Tecnologia: um olhar para o futuro da saúde do nosso Brasil
Por Roberta Massa | 17.10.2018 | Sem comentáriosA Revolução Industrial no colocou o mundo de cabeça para baixo, proporcionando maior acesso a produtos e serviços de saúde às populações que estavam à margem do progresso.
Agora, no século XXI, vivemos uma nova revolução, a digital, que também tem o desafio de proporcionar mais benefícios e acessibilidade a um maior número de pessoas.
E quando se fala em saúde, o mundo digital é um forte aliado na expansão de serviços de qualidade.
A inteligência artificial tem contribuído com diagnósticos mais precisos e mais ágeis.
Ela é um instrumento essencial para aprimorar o cuidado com o paciente, melhorar a sua experiência e, vai muito além, por meio de estudos preditivos e genéticos do indivíduo.
As novas soluções digitais permitem também o uso de tecnologias cada vez menos invasivas, tratamentos mais personalizados, com maior precisão e resultados com maior rapidez.
O Big Data, termo que descreve o imenso volume de dados estruturados e não estruturados que impactam os negócios no dia a dia, pode ser um grande aliado do setor nas próximas décadas.
Se imaginarmos que podemos vir a ter armazenado o histórico completo do paciente, das gerações da sua família, sua qualidade de vida.
Em uma rede colaborativa acessada por diferentes profissionais e instituições de saúde, isso pode ser um grande apoio à tomada de decisão no futuro.
A análise acurada e preditiva das informações dos pacientes pode gerar uma medicina cada vez mais personalizada, sobretudo em casos desafiadores, como o câncer.
Teremos uma significativa mudança de mindset de “gestão da doença” para a gestão da saúde.
A digitalização também fornece dados que podem ajudar a identificar ineficiências em todo o sistema e otimizar significativamente o uso dos serviços de saúde do nosso País.
Por exemplo, estabelecer indicadores de qualidade, melhorar a eficiência e a transparência de processos, fazer comparações com outras instituições.
Criando referências, fazer planejamentos mais efetivos e controlar fraudes, entre outros benefícios.
Cada vez mais, é preciso pensar também em soluções para manter as pessoas saudáveis por mais tempo, reduzindo-se, assim, a necessidade de terapia e cuidados a longo prazo.
No Brasil, há muito a ser feito para aprimorar o acesso à saúde de qualidade, sobretudo porque temos pela frente um processo já consolidado na Europa há pelo menos duas décadas
E que agora começa a fazer parte da nossa realidade: o envelhecimento da população.
Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2030, haverá 42 milhões de brasileiros com mais de 60 anos, 61% a mais do número de idosos que temos hoje.
E muitos deles serão portadores de doenças raras e complexas.
Estima-se que 90% deles não terão plano de assistência médica, sobrecarregando ainda mais o SUS. Destinamos cerca de 10% do Produto Interno Bruto (PIB) para a saúde.
Projeções da consultoria McKinsey & Company indicam que, se nada for feito, será necessário alocar 25% do PIB em 20 anos.
Criando sérios problemas de sustentabilidade para o sistema de saúde.
Estudo realizado pela mesma consultoria em 2016 mostrou que mais da metade dos pacientes repetem os mesmos exames e procedimentos, para diferentes médicos.
Se houvesse digitalização e integração de dados, muito tempo, esforço e recursos poderiam ser poupados.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 30% dos gastos com a saúde da população são desperdiçados.
Isso ocorre principalmente em decorrência da má gestão, excesso de exames e procedimentos, fraudes e corrupção.
Nesse contexto, ressalto que a tecnologia desempenhou em todos os setores um papel protagonista em termos de aumento de qualidade e produtividade.
Na saúde não é diferente. A tecnologia é um investimento que, quando bem empregado, proporciona significativo retorno em ganho de produtividade e qualidade.
Fatores fundamentais para garantir a sustentabilidade do nosso setor, que inevitavelmente resulta numa ampliação do acesso à saúde para a população.
*Por: Armando Lopes Diretor-Geral da Siemens Healthineers no Brasil
Fonte: Revista Grupo Pardini – 17.10.2018.
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