Gestão

Com novo modelo de gestão e investimentos Hospital Moinhos de Vento saiu da crise

Por Roberta Massa B. Pereira | 11.03.2019 | Sem comentários

Instituição passou por grave crise em 2007, que foi revertido a partir de mudanças de gestão.

Entre os destaques dos investimentos na rede privada de saúde em Porto Alegre e Canoas, está um modelo inovador de empreendimento.

Em parceria com o Hospital Moinhos de Vento (HMV), a incorporadora Melnick Even assina o conceito de Hub da saúde.

Ecossistema que abrange, orbitando no entorno de uma unidade base do HMV, torres com consultórios, apartamentos residenciais e facilidades como hotel, laboratórios, escritórios, lojas e supermercado.

Quatro Hubs já estão garantidos no acordo entre a construtora e o hospital, e o primeiro, chamado Maxplaza, em Canoas, deverá ser entregue na metade do ano. 

Um dos principais hospitais privados do Estado, o HMV deve inaugurar em breve uma nova emergência pediátrica, que ganhará o nome de Elone Schneider Vontobel.

A instituição deu uma guinada a partir de 2007, quando enfrentava uma grave crise econômica e de governança.

Cogitou-se até a venda de patrimônio para a quitação de dívidas, como relembra o atual superintendente executivo, Mohamed Parrini, que assumiu como CEO àquela época. 

Desfizeram-se operações bancárias danosas à instituição e foi elaborado um programa de investimentos a partir de financiamentos de longo prazo solicitados a bancos internacionais e ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Que possibilitaram apostas em tecnologia e estruturas para atrair de volta os clientes perdidos.

Com tradição em maternidade, a instituição era fechada, sem atendimento de emergência.

Projetou-se uma ampla expansão, que incluiu a ocupação do prédio da Rua Tiradentes, um esqueleto quase vazio, onde antes só funcionava a oncologia — de 13 andares, nove estavam desocupados.

Um pronto-atendimento pequeno deu lugar a uma emergência, e o número de salas do centro cirúrgico passou de 12 para 17.

Em 2018, disponibilizou-se uma centena de novos leitos, atingindo-se o total de 500.  

O HMV é uma entidade privada (que cobra pelos serviços oferecidos via planos de saúde), filantrópica e sem fins lucrativos.

Não paga impostos, mas não está isenta das contribuições de Programa Integração Social (PIS), Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

Na prática, é autossustentável — todos os recursos que recebe voltam para ela própria, para seus funcionários e para a sociedade.

Há hospitais que revertem seus ganhos ao público via atendimentos pelo Sistema Único de Saúde (SUS), caso do Hospital Mãe de Deus (HMD). 

O HMV optou por investir em projetos em educação, pesquisa clínica, saúde pública e gestão, em decisões tomadas em conjunto com o Ministério da Saúde e os governos estadual e municipal.

Um ponto marcante da história recente da entidade foi a assinatura de um acordo de afiliação com a Johns Hopkins Medicine International, braço internacional da Johns Hopkins Medicine.

Iniciativa que congrega o corpo médico e científico da Faculdade de Medicina da Universidade Johns Hopkins, em Baltimore, no estado de Maryland, e o Sistema de Saúde Johns Hopkins, incluindo o hospital de mesmo nome.

— Se a gente quisesse ser igual ou melhor do que os hospitais de São Paulo, precisávamos dar um salto além — justifica Parrini. 

Formação acadêmica

Com essa conexão, há um intercâmbio de ideias e informações para aprimorar aspectos arquitetônicos, de fluxo interno e de pesquisa científica, além da capacitação de profissionais.

Videoconferências entre o Brasil e os Estados Unidos são realizadas para discutir casos.

Paralelamente, o HMV veio se preparando para se lançar no mundo acadêmico, com a Faculdade de Ciências da Saúde Moinhos de Vento.

