Vamos falar sobre o câncer de mama? Mastologista do IBCC esclarece principais dúvidas
Por Roberta Massa | 02.10.2018 | Sem comentáriosO câncer de mama, como todos os cânceres, é uma doença genética, causada por uma lesão nos genes das células epiteliais da mama.
Que nos chamamos de mutação que faz com que as células passam a se multiplicarem sem controle, formando os tumores na mama.
E invadindo os vasos linfáticos e sanguíneos com risco de disseminação para vários órgãos, que são as metástases.
O câncer de mama é o segundo mais incidente nas mulheres, ficando atrás dos cânceres de pele não melanoma.
No último domingo o IBCC (Instituto Brasileiro de Controle do Câncer), reuniu cerca de oito mil pessoas na 57° Corrida Contra o Câncer de Mama no Campo de Marte.
O IBCC é especialista no tratamento do câncer de mama é o hospital com a maior demanda desta especialidade na cidade de São Paulo.
“Quem participou da Corrida e Caminhada, mais do que lutar pelo pódio de chegada, lutou pela conscientização sobre o câncer de mama.
E a importância do diagnóstico precoce do tipo de câncer que mais mata as mulheres no país através do autoexame e da mamografia.
São estimados aproximadamente 2 (dois) milhões de novos casos por ano no mundo e no Brasil a estimativa para 2018 é de 59.700 casos novos.

Tenho muito orgulho de ter participado da corrida e de poder disceminar a importância dessa causa.
A prevenção sempre será a melhor forma de combater o câncer de mama.
“Felizmente, pude passar por uma experiência pessoal, onde a prevenção foi crucial para evitar um problema mais grave no futuro.
Mesmo quando o diagnóstico pode ser assustador, não podemos ter medo de enfrentá-lo.
Infelizmente, o medo faz com que muitas mulheres evitam os exames preventivos, e esse pode ser um erro fatal”.
Saiba mais informações sobre o câncer de mama com o Dr. Joaquim Teodoro de Araujo Neto.
Mastologista do Instituto Brasileiro de Controle do Câncer-IBCC e Coordenador de Centro de Estudos do IBCC.
– Quais são suas causas e fatores de risco? Explique.
Não existe uma causa única para o câncer de mama, é a associação de vários fatores, ou seja, multifatorial.
Os principais fatores de riscos que se associam são: gênero feminino com aproximadamente 100 (cem) casos nas mulheres para 01 (um) nos homens;
A idade quando mais idosa a mulher maior é o risco, sendo a faixa etária predominante de 55 a 65 anos; risco familiar, principalmente mãe, irmãs ou filhas com câncer de mama abaixo de 50 anos ou câncer de ovário em quaisquer idades;
Vários ciclos menstruais ao longo da vida (começa a menstruar muito jovem, abaixo de 12 anos e para após os 50 anos;
Nunca ter tido filhos e consequentemente nunca ter amamentado ou ter tido o primeiro filho após os 30 anos;
O uso de contraceptivos hormonais por mais de 10 anos e o uso de terapias hormonais combinadas (estrógeno e progesterona).
Na menopausa por mais de 5 anos, são tidos como os principais fatores de riscos.
– Quais são os tipos? Explique cada um, por favor.
São vários os tipos e estágios dos cânceres de mama. Inicialmente podem ser divididos em “in situ” e invasivo.
O termo “in situ” significa que o câncer está dentro dos ductos mamários, ou seja, que ainda não invadiu as estruturas adjacentes.
São os cânceres mais iniciais, com taxa de cura de aproximadamente de 98%.
Assim que saem de dentro dos ductos e invadem as estruturas adjacentes da mama, são chamados de invasivos, sendo os 02 (dois) mais frequentes.
O carcinoma invasivo do tipo não especial (antigo carcinoma ductal invasivo) e o carcinoma lobular invasivo que quando são diagnosticados nos estágios iniciais, as taxas de cura são de aproximadamente 95%.
