Gestão

Pagamentos por coparticipação tiveram alta de 20%, mas podem cair com nova regra

Por Roberta Massa B. Pereira | 04.07.2018 | Sem comentários

O valor que os beneficiados de planos de saúde desembolsaram por procedimentos médicos a título de coparticipação ou franquia aumentaram nos dois últimos anos.

Nos últimos anos, a alta foi de cerca de 20% em termos monetários nominais.

A soma foi de R$ 5 bilhões no último trimestre de 2017, segundo a ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar).

Nos anos de 2016 e 2017, a alta foi de cerca de 20%, sem levar em conta a inflação.

A tendência pode ser invertida com a publicação, no fim do mês passado, de normas da agência que colocam limites à coparticipação.

A regra anterior era mais genérica: o plano não poderia cobrar do beneficiado um valor pelo procedimento que fosse um fator restritivo ao uso da apólice de seguro.

Com as novas normas da ANS, as seguradoras poderão cobrar, no máximo, 40% do custo do procedimento médico.

Há outro limite: a conta do cliente não pode ser maior que o valor mensal do prêmio.

“As operadoras têm dúvidas sobre como operacionalizar, são muitos fatores de limites colocados”, afirma Marcos Novais, economista da Abramge (associação dos planos).

O setor está preocupado com aspectos técnicos, mas considera que agora há a possibilidade de criar diferentes tipos de contratos, o que é um avanço, segundo Novais.

As novas regras não vão aumentar a receita das operadoras, mas podem reduzir os custos, diz Orestes Pullin, presidente da Unimed Brasil.

“A coparticipação estimula o uso racional dos serviços, e a regulamentação publicada tornou as regras mais claras para as empresas.

Isso pode baratear as mensalidades e aumentar a clientela.”

Há também um esforço maior para conter os gastos desnecessários ou abusivos, diz Ariovaldo Câmara.

Presidente do Postal Saúde, que administra planos de funcionários dos Correios.

“Em alguns parceiros a consulta custa R$ 80, mas, no final, o atendimento sai por R$ 800.

Temos priorizado outros que fazem o mesmo por R$ 400, por exemplo, além de auditorias.

Com isso, nosso custo subiu só 1,7% em 2017.”

“A solução que buscamos é evitar um uso desnecessário do plano. Investimos R$ 78 milhões por ano em programas de prevenção”, diz Luciana Rodriguez, diretora da Geap, dos servidores federais.

Fonte: Folha de São Paulo – 04.07.2018.

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