Tecnologia

‘Pegada digital’ pode revelar problemas de saúde como depressão

Por Roberta Massa B. Pereira | 07.03.2018 | Sem comentários

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Nossa pegada digital (a frequência de postagens nas redes sociais, o número de vezes que verificamos o celular à noite) pode conter indícios de nossa saúde física e mental.

Esse é o pressuposto de uma área emergente, mapeamento do fenótipo digital, que tenta avaliar o bem-estar das pessoas com base em suas interações com os dispositivos.

Pesquisadores e empresas de tecnologia estão acompanhando publicações, chamadas, leituras e cliques em busca de mudanças de comportamento que possam estar ligadas a sintomas de doenças.

Alguns desses serviços requerem a adesão do usuário. Mas há ao menos um deles que não precisa disso.

Nossas interações com o mundo digital podem, na verdade, revelar segredos de doenças”, disse Sachin H. Jain, diretor-executivo da CareMore Health.

Uma empresa de saúde que contribuiu no estudo de publicações no Twitter em busca de sinais de problemas de insônia.

Abordagens semelhantes podem ajudar a medir se a medicação consumida pelos pacientes está funcionando.

“Isso pode nos ajudar a compreender melhor a eficácia dos tratamentos”, disse ele.

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Mas até os defensores do ramo alertam que certos mapeamentos de fenótipo podem ser tão eficazes na detecção de problemas de saúde quanto uma bola de cristal.

Se uma pessoa sociável deixa de enviar mensagens aos amigos, isso pode ser indicativo de uma depressão, explicou Steve Steinhubl, diretor do Scripps Translational Science Institute, na Califórnia.

Ou “pode significar que a pessoa fez uma viagem para acampar”, disse ele.

Ainda assim, há uma corrida para o campo, apesar das questões envolvendo a eficácia e a privacidade dos dados.

Um dos esforços mais ambiciosos é do Facebook.

A empresa anunciou recentemente que estava usando a inteligência artificial para analisar publicações e transmissões ao vivo na rede social em busca de possíveis sinais de pensamentos suicidas.

Se o sistema detectar certos padrões de linguagem, como amigos fazendo comentários do tipo “Posso ajudar?” ou “Está tudo bem?”, a equipe de análise do Facebook pode ser acionada.

Em alguns casos, o Facebook envia aos usuários uma notificação de apoio com sugestões como “Chamar um centro de ajuda”.

Nos casos mais urgentes, o Facebook trabalhou com as autoridades para enviar ajuda ao local do usuário.

A empresa disse que, no decorrer de um mês, sua equipe de resposta trabalhou com funcionários de emergência em mais de 100 ocasiões.

O Facebook está vasculhando as publicações de usuários em busca de sinais de pensamentos suicidas sem dar a estes a opção de não participar da varredura.

E Frank Pasquale, professor de direito da Universidade de Maryland, alertou:

“Depois que a pessoa é caracterizada como suicida, essa informação fica eternamente associada ao seu nome? Quem tem acesso a isso?”.

Will Nevius, do Facebook, disse que os casos envolvendo resposta dos serviços de emergência são mantidos num sistema separado que não é ligado aos perfis de usuário.

Os terapeutas diagnosticam a depressão perguntando aos pacientes como se sentem.

Mas a Mindstrong Health, startup de saúde mental da Califórnia, tem uma plataforma de pesquisa para monitorar os hábitos do usuário no celular.

Analisando mudanças nos toques e cliques em busca de indícios de comportamento associado à depressão.

“Estamos criando alarmes de fumaça digitais para pessoas com doenças mentais”, explicou Thomas R. Insel, fundador da Mindstrong.

Em outra área, o uso tradicional de um telefone (conversar) é examinado em busca de indícios de saúde.

A Sharecare, empresa digital de saúde com sede em Atlanta, oferece um aplicativo de bem-estar com um recurso opcional que analisa os níveis de estresse do usuário durante as chamadas telefônicas.

O sistema usa a tecnologia de reconhecimento de padrões para categorizar a fala do usuário.

Após cada chamada, o sistema traz informes do tipo “você parecia ansioso” ou “você parecia equilibrado”.

Mas alguns pesquisadores disseram que a varredura pode ter o efeito oposto, aumentando o estresse em pessoas saudáveis.

“É como se estivéssemos na escola para sempre”, disse o professor Pasquale, “sendo tratados eternamente dessa maneira por todas as empresas que têm mais dados a nosso respeito”.

Fonte: Estadão-07.03.2018.

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