Que neste semestre disponibiliza 50 vagas para a sua primeira turma de Ensino Superior, no curso de Enfermagem.

Outras graduações e programas de mestrado e doutorado também estão no horizonte. 

A instituição colocou em operação um moderno software para o atendimento a pacientes que sofrem acidente vascular cerebral (AVC) do tipo isquêmico.

O e-STROKE Suite aponta, nas imagens de tomografia, onde ocorreu o entupimento de vaso sanguíneo e as áreas que ainda podem ou não ser salvas, conforme o tempo decorrido desde o início da manifestação dos sintomas.

Em imagens coloridas, o especialista pode decidir, com mais rapidez, como será a intervenção, tendo a chance de evitar sequelas e até a morte.

Porto Alegre é a primeira cidade da América Latina a adquirir essa tecnologia.

Nos R$ 70 milhões de investimento previstos para este ano, constam, ainda, a aquisição de um novo acelerador linear Truebeam para aplicação mais precisa de radioterapia e novas emergência cardiológica para pacientes graves e UTI de cardiologia e neurologia, entre outras iniciativas. 

Está prevista para o final de abril a inauguração de uma nova emergência pediátrica, que recebeu R$ 12 milhões da família Vontobel, fundadora do grupo Vonpar.

A Emergência Pediátrica Elone Schneider Vontobel, com área total de 500 metros quadrados e 20 leitos para pacientes em observação — atualmente são seis —, apostará na telemedicina, sistema que permitirá conectar o atendimento do doente em estado grave diretamente com a equipe da UTI, agilizando os processos. 

Apenas nesta década, outras duas famílias tradicionais da sociedade gaúcha repassaram somas vultosas ao HMV para a implementação de melhorias, batizando os espaços com seus nomes.

Em 2011, inaugurou-se a Maternidade Helda Gerdau Johannpeter (doação de R$ 25 milhões, em valores corrigidos), e, em 2016, o Centro de Oncologia Lydia Wong Ling (a família pediu confidencialidade, e divulgou-se apenas que os Ling contribuíram com parte significativa dos R$ 30 milhões totais da obra). 

Setor da construção aposta em ecossistema que envolve serviços de saúde

Além de torres com consultórios, Hub da saúde tem laboratórios, supermercados, lojas e outras conveniências.

Juliano Melnick, sócio-diretor da Melnick Even, lembra que construtoras passaram por um boom imobiliário até 2013, desenvolvendo produtos tradicionais que tinham saída rápida.

Com a crise que se instaurou nos anos de 2014 e 2015, o setor, travado, precisou se reinventar para conseguir voltar a ser atrativo para investidores e clientes.

Condomínios com a conveniência de pequenos comércios e serviços no mesmo espaço já não eram mais novidade, e os empresários acabaram por direcionar o olhar para a área médica.

Em parceria com a Melnick Even, o HMV aposta em um projeto de descentralização para o futuro breve. 

Torres de salas comerciais simples não costumam ser adaptadas em acordo com a Resolução RDC 50/2002 da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que dispõe sobre as normas técnicas de estabelecimentos assistenciais de saúde, como a que determina o tamanho dos elevadores, que precisam ser grandes o suficiente para transportar macas.

O conceito de Hub da saúde vai além de torres com consultórios.

Trata-se de um ecossistema que deverá ter uma unidade base do Moinhos de Vento para atendimentos de baixa complexidade, como exames preventivos e procedimentos ambulatoriais, além de apartamentos residenciais e facilidades como hotel, consultórios, laboratórios, escritórios, lojas e supermercado.

O primeiro complexo a ser inaugurado se chamará Maxplaza, em Canoas, às margens da BR-116, com valor geral de vendas (VGV, que é a cifra alcançada quando todas as unidades são comercializadas) de mais de R$ 300 milhões, previsto para ser entregue na metade deste ano. 

Fonte: Gauchazh – 11.03.2019.

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