

Outros setores do hospital funcionavam sem problema, inclusive o pronto-socorro que atende pacientes particulares e de convênios de saúde.

O único movimento relacionado aos pacientes do pronto-socorro do SUS era de visitantes.

O governo paulista afirma ainda que o hospital foi notificado a apresentar, até o dia 11 de dezembro, uma proposta de adequação dos setores e seu respectivo tempo de execução.

O documento será avaliado tecnicamente pela Vigilância Sanitária.

Para Maria Ferreira, a Alda, do Movimento Popular de Saúde, a situação deve agravar a situação de outros hospitais da região, que já apresentam falhas no atendimento.

“Temos problemas com hospitais que precisam de reformas urgentes, como é o caso do Planalto, também em Itaquera, e o Tide Setúbal, em São Miguel Paulista.

A situação agora fica mais grave”, afirma.

Capacidade

A direção do hospital Santa Marcelina divulgou uma nota em que confirma problema no pronto-socorro e o atribui à superlotação.

Segundo o comunicado, o pronto-socorro clínico, que tem 20 leitos para internação, mantinha em média 50 pacientes internados.

Afirma ainda que a situação é semelhante no pronto-socorro cirúrgico.

Com capacidade para receber 14 pacientes, o setor ficava com 40 pacientes internados em média.

O Santa Marcelina é privado e filantrópico, administrado pelas freiras católicas Irmãs de Santa Marcelina.

Segundo a organização, 87% de seu atendimento é do SUS. A entidade também administra outras unidades de saúde.

Segundo a prefeitura, os casos sem gravidade são encaminhados à UPA Itaquera e aos hospitais municipais Dr. Waldomiro de Paula (Planalto) e Tide Setúbal.

Quando é necessário atendimento de alta complexidade, o encaminhamento é para o Hospital Municipal Dr. Carmino Caricchio (Tatuapé).

Apenas os casos de urgência e emergência, em que os pacientes precisam chegar rapidamente ao hospital, são levados ao PS do Hospital Santa Marcelina.

O hospital já havia parado de atender os pacientes do SUS em agosto de 2011.

Na ocasião, o motivo alegado para a interdição foi o excesso de pacientes, assim como agora.

Nos dois momentos o pronto-socorro que atende pacientes particulares e associados aos planos de saúde não foi atingido.

Na outra vez, a decisão foi tomada pelo próprio hospital, diferentemente de agora, quando a decisão partiu da Vigilância Sanitária.

Espera

Às 17h desta segunda, a assistente administrativa Katia Cristina Gomes, 39, aguardava havia quatro horas.

O atendimento de seu filho Wendell, 19, no hospital municipal Professor Dr. Waldomiro de Paula, conhecido como Planalto, em Itaquera.

Que acabou ficando sobrecarregado por causa do fechamento parcial do pronto-socorro do Hospital Santa Marcelina, segundo pacientes e funcionários.

“Ele [Wendell] está com febre alta, dores no peito e tosse.

Viemos para saber se é dengue ou se é só uma gripe forte”, afirma Katia.

Com todas as cadeiras na sala de espera ocupadas, outros pacientes e acompanhantes também aguardavam de pé ou sentados no chão.

O PS de adultos na unidade é separado do infantil, que funciona junto com o de obstetrícia.

Lá, Talita da Silva, 27, esperava no banco do lado externo, ao lado da mãe, Marli Aparecida da Silva, 45.

“Chegamos aqui às 9h, ela está com contrações e não pode entrar em trabalho de parto porque ainda não é o momento.”

Segundo a Secretaria de Saúde da gestão João Doria (PSDB), a rede municipal está passando por um processo de reorganização para absorver o esperado aumento de demanda na região.

Ao todo, a zona leste conta com conta com 45 serviços de saúde, sendo quatro hospitais municipais.

Fonte: Folha de São Paulo – 06.12.2017.

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