Tecnologia

Dasa aposta em inteligência artificial para melhorar a medicina diagnóstica

Por Roberta Massa B. Pereira | 12.09.2018 | Sem comentários

Após investir em uma expansão acelerada nos últimos três anos, a Dasa – dona de laboratórios como Delboni Auriemo, SalomãoZoppi e Sergio Franco – adotou como foco o desenvolvimento de inteligência artificial, para melhorar a oferta de serviços de medicina diagnóstica.

“A inteligência artificial aumenta a eficiência do diagnóstico de doenças e reduz custos dos exames, o que pode favorecer a democratização da medicina diagnóstica para os pacientes”, afirmou Pedro de Godoy Bueno, presidente da Dasa.

O executivo disse que a companhia pretende ser uma “viabilizadora de informações” para pacientes e médicos, com a oferta de dados mais qualificados sobre diagnósticos e tratamentos, dependendo do perfil dos pacientes.

A companhia começou a fazer uso dos 8 milhões de exames que realiza por ano como banco de dados para desenvolver softwares de diagnóstico.

Com inteligência artificial, esses sistemas gravam milhões de exames e “aprendem” a identificar doenças, tumores e outros problemas de saúde.

A Dasa fechou em junho uma parceria com a Harvard Partners, braço da universidade americana na área de tecnologia, para desenvolver esse projeto de algoritmo.

Bueno disse que os exames são digitalizados e tratados, para que as informações dos pacientes sejam mantidas em sigilo, respeitando a legislação de proteção de dados.

“Futuramente, essa tecnologia também poderá ser oferecida no mercado para outras empresas de medicina diagnóstica”, afirmou.

Ele contou que, atualmente, a Dasa usa inteligência artificial na área de radiologia, para aumentar a produtividade dos médicos.

E na área de atendimento ao cliente por WhatsApp, com uso de tecnologia robótica para marcação de exames.

A Dasa também mantém parceira com o Cubo, espaço de empreendedorismo mantido pelo Itaú e pelo fundo Redpoint eVentures, para a escolha de startups na área de saúde.

“Essa parceria vai ser muito importante para nos aproximar dos empreendedores.

O objetivo é construir um ecossistema de medicina diagnóstica, para promover inovações na área no longo prazo”, disse o executivo.

A empresa investiu ainda R$ 15 milhões em uma tecnologia, desenvolvida pela Philips, capaz de digitalizar 600 mil exames de patologia clínica por ano com alta resolução.

Com os exames digitalizados, é possível fazer o diagnóstico de doenças com maior acurácia.

No modelo tradicional, as amostras de tumor, por exemplo, são analisadas manualmente por microscópio.

Romeu Domingues, presidente do conselho de administração da Dasa, disse que o investimento em inteligência artificial constitui um novo momento da companhia.

“A Dasa cresceu de forma muito acelerada no passado.

Chegou a ter cinco diretores financeiros e quatro presidentes em cinco anos.

Não foi fácil implantar uma cultura comum na companhia”, afirmou.

A Dasa opera atualmente com 754 unidades no país, incluindo as instaladas dentro de hospitais.

O foco agora não está em grandes compras. “A expansão será mais residual.

Se houver aquisição será de marcas regionais, de menor porte”, afirmou Bueno.

O executivo acrescentou que mantém algumas possibilidades de compra no radar.

O número de aquisições deve ficar em torno de cinco por ano, como se observou em anos anteriores.

Líder no setor de medicina diagnóstica no país, a Dasa reportou no segundo trimestre de 2018 um lucro líquido de R$ 45,6 milhões, ante R$ 4,7 milhões registrados um ano antes.

A receita aumentou 23,4%, para R$ 989,3 milhões.

O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) saltou 75,7%, para R$ 181,7 milhões.

Bueno afirmou que não houve avanço no projeto de criação de uma rede de clínicas médicas populares, em parceria com o grupo americano UnitedHealth, dono da Amil.

O projeto estava em estudo pelas empresas no início do ano, conforme o Valor noticiou em março.

Houve uma conversa inicial, mas acabamos não avançando”, disse.

A Superintendência-Geral do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) chegou a dar sinal verde para a formação de uma joint venture entre as duas companhias, denominada Clinijá, conforme publicação no Diário Oficial em 19 de março.

O executivo também contou que a Dasa desenvolve um projeto piloto, com algumas operadoras de planos de saúde, para venda de um pacote de serviços de valor fixo para os beneficiários, no lugar da cobrança por procedimento.

Segundo Bueno, a iniciativa ainda está restrita a poucas operadoras e precisa ser mais testada antes de ser adotada em maior escala.

Dois hospitais da Ímpar, rede que também pertence à família Bueno, controladora da Dasa, testam esse modelo, com o pagamento de operadoras de planos de saúde por um valor fixo por procedimento.

Fonte: Valor – 12.09.2018.

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