– Quais são os sintomas de câncer de mama?
O principal sintoma do câncer de mama é o nódulo (caroço) que na grande maioria das vezes é indolor e de crescimento lento.
Outros sintomas são a retração da pele, vermelhidão da pele, secreções que saem espontaneamente (sem expressão) dos mamilos, principalmente cristalino como água ou com sangue.
– Autoexame: quando fazer e qual sua importância?
O autoexame é fundamental para chamar a atenção das mulheres para que tenham a consciência da saúde das mamas.
Deve ser feito a partir dos 25 anos na semana após a menstruação.
No entanto, o autoexame e exame clínico de palpação feito por profissionais da saúde dão muito o quê nos chamamos de falso-negativo.
Ou seja, a mulher ou profissional da saúde não percebem nada de alterado, mas a doença já se encontra na mama.
Por isso que todas as mulheres a partir dos 40 anos, mesmo que não sintam nada no autoexame ou que apresentam as mamas normais ao exame de palpação.
Têm que fazer as mamografias anualmente, pois é o melhor exame usado para rastreamento.
E que proporciona o diagnóstico precoce, aumentando assim as chances de cura e com cirurgias menores.
– Como é feito o diagnóstico, quais exames são feitos e qual profissional procurar?
O diagnóstico pode ser suspeitado pelo exame clínico de palpação ou por exames de imagens como a mamografia, ultrassonografia e ressonância magnética.
Mas a confirmação é feito através da biópsia. Os médicos Mastologistas são os especialistas que tratam das doenças das mamas.
– Tem cura? Quais são as chances de cura?
Com certeza, principalmente quando diagnosticados nos estágios iniciais, as chances de cura são de 95 a 98%.
– Quais são os tipos de tratamentos? Explique cada um.
Os principais tratamentos são as cirurgias que podem ser as chamadas conservadoras.
Pois preservam a mama e retira a doença com margem de segurança e as radicais com retirada de toda a mama e a avaliação dos linfonodos da axila quando necessária.
A radioterapia ajuda a cirurgia no controle locorregional da doença.
Os tratamentos sistêmicos são a quimioterapia, terapia alvo molecular e a endocrinoterapia (bloqueio hormonal) que evitam que células tumorais invadem os outros órgãos e formem as metástases.
– Quimioterapia: como funciona e quais são seus efeitos colaterais?
O princípio da quimioterapia é o uso de medicamentos que matam as células tumorais, evitando assim as metástases.
Mas infelizmente ela mata também várias células normais, principalmente as do cabelo, levando a queda dos cabelos que é chamada de alopecia.
Também irritam muito o estômago levando às náuseas e vômitos.
– Quais complicações podem acontecer?
Todas as modalidades de tratamento podem ter complicações, as principais são:
Linfedema (inchaço no braço), limitação motora com perda da força e amplitude dos movimentos do braço do lado da cirurgia.
Radiodermite (queimadura da pele pela radioterapia), dor crônica no lado operado e irradiado.
Os tratamentos sistêmicos podem levar a insuficiência cardíaca principalmente pela quimioterapia e terapias alvos.
Antecipação da menopausa com a falência ovariana e consequentemente a infertilidade com a quimioterapia.
Tromboembolismo (trombose) e ondas de calor, principalmente com o Tamoxifeno, osteoporose ou perda massa óssea com os Inibidores da Aromatase.
– Como conviver com o problema?
A fisioterapia ajuda na prevenção e redução do linfedema, bem como na reabilitação motora dos braços.
As demais complicações podem ser prevenidas com uso de medicamentos e atividades físicas.
– Prevenção: quais hábitos e comportamentos diminuem a chance do câncer de mama? Explique.
Ter bons hábitos de vida, como alimentação saudável, evitar a obesidade, atividade física regular.
Evitar excesso de bebidas alcoólicas reduzem em aproximadamente 30% de todos os cânceres, inclusive o de mama.
Fonte: Assessoria de Comunicação IBCC – 02.10.2018